Indústria naval

Petrobras gasta por ano US$ 800 milhões com aluguel de navio

Valor Econômico
23/05/2006 00:00
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A construção, no Brasil, de 26 navios por encomenda da Transpetro - em negociação que entra agora na reta final com os estaleiros - não irá mudar o perfil da frota da Petrobras nos próximos dois anos. A estatal continuará a operar com embarcações próprias de idade elevada, de cerca de 16 anos, em média, sendo que alguns navios têm 30 anos. Mesmo que o programa de renovação da frota seja bem-sucedido, a construção dos navios levará, pelo menos, 24 meses - prazo que fontes da indústria naval consideram "otimista".

A Petrobras trabalha com um cronograma de entrega do primeiro lote de navios, em um total de 16 unidades, entre 2008 e 2011. Neste período, serão retiradas de operação 13 navios da frota própria da Transpetro, formada por 50 embarcações. Em um segundo momento, entre 2012 e 2019, devem ser alienados outros 29 navios. Estes são prazos recomendados mas existe a possibilidade de estender a vida útil dos navios.

A Petrobras considera que os navios que serão incorporados não substituirão os antigos. Por serem mais modernos e de maior capacidade de carga, eles vão significar uma ampliação da frota. A chegada dos novos navios não eliminará a necessidade da Petrobras de continuar a alugar navios no mercado em contratos fechados por tempo (períodos anuais) ou por viagens (spot).

A estatal vem aumentando os afretamentos por força do crescimento da produção nacional de petróleo e como resultado da internacionalização da companhia. Outro fator que levou a empresa a aumentar os aluguéis de navios foi o crescimento do gás natural na matriz energética do Brasil, o que criou excedentes de óleo combustível para a exportação.

As importações de diesel e de petróleo leve também contribuíram para aumentar os afretamentos. A estimativa da Petrobras é de que a cada ano a empresa gasta US$ 1,5 bilhão com o aluguel de navios, custos com bunker (combustível), operação portuária e pagamentos de multas por atrasos nos embarques.

Só com os afretamentos de navios a estatal gasta cerca de US$ 800 milhões por ano, incluindo os pagamentos feitos à Transpetro pelo uso dos navios da subsidiária.

Em 2006, a frota da Petrobras será formada por 126 embarcações, das quais 50 próprias (pertencentes à Transpetro) e as restantes 76 contratadas no mercado por período. O número representa crescimento de cerca de 8% sobre a frota de 117 navios da estatal em 2005 e de quase 25% sobre as 101 embarcações que faziam parte da frota da empresa em 2003.

Em termos de tonelada de porte bruto (TPB), termo usado para medir a capacidade de transporte do navio, o crescimento recente da frota da Petrobras foi ainda maior. A previsão é de uma capacidade em TPB de 9,9 milhões de toneladas neste ano, volume 23,7% maior do que o de 2005.

Em 2006, cerca de 40% da frota da Petrobras será formada por navios próprios e os restantes 60% por embarcações alugadas. A médio prazo essa relação poderá evoluir para 50%-50% ou até 60% de navios próprios e 40% de afretados. "Do ponto de vista empresarial, é interessante (para a Petrobras) construir e operar os navios porque terá mais controle sobre os custos e reduzirá o efeito das flutuações do mercado (de fretes)", diz José Raimundo Brandão Pereira, gerente geral de transporte marítimo da área de abastecimento da Petrobras.

Além dos navios contratados por tempo, a Petrobras também aluga embarcações por viagens. A expectativa é de que, em 2006, os afretamentos por viagem feitos pela estatal no mercado spot somem cerca de 200 embarcações. O número é 31% menor que o de 2005. A queda é resultado do aumento no número de navios contratados por tempo.

A lógica da Petrobras é não ficar exposta às oscilações do mercado à vista. Se a empresa quer ter controle sobre uma rota, ela vai ter um navio contratado por período para atendê-la. Um caso típico em que a empresa precisa de um navio em contrato por período é uma rota combinada em que o navio leva óleo combustível do Brasil para Cingapura ou então petróleo para a China. De lá o navio vai no lastro até o Oriente Médio, onde carrega petróleo leve e volta para o Brasil.

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