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Para peritos, petróleo angolano pode estabilizar oferta

O sucesso das relações sino-africanas despertou o interesse dos Estados Unidos e a partilha das oportunidades em Angola permitirá a estabilização da oferta de petróleo em nível mundial por meio de uma exploração mais eficiente do combustível, defendem analistas chineses.

Agência Lusa
12/08/2009 09:31
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O sucesso das relações sino-africanas despertou o interesse dos Estados Unidos e a partilha das oportunidades em Angola permitirá a estabilização da oferta de petróleo em nível mundial por meio de uma exploração mais eficiente do combustível, defendem analistas chineses.


Especialistas citados pelo jornal China Daily afirmaram que o périplo da secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, pela África traduz a crescente dependência dos Estados Unidos do petróleo e gás africano, em detrimento do Oriente Médio, por razões de segurança.


He Wenping, diretor do Instituto de Estudos Africanos da Academia Chinesa de Ciências Sociais, afirma que os interesses americanos "constatam agora que a China fez bem em cooperar com a África na exploração de petróleo e querem ser os próximos".


Esta situação, aponta Xia Yishan, especialista do Centro Estratégico Chinês de Energia, do Instituto Chinês de Estudos Internacionais, não "é um jogo de soma zero com os interesses chineses".


"O investimento crescente da China na indústria petrolífera de Angola não é uma dor de cabeça para os americanos, mas uma oportunidade para ambos", afirmou.


Xia Yishan defendeu que a corrida ao "ouro negro" em Angola pela China e Estados Unidos permitirá "uma melhor exploração do recurso e a estabilização da oferta de petróleo a nível internacional".


Interesse crescente


Por outro lado, o princípio de igualdade em que se têm baseado as relações sino-africanas e o sucesso da fórmula tem motivado "muitos países, incluindo os Estados Unidos, a repensar as suas relações com a África", apontou He Wenping.


Mas para Liu Naiya, pesquisador principal da Academia Chinesa de Ciências Sociais, esta situação não obriga a China a rever a política diplomática com a África, ao sublinhar que "as relações bilaterais atingiram um nível harmonioso tal que são um exemplo para o resto do mundo".


"Em relação aos poderes ocidentais, nós ajudamos a África a mudar o seu dia-a-dia e essa é a nossa força", defendeu um representante de um centro de combate à pobreza na China, ressaltando que o multilateralismo que as relações sino-africanas atingiram além do comércio energético.


O Governo chinês pretende aumentar a quota atual de 30% de petróleo importado da África para 40% oferecendo como moeda de troca o desenvolvimento de infraestruturas nesses países, designadamente em Angola.


Alguns analistas ocidentais defendem que os acordos com a China oferecem poucas contrapartidas a longo prazo para Angola, uma vez que geram pouco emprego local.


Apesar de acusar estes analistas de "hipocrisia", a China promove um esforço para alterar algumas das práticas criticadas, procurando contratar e formar mais mão-de-obra local para integrar os projetos em Angola, aponta um estudo do Gabinete do Consultor Especial para a África das Nações Unidas (OSAA).


A pesquisa alerta os países emergentes que o acesso aos recursos naturais da África está dependente a longo-prazo de resultados que constituam benefícios s para as duas partes.


"Todos os esforços devem evitar que a África entre numa nova era de dependência", defende.


Nos últimos três anos, as trocas comerciais entre China e África duplicaram alcançando US$ 106,7 bilhões. Cerca de 53% das importações chinesas da África têm origem em Angola, Argélia, Nigéria e África do Sul.
 
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