Desinvestimento

Petrobras pode desinvestir mais US$ 20 bi a partir de agora até 2019, diz fonte

Reuters, 31/10/2018
31/10/2018 09:47
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A Petrobras poderá obter mais 20 bilhões de dólares, de agora até o próximo ano, caso sejam realizadas as vendas de todos os projetos já anunciados para desinvestimentos, afirmou à Reuters uma fonte com conhecimento do assunto nesta terça-feira, em um sinal de que a companhia espera manter o ritmo de seu robusto plano de negociações apesar de recentes dificuldades.

Nos últimos três anos, a estatal realizou cerca de 20 bilhões de dólares em vendas de ativos e parcerias, a partir do programa traçado para reduzir uma enorme dívida, acrescentou a fonte, na condição de anonimato.

Dentre os acordos que poderão ser concluídos neste ano está a venda da refinaria Pasadena, no Texas, para a Chevron, embora o negócio não deva recuperar o enorme investimento feito pela empresa no ativo, envolvido no escândalo de corrupção, segundo a fonte.

A Reuters publicou na semana passada que negociações estavam em curso com a petroleira norte-americana.

A planejada venda de gasodutos no Nordeste, da subsidiária TAG, seria também importante para atingir aquele montante projetado para ser realizado até 2019. A esperada venda da fatia em empresa que a Petrobras tem na África também deve agregar montante bilionário na conta.

Procurada, a Petrobras não comentou o assunto imediatamente.

A fonte também apontou que poderá ser concluído até o fim de dezembro o processo de venda dos polos de petróleo em águas rasas de Enchova e Pampo, localizados no Estado do Rio de Janeiro.

Anteriormente, a Petrobras confirmou que a Ouro Preto Óleo e Gás havia apresentado a melhor proposta na fase vinculante do processo de venda de Enchova e Pampo.

A Ouro Preto recebeu apoio da companhia de private equity EIG Global Energy Partners, conforme reportado pela Reuters em julho.

Uma segunda fonte confirmou à Reuters nesta terça-feira que um acordo para a venda dos polos poderá ser alcançado ainda neste ano.

Com a maior dívida global para uma petroleira listada em bolsa, a Petrobras traçou um plano de arrecadar 21 bilhões de dólares no biênio 2017-2018, com vendas de ativos e parcerias.

Em meio aos esforços, a empresa reduziu a dívida líquida de 100,4 bilhões de dólares em 2015 para 73,7 bilhões de dólares no fim do segundo trimestre deste ano.

O resultado foi alcançado mesmo em meio a resistências encontradas em sindicatos e tribunais.

TAG

No entanto, a empresa não deverá atingir a meta projetada para o biênio 2017-2018 caso não conclua a venda bilionária da rede de gasodutos TAG neste ano, segundo a fonte.

A negociação da TAG, unidade de gasodutos no Nordeste, foi suspensa por uma decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Ricardo Lewandowski, que exigiu que vendas de subsidiárias por estatais sejam aprovadas antes pelo Congresso. Para vender, a empresa precisa derrubar a decisão do tribunal.

A Petrobras também tem buscado maneiras de aumentar a produção em áreas maduras, vendendo uma participação de 25 por cento em seu importante campo de Roncador, na Bacia de Campos, para a norueguesa Equinor.

Na mesma linha, a empresa também abriu uma concorrência e convidou as gigantes Schlumberger, Baker Hughes (da GE) e Halliburton para um possível acordo de compartilhamento de produção para um campo terrestre. Um acordo representaria um novo caminho para a Petrobras impulsionar a produção de campos maduros sem perder o controle ou arriscar o capital, em parceria com um dos maiores provedores de serviços de petróleo do mundo.

Mas o negócio não deverá acontecer até o primeiro trimestre de 2019, disse a fonte. Outra pessoa familiarizada com o assunto disse que um acordo neste ano é possível, mas mais provável para o próximo ano. Apesar dos contratempos, a empresa não deve deixar de bater a meta de alavancagem de 2,5 vezes Ebitda/dívida líquida, traçada para o fim deste ano.

A Petrobras, segundo já foi informado recentemente por diretores, deverá anunciar seu Plano de Negócios e Gestão 2019-2023 em dezembro.

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