Comércio Exterior

Pensa Mundo na Firjan debate nova geopolítica mundial e o reflexo das tensões tarifárias

Série de debates da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro reuniu empresários, embaixadores e especialistas em comércio exterior.

Redação TN Petróleo/Assessoria Firjan
14/03/2025 09:18
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O Pensa Mundo, série de debates promovida pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), discutiu em sua primeira edição questões urgentes da nova geopolítica mundial e a estratégia de defesa da estrutura industrial brasileira. O evento reuniu dezenas de empresários, especialistas em comércio exterior, embaixadores, na sede da federação, no Centro do Rio, em 13/3.

O presidente da Firjan, Luiz Césio Caetano, ressaltou a importância do encontro para discutir as contribuições da indústria brasileira e fluminense diante dos atuais desafios globais. "Recentemente, destaquei que o cenário desafiador à frente era interno e também externo. Mencionei, entre as questões que impactam o mercado internacional e, por extensão, os negócios, os inúmeros conflitos e a disputa comercial entre Estados Unidos e China. Infelizmente, a única certeza que nós temos é de que a incerteza é o novo normal."

Caetano também citou o estudo "Índice Firjan de Competitividade Global", que coloca o Brasil em 46º lugar em um ranking de 66 países. "Como se não bastasse essa vergonhosa colocação, ainda perdemos seis posições em apenas dez anos. Em relação aos países dos BRICs, estamos no último lugar, abaixo de Índia, China e África do Sul. Diante da fragilidade competitiva do Brasil e da complexidade crescente da conjuntura internacional, nos cabe indagar de Brasília o que pensa e como reage a este quadro", afirmou Caetano.

Ele mostrou que o Brasil é o 18º destino das exportações chinesas, o que representa 2% do total movimentado pelo país asiático.  Por outro lado, em 2024, as importações de manufaturados do Brasil com origem chinesa somaram US$ 62,7 bilhões, sendo 99% das operações.

Já o presidente do Conselho Superior da Firjan, Eduardo Eugênio Gouvea Vieira, ilustrou que o saldo comercial brasileiro de manufaturados, a diferença entre exportações e importações, é negativo em toda a série histórica (2010-2024), culminando em US$ 95 bilhões, em 2024. Ele destacou que o Pensa Mundo faz parte da série de debates para discutir as questões socioeconômicas do estado do Rio, do país e mundial.

"Hoje o mundo está impensável. Com a ajuda de especialistas, vamos procurar entendê-lo e ver o reflexo dessas mudanças para a indústria brasileira. O Brasil, por exemplo, se destaca globalmente na questão da transição energética. Temos uma matriz limpa e projetos importantes, precisamos pensar como fazer disso uma oportunidade concreta para o país e a indústria", afirmou Eduardo.

Uma verdadeira aula de história e atualidade global permeou os dois painéis do dia. O ex-embaixador brasileiro na China, Marcos Caramuru analisou, em sua fala, o comportamento do atual presidente norte-americano Donald Trump. "a situação é complexa, mas vale lembrar que já passamos por isso anteriormente, no final da 1ª guerra mundial e no início da 2ª guerra, com o não envolvimento dos EUA nos conflitos seguindo uma lógica de priorização de seu interesse nacional".

Já sobre a guerra tarifária, Caramuru destacou que "além dos objetivos globais da China e da projeção do seu comércio, o país discute políticas para a retomada do seu consumo interno, do qual não podem prescindir." Sobre as relações bilaterais, o embaixador afirmou que "EUA e China disputam também o poder de influência na Ásia e Oriente Médio. Por outro lado, o diálogo China-Rússia não deve sofrer nenhum abalo."

Por videoconferência, o atual embaixador do Brasil na Alemanha, Roberto Jaguaribe, destacou as oportunidades que podem ser exploradas pelo Brasil diante da nova realidade: "nesses seis anos aqui eu nunca vi a América Latina ser tão mencionada como relevante para a indústria europeia e afinidade cultural". E concorda que essas turbulências favorecem o Brasil: "O sistema atual oferece oportunidades para o país devido ao déficit de comércio que temos com os EUA e o superavit com a China. Não somos ameaça a nenhum dos dois países".

O vice-diretor da Escola de Relações Internacionais da FGV/SP, Matias Spektor, explicou as diferenças básicas entre o primeiro governo Trump e o atual. Amparado na eleição popular, com maioria no Congresso e na Suprema Corte, o presidente está focando em grandes mudanças na política interna e externa. "Em relação ao Brasil, sempre tivemos o sonho de um mundo com um sistema multipolar, como ocorre agora. Acredito que, nesse contexto, há muitas oportunidades para o Brasil e a América Latina, apesar dessas turbulências".

Visão da indústria nacional

"A palavra de ordem é competitividade. A indústria automotiva desde 2010 apresenta estudos sobre os temas aos governos e tem feito robustos investimentos em inovação e produção, como por exemplo, no desenvolvimento dos primeiros caminhões elétricos nacionais. Esses investimentos não vieram acompanhados de políticas de fomento à indústria frente às importações asiáticas na celeridade necessária" relatou Marco Saltini, vice-presidente da Volkswagen Caminhões e Ônibus e vice-presidente da Firjan CIRJ, no segundo painel.

André Passos, presidente da Abiquim, destacou outro tema importante acerca da competitividade brasileira: "Estamos desprovidos de armas para jogar. Hoje, por exemplo, nossa principal matéria-prima, o gás natural, custa sete vezes o preço que nos EUA e quatro vezes, o valor na China. O Brasil poderia oferecer gás natural para a indústria a R$ 5. Com o custo atual da energia, se for adotada uma total abertura será a destruição da indústria química."

A indústria têxtil também sofre com problema semelhante. Conforme relatado por Fernando Pimentel, diretor superintendente da Abit, "o setor têxtil e de confecção brasileiro está entre os cinco melhores do mundo, mas com pouca presença mundial. Apesar de casos de sucesso como o da Farm, que exporta 50% da produção, o que vem crescendo são as importações, principalmente da China".

O setor de pneus é outro que sofre com práticas desleais de comércio, como por exemplo, o contrabando. Ruy Ferreira, diretor comercial da Michelin, contou que o Brasil estava entre os cinco maiores produtores mundiais de pneus antes da pandemia. "Mas no período pós-pandemia, o governo isentou os impostos para os pneus. Os importados entram no país a um custo abaixo da nossa matéria-prima".

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