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Novo plano de negócios desafia Graça Foster

Empresa terá que incluir investimentos como os de Libra.

Valor Econômico
05/12/2013 10:31
Visualizações: 1132

 

Perdido o embate sobre reajustes, o grande problema da presidente da Petrobras, Graça Foster, é desenhar o plano de negócios 2014-2018. Terão que ser incluídos investimentos iniciais no campo de Libra, dando continuidade aos planos que não podem parar, enquanto a companhia continuará perdendo patrimônio para subsidiar combustíveis. As premissas de financiabilidade do plano atual preveem o dólar a US$ 1,85 e o petróleo a US$ 100. Mas em 2013 a cotação média está em US$ 2,1465 e do petróleo brent em 108,70.
Também não será fácil negociar o ajuste no preço dos 5 bilhões de barris adquiridos na cessão onerosa. O campo de Franco, sozinho, deve ter mais de 5 bilhões de barris. E o contrato prevê ajuste no preço para cima ou para baixo, dependendo da economicidade e dos preços do petróleo. Como o pré-sal se mostrou mais produtivo e o petróleo subiu, esses barris devem custar mais caro do que o preço médio de US$ 8,51 negociado em 2010. Mas ninguém vê de onde a Petrobras pode tirar dinheiro para essa despesa em 2014.
O plano atual vai até 2017 e soma US$ 236,7 bilhões de investimentos. Os projetos estão diferenciados de modo que US$ 207,1 bilhões se referem àqueles em implantação. Incluem refinarias e áreas adquiridas na cessão onerosa. O tratamento que será dado no plano às refinarias do Ceará e Maranhão, hoje nos projetos em avaliação, ainda é incógnita.
Os projetos em análise não são discriminados e somam US$ 30 bilhões. Ali deve estar incluída, por exemplo, a fábrica de fertilizantes em Minas. Apesar de o mercado não enxergar espaço para investimentos em obras de grande porte, mesmo contando com o alívio do fim das obras da RNEST (PE) em novembro, aumentou a percepção de que a empresa não controla seus investimentos ou receitas.
"A alternativa que ela tem para acomodar tudo é deixar de lado projetos mais rentáveis para fazer aqueles que são mais do interesse do seu controlador", afirmou ontem um analista.
Ontem o mercado não "comprou" a informação da Petrobras sobre a metodologia de reajuste. Quando informou, em 30 de outubro, que a diretoria apresentou proposta ao conselho, a Petrobras dizia textualmente: "a metodologia contempla reajuste automático do preço do diesel e da gasolina, em periodicidade a ser definida".
Embora houvesse ressalva de que a fórmula teria um mecanismo para impedir o repasse da volatilidade dos preços internacionais, o termo "reajuste automático" estava lá, e apenas o período estava em discussão. Quase um mês depois, quando anunciou a decisão sobre a aprovação da nova política de preços (que não parece tão nova), a estatal disse que deu início à implementação da política, mas os parâmetros seriam sigilosos.
Não mencionou que foi abandonada a ideia de reajuste automático, mas como ele não foi mencionado e o reajuste inicial foi tímido, o mercado supôs que ele estava descartado. Agora, após intervenção da CVM, esclareceu que "a metodologia de precificação aplicada a partir de 23 de novembro contém parâmetros baseados em variáveis como preço de referência dos derivados no mercado internacional, taxa de câmbio e ponderação associada à origem do derivado vendido, se no Brasil ou importado". Com exceção do critério de origem, que parece ter sido incluído a pedido de Dilma Rousseff (que não concorda que combustível produzido no país tenha preço atrelado ao câmbio), não parece haver grande surpresa nos parâmetros. A defasagem ante o preço internacional sempre foi calculada com base nesses indicadores. A dúvida continua sendo sobre o que foi aprovado na sexta.

Perdido o embate sobre reajustes, o grande problema da presidente da Petrobras, Graça Foster, é desenhar o plano de negócios 2014-2018. Terão que ser incluídos investimentos iniciais no campo de Libra, dando continuidade aos planos que não podem parar, enquanto a companhia continuará perdendo patrimônio para subsidiar combustíveis. As premissas de financiabilidade do plano atual preveem o dólar a US$ 1,85 e o petróleo a US$ 100. Mas em 2013 a cotação média está em US$ 2,1465 e do petróleo brent em 108,70.

Também não será fácil negociar o ajuste no preço dos 5 bilhões de barris adquiridos na cessão onerosa. O campo de Franco, sozinho, deve ter mais de 5 bilhões de barris. E o contrato prevê ajuste no preço para cima ou para baixo, dependendo da economicidade e dos preços do petróleo. Como o pré-sal se mostrou mais produtivo e o petróleo subiu, esses barris devem custar mais caro do que o preço médio de US$ 8,51 negociado em 2010. Mas ninguém vê de onde a Petrobras pode tirar dinheiro para essa despesa em 2014.

O plano atual vai até 2017 e soma US$ 236,7 bilhões de investimentos. Os projetos estão diferenciados de modo que US$ 207,1 bilhões se referem àqueles em implantação. Incluem refinarias e áreas adquiridas na cessão onerosa. O tratamento que será dado no plano às refinarias do Ceará e Maranhão, hoje nos projetos em avaliação, ainda é incógnita.

Os projetos em análise não são discriminados e somam US$ 30 bilhões. Ali deve estar incluída, por exemplo, a fábrica de fertilizantes em Minas. Apesar de o mercado não enxergar espaço para investimentos em obras de grande porte, mesmo contando com o alívio do fim das obras da RNEST (PE) em novembro, aumentou a percepção de que a empresa não controla seus investimentos ou receitas.

"A alternativa que ela tem para acomodar tudo é deixar de lado projetos mais rentáveis para fazer aqueles que são mais do interesse do seu controlador", afirmou ontem um analista.

Ontem o mercado não "comprou" a informação da Petrobras sobre a metodologia de reajuste. Quando informou, em 30 de outubro, que a diretoria apresentou proposta ao conselho, a Petrobras dizia textualmente: "a metodologia contempla reajuste automático do preço do diesel e da gasolina, em periodicidade a ser definida".

Embora houvesse ressalva de que a fórmula teria um mecanismo para impedir o repasse da volatilidade dos preços internacionais, o termo "reajuste automático" estava lá, e apenas o período estava em discussão. Quase um mês depois, quando anunciou a decisão sobre a aprovação da nova política de preços (que não parece tão nova), a estatal disse que deu início à implementação da política, mas os parâmetros seriam sigilosos.

Não mencionou que foi abandonada a ideia de reajuste automático, mas como ele não foi mencionado e o reajuste inicial foi tímido, o mercado supôs que ele estava descartado. Agora, após intervenção da CVM, esclareceu que "a metodologia de precificação aplicada a partir de 23 de novembro contém parâmetros baseados em variáveis como preço de referência dos derivados no mercado internacional, taxa de câmbio e ponderação associada à origem do derivado vendido, se no Brasil ou importado". Com exceção do critério de origem, que parece ter sido incluído a pedido de Dilma Rousseff (que não concorda que combustível produzido no país tenha preço atrelado ao câmbio), não parece haver grande surpresa nos parâmetros. A defasagem ante o preço internacional sempre foi calculada com base nesses indicadores. A dúvida continua sendo sobre o que foi aprovado na sexta.

 

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