Urucu-Coari-Manaus

Novo gasoduto deverá ficar pronto ainda este ano

Valor Econômico
30/04/2008 15:50
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As obras do gasoduto Urucu-Coari-Manaus, com 662 quilômetros de extensão e custo inicial estimado em cerca de R$ 2 bilhões, devem ser concluídas em dezembro de 2008, segundo informação da Petrobras. O gás de Urucu permitirá substituir o óleo combustível nas usinas termelétricas da capital amazonense com ganhos econômicos e ambientais. A expectativa é de que a médio prazo o gás contribua para mudar a matriz energética no Amazonas, hoje dependente do óleo diesel e do óleo combustível na geração de energia elétrica na capital e no interior do Estado.

 

O contrato de fornecimento do gás de Urucu, assinado entre a Petrobras, a Companhia de Gás do Amazonas (Cigás) e a Manaus Energia, empresa da Eletrobrás, prevê o escoamento de 5,5 milhões de metros cúbicos/dia. Cerca de 2 milhões de metros cúbicos/dia serão consumidos pelas cinco termelétricas pertencentes a produtores independentes de energia, em Manaus, onde o gás também irá atender os parques térmicos de Aparecida e Mauá, de propriedade da Manaus Energia, que devem consumir mais 2,8 milhões de metros cúbicos de gás por dia.

 

Haverá ainda 200 mil metros cúbicos/dia para atender sete municípios ao longo do gasoduto por meio de ramais. Os municípios a serem atendidos são: Coari, Codajás, Anori, Caapiranga, Anamã, Iranduba e Manacapuru. No contrato reserva-se também uma parcela de 500 mil metros cúbicos/dia para outros usos, incluindo indústria e Gás Natural Veicular (GNV).

 

De forma paralela à construção do gasoduto Urucu-Coari-Manaus, já começaram, na capital amazonense, as obras de uma rede de 43 quilômetros de extensão que fará a distribuição do gás para as usinas térmicas. O projeto, a cargo da Cigás, custará R$ 82 milhões. Os recursos serão desembolsados pela Cigás, controlada pelo governo do Amazonas, e pela Eletrobrás.

 

Nas negociações contratuais do gás de Urucu chegou-se a um entendimento para manter a mesma tarifa de gás para o setor elétrico em Manaus, independentemente da posição da térmica em relação aos citygates (estações de transferência do gás para distribuição nas cidades).

 

A licitação para a obra da rede de distribuição em Manaus foi ganha pela construtora LJA, que começou os trabalhos de topografia. A empresa está encomendado cerca de 4 mil toneladas de tubos de aço para a obra, dos quais 60% serão comprados de fornecedor chinês e 40% de fabricante nacional. A previsão é que os tubos comecem a chegar a Manaus em junho deste ano.

 

Hermano Mattos, diretor comercial da Cigás, disse que a previsão é concluir a obra da rede de distribuição em Manaus em fevereiro de 2009. Segundo ele, Cigás, Manaus Energia, Eletronorte e Eletrobrás assinaram um convênio para compartilhar esforços técnicos e financeiros no projeto. Existe inclusive um comitê de acompanhamento das obras dos ramais termelétricos, formado pelas quatro empresas.

 

Segundo a Petrobras, o gasoduto Urucu-Coari-Manaus terá capacidade de transportar até 10 milhões de metros cúbicos por dia com o acréscimo de estações de compressão ao longo do trajeto. O volume adicional, além dos 5,5 milhões de metros cúbicos contratados, será vendidos de acordo com o desenvolvimento do mercado local e do potencial de produção do gás da Amazônia, segundo a Petrobras.

 

O secretário da Fazenda do Amazonas, Isper Abrahim Lima, diz que a capacidade de produção de gás natural em Urucu abre a possibilidade da instalação futura no Estado de um pólo gás-químico, cujos produtos poderiam ser consumidos, em parte, pelo Pólo Industrial da Zona Franca de Manaus (ZFM).

 

A área de gás e energia da estatal informou, por meio da assessoria, que o preço do gás de Urucu está definido em contrato. Mas a tarifa de transporte do gás será fixada ao final da construção do gasoduto quando todos os custos de implantação forem confirmados. A Petrobras disse que os serviços de conversão das térmicas, em Manaus, estão a cargo da Manaus Energia. A distribuidora amazonense informou, por sua vez, que o processo de conversão das térmicas para gás natural irá se realizar assim que o gás de Urucu chegue a Manaus.

 

A Petrobras informou ainda que problemas enfrentados na construção do gasoduto, que resultaram em atraso na obra, não foram motivados por questões ambientais, mas por condições adversas relacionadas às características da região (solo, chuvas, rios e igarapés). A chegada do gás natural a Manaus também deverá contribuir para reduzir os gastos com a Conta de Consumo de Combustíveis (CCC), que subsidia os custos do óleo combustível usado na geração térmica nos sistemas isolados no Norte do país. 

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