Saúde e Bem-estar

Pesquisadores analisam impactos da “síndrome da turbina eólica”

Fiocruz Pernambuco
13/01/2025 14:00
Pesquisadores analisam impactos da “síndrome da turbina eólica” Imagem: Pexels Visualizações: 2827

Um estudo realizado pela Fiocruz Pernambuco, em conjunto com Universidade de Pernambuco (UPE), investiga os efeitos do funcionamento de parques eólicos sobre a saúde de moradores em áreas rurais do estado. A chamada “síndrome da turbina” tem sido associada a sintomas como insônia, irritabilidade, dores de cabeça e ansiedade, provocados pelo ruído constante e pelos infrassons emitidos pelo funcionamento das torres eólicas.  

Atualmente não há soluções eficazes para minimizar os impactos das torres e turbinas nas comunidades locais. A falta de mitigação para os ruídos e vibrações gerados por essas estruturas têm levado muitas pessoas a se mudarem para as zonas urbanas, já que a paralisação das torres não é uma opção viável. Na primeira etapa da pesquisa, em 2023, 70% dos 105 entrevistados manifestaram a vontade de deixar suas residências devido a essas questões.  

Outros achados do estudo apontaram que 66% dos moradores (de crianças a idosos) utilizam medicamentos para dormir. Mais da metade (54%) relataram ter perda auditiva e 31% reclamaram do incômodo visual causado pelas sombras das pás girando, o chamado efeito estroboscópico, que deteriora a saúde mental dessa população, juntamente com o ruído. Além de todos esses impactos observados, 41% relataram alergias e dermatites por conta da poeira espalhada pelas hélices nas casas ao redor. 

"Temos contribuído com diversas entidades e com nossos alunos da Universidade de Pernambuco, do Campus Garanhuns, e do Instituto Aggeu Magalhães (Fiocruz PE), para minimizar os efeitos decorrentes das torres eólicas em Caetés, especialmente no que se refere às infrações ambientais. Esse trabalho é uma iniciativa colaborativa, em que o processo está sendo reorientado e compartilhado com outros pesquisadores”, afirmou o coordenador da pesquisa, André Monteiro.  

Um exemplo disso foi o mutirão de saúde promovido pelos pesquisadores em dezembro no sítio Sobradinho, em Caetés. A iniciativa contou com uma equipe multidisciplinar formada por enfermeiros, médicos, fonoaudiólogos, sanitaristas, psicólogos e nutricionistas. Além de testes de audiometria para avaliar perdas na acuidade auditiva decorrentes da exposição aos ruídos, os profissionais utilizaram  Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS), como forma de minorar o sofrimento mental nas comunidades.

Intitulado “Processos de vulnerabilização e os conflitos socioambientais decorrentes da implantação e operação de parques eólicos em comunidades camponesas no Agreste Meridional de Pernambuco”, o projeto conta com a cocoordenação da professora da UPE Wanessa da Silva Gomes. O financiamento da iniciativa é do Programa Inova Fiocruz, por meio do edital Programa de Excelência em Pesquisa (Proep) IAM de 2022. 

Os resultados preliminares podem subsidiar a formulação de políticas públicas que integrem as necessidades das comunidades rurais ao planejamento e à expansão dos projetos de energia renovável no estado. A pesquisa também amplia o debate sobre o equilíbrio entre o desenvolvimento sustentável e a qualidade de vida das populações diretamente impactadas. 

 

 

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