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Indústria

País está abrindo mão de seu patrimônio industrial

10/10/2014 | 10h13

 

Miguel Galuccio assumiu, dois anos atrás, a invejada posição de líder de uma grande petrolífera que controla uma das maiores e mais complexas reservas de petróleo e gás do mundo. Mas há um detalhe: o maior acionista da empresa é o governo populista da Argentina.
O afável Galuccio tornou-se diretor-presidente da YPF SA, YPFD.BA -6.93% a maior companhia de petróleo da Argentina, depois que o governo a expropriou da espanhola Repsol, em maio de 2012. Agora, o governo quer que Galuccio promova uma reviravolta na empresa e a use para revitalizar a indústria petrolífera do país, cuja produção vem caindo há dez anos.
Miguel Galuccio já conseguiu convencer a presidente da Argentina, Cristina Fernández de Kirchner, a aumentar os preços do gás Bloomberg News
Se ele vai conseguir ou não, dizem especialistas do setor, depende em grande parte da disposição da presidente Cristina Fernández de Kirchner de reverter as políticas que causaram os problemas. Essas políticas incluem os controles de preço que alimentaram o crescimento do país ao proporcionar combustíveis que estão entre os mais baratos do mundo, mas que também, dizem analistas, tornam os investimentos no setor não lucrativos.
Há muito em jogo para a Argentina. A demanda em alta por combustíveis e a queda na produção fizeram do país um importador líquido a partir de 2011. O gasto anual com importação de combustíveis (cerca de US$ 13 bilhões) está subindo cerca de 25% ao ano, apesar de a Argentina ter a segunda maior reserva do mundo de gás de xisto e a quarta maior de petróleo de xisto, segundo a Administração de Informação sobre Energia dos Estados Unidos.
Há algum tempo, o debate econômico tem tratado da preocupante situação da indústria de transformação brasileira, da perda de competitividade que tem resultado em aumento dos produtos primários na pauta de exportação e da ocorrência de um processo de redução de seu peso no PIB nacional (desindustrialização). Nesse debate, a questão essencial é o papel da indústria de transformação para o desenvolvimento econômico brasileiro.
Uma indústria de transformação mais competitiva e dinâmica potencializa o avanço da produtividade, do investimento e do capital humano. Isso acontece por um conjunto de atributos do setor, apresentados a seguir.
A indústria de transformação é uma indutora fundamental para a expansão do investimento produtivo. Apesar da perda de participação no PIB, a indústria de transformação oferta boa parte dos “bens de investimento” da economia. Segundo as Contas nacionais, nos últimos anos, a Indústria de Transformação foi a origem de 55% de toda a FBCF (Formação Bruta de Capital Fixo) realizada pela economia nacional. Logo, uma manufatura dinâmica e competitiva é capaz de engendrar um círculo virtuoso de novos investimentos produtivos, condição necessária para o crescimento econômico.
Dentre os maiores setores de atividade, a indústria de transformação é a que mais recompensa com aumentos de salários o aumento do grau de escolaridade. O salário real nos níveis superiores de escolaridade é mais elevado na manufatura, se comparado com o setor de serviços (com ou sem comércio) e a agropecuária. Além disso, a atividade industrial emprega pessoas com maior grau de formalização, o que implica respeito a direitos sociais e previdenciários.
Se o país almeja ingressar no clube dos países desenvolvidos em um reduzido espaço de tempo, será necessário que se recupere a capacidade de investir
Paulo Francini, diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos da Fiesp e Ciesp, sobre a necessidade de retomada do setor industrial
A indústria de transformação é, ainda, capaz de agregar alto valor por trabalhador, em especial nos países emergentes em trajetória de desenvolvimento semelhante à do Brasil. Enquanto o valor adicionado médio por trabalhador para o conjunto da economia brasileira é de R$ 37,8 mil, na indústria de transformação é de, em média, R$ 49,6 mil, ou 31,3% superior.
É a principal origem das atividades de invenção, inovação e difusão de novas tecnologias, as quais sustentam aumentos contínuos de produtividade por toda a economia, criando também as condições necessárias para o surgimento de um setor serviços de elevado valor agregado.
Com base nas evidências elencadas, fica claro não somente a grande capacidade da manufatura de influenciar positivamente os fatores determinantes do crescimento econômico em longo prazo – produtividade, investimento e capital humano –, bem como seu papel central como vetor de crescimento, capaz de traduzir o maior ativo econômico brasileiro, que é o mercado interno, na forma de maior produção, emprego e renda.
Se o país almeja ingressar no clube dos países desenvolvidos em um reduzido espaço de tempo, será necessário que se recupere a capacidade de investir, que está fortemente associada à retomada do setor industrial.
A história de outros países, sobretudo os asiáticos, com destaque para Japão e Coreia do Sul, mostra ser possível um rápido crescimento da renda em um período relativamente curto. O fato comum entre esses países é existência e a execução de um plano de longo prazo para o desenvolvimento do país, que combine ações para ampliação da competitividade sistêmica da economia (educação, infraestrutura, juros, eficiência tributária etc.) com uma política industrial vinculada a esses objetivos, priorizando setores com base na importância estratégica que terão para o futuro do país.
No caso brasileiro, estamos abrindo mão de um patrimônio conquistado a duras penas durante cinquenta anos que é uma indústria forte e diversificada. Mais preocupante ainda, é que estamos perdendo nossa indústria antes de se criar as condições necessárias para o desenvolvimento de um setor serviços de elevado valor agregado associado ao setor industrial, que foi a opção feita por países que obtiveram sucesso no desenvolvimento econômico e social.

Há algum tempo, o debate econômico tem tratado da preocupante situação da indústria de transformação brasileira, da perda de competitividade que tem resultado em aumento dos produtos primários na pauta de exportação e da ocorrência de um processo de redução de seu peso no PIB nacional (desindustrialização).

Nesse debate, a questão essencial é o papel da indústria de transformação para o desenvolvimento econômico brasileiro.

Uma indústria de transformação mais competitiva e dinâmica potencializa o avanço da produtividade, do investimento e do capital humano. Isso acontece por um conjunto de atributos do setor, apresentados a seguir.

A indústria de transformação é uma indutora fundamental para a expansão do investimento produtivo. Apesar da perda de participação no PIB, a indústria de transformação oferta boa parte dos “bens de investimento” da economia.

Segundo as Contas nacionais, nos últimos anos, a Indústria de Transformação foi a origem de 55% de toda a FBCF (Formação Bruta de Capital Fixo) realizada pela economia nacional.

Logo, uma manufatura dinâmica e competitiva é capaz de engendrar um círculo virtuoso de novos investimentos produtivos, condição necessária para o crescimento econômico.

Dentre os maiores setores de atividade, a indústria de transformação é a que mais recompensa com aumentos de salários o aumento do grau de escolaridade.

O salário real nos níveis superiores de escolaridade é mais elevado na manufatura, se comparado com o setor de serviços (com ou sem comércio) e a agropecuária.

Além disso, a atividade industrial emprega pessoas com maior grau de formalização, o que implica respeito a direitos sociais e previdenciários.

Se o país almeja ingressar no clube dos países desenvolvidos em um reduzido espaço de tempo, será necessário que se recupere a capacidade de investir

Paulo Francini, diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos da Fiesp e Ciesp, sobre a necessidade de retomada do setor industrial

A indústria de transformação é, ainda, capaz de agregar alto valor por trabalhador, em especial nos países emergentes em trajetória de desenvolvimento semelhante à do Brasil.

Enquanto o valor adicionado médio por trabalhador para o conjunto da economia brasileira é de R$ 37,8 mil, na indústria de transformação é de, em média, R$ 49,6 mil, ou 31,3% superior.

É a principal origem das atividades de invenção, inovação e difusão de novas tecnologias, as quais sustentam aumentos contínuos de produtividade por toda a economia, criando também as condições necessárias para o surgimento de um setor serviços de elevado valor agregado.

Com base nas evidências elencadas, fica claro não somente a grande capacidade da manufatura de influenciar positivamente os fatores determinantes do crescimento econômico em longo prazo – produtividade, investimento e capital humano –, bem como seu papel central como vetor de crescimento, capaz de traduzir o maior ativo econômico brasileiro, que é o mercado interno, na forma de maior produção, emprego e renda.

Se o país almeja ingressar no clube dos países desenvolvidos em um reduzido espaço de tempo, será necessário que se recupere a capacidade de investir, que está fortemente associada à retomada do setor industrial.

A história de outros países, sobretudo os asiáticos, com destaque para Japão e Coreia do Sul, mostra ser possível um rápido crescimento da renda em um período relativamente curto.

O fato comum entre esses países é existência e a execução de um plano de longo prazo para o desenvolvimento do país, que combine ações para ampliação da competitividade sistêmica da economia (educação, infraestrutura, juros, eficiência tributária etc.) com uma política industrial vinculada a esses objetivos, priorizando setores com base na importância estratégica que terão para o futuro do país.

No caso brasileiro, estamos abrindo mão de um patrimônio conquistado a duras penas durante cinquenta anos que é uma indústria forte e diversificada.

Mais preocupante ainda, é que estamos perdendo nossa indústria antes de se criar as condições necessárias para o desenvolvimento de um setor serviços de elevado valor agregado associado ao setor industrial, que foi a opção feita por países que obtiveram sucesso no desenvolvimento econômico e social.

 



Fonte: Fiesp
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