Investimento

Mubadala vê potencial no país além do Porto Sudeste

O Mubadala, fundo soberano de Abu Dhabi, quer conhecer melhor o Brasil para expandir os investimentos no país. Até agora, o único investimento relevante do braço de participações do governo do emirado árabe foi fechado com o grupo EBX, do empres&aacu

Valor Econômico
04/11/2013 10:09
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O Mubadala, fundo soberano de Abu Dhabi, quer conhecer melhor o Brasil para expandir os investimentos no país. Até agora, o único investimento relevante do braço de participações do governo do emirado árabe foi fechado com o grupo EBX, do empresário Eike Batista, mas o fundo acredita que, caso o ambiente político seja favorável, há muito mais oportunidades.

Tariq Bin Hendi, diretor da área de investimentos estratégicos do Mubadala, chegou ao Brasil com a missão de conhecer melhor a maneira como se faz negócios por aqui e apontar possibilidades para aportes de capital. O executivo disse ao Valor que os setores agrícola e de infraestrutura parecem interessantes, mas que não há nenhuma indicação sobre qual área é a preferida.

Sobre Eike Batista, Bin Hendi afirmou que não conhece o empresário pessoalmente, nem cuidou da transação que deixou o fundo com participação de 5,63% na EBX. Ele também não sabe de detalhes sobre a operação com a trading holandesa Trafigura para compra de 65% do Porto Sudeste, que pertencia à mineradora MMX, do mesmo grupo EBX. Mas o diretor do Mubadala garantiu que a recuperação judicial da petrolífera OGX, também de Eike Batista, requerida na semana passada, não prejudicou a percepção que o fundo soberano tem sobre o Brasil.

Para Bin Hendi, uma empresa como a OGX quebrar, dentro de um mercado de petróleo que tem a Petrobras como dominante e outras brasileiras que atuam ainda em fase pré-operacional, não muda as perspectivas do setor. "Esses casos acontecem. Não acho que espanta os investidores de petróleo, já que o mundo sempre vai precisar da commodity, sempre há a chance de ganhos."

E o executivo avalia que o ambiente político deve ajudar para que essa confiança não diminua. O diretor do fundo admite que não conhece tanto a atuação do governo em relação à economia, mas não tem dúvidas de que será feito "o que é certo" para o crescimento do país. "O Brasil é um país muito importante no mundo inteiro, não há como estragar essa posição", afirmou.

Nos Emirados Árabes Unidos, o Mubadala teve papel importante na criação de várias frentes no desenvolvimento da infraestrutura local. "Queríamos diversificar em relação à extração de petróleo pela qual somos conhecidos e foram dadas as bases para a assinatura de parcerias que ajudaram nesse sentido", afirmou Bin Hendi.

Dentre os setores de preferência do Mubadala, que administra cerca de US$ 55 bilhões em recursos ao redor do mundo, aparecem a fabricação de semicondutores e a geração de energia renovável com maior destaque. O fundo é sócio da Advanced Micro Devices (AMD) nos Estados Unidos, por exemplo. Mas a firma de investimentos também tem grande capital alocado em produção de aviões e petróleo.

No setor aeroespacial, por exemplo, há dinheiro investido na francesa Airbus, subsidiária da European Aeronautic Defence and Space (EADS). Como as empresas aéreas nos Emirados Árabes têm peso grande na economia - o escopo de atuação, principalmente da Emirates e da Etihad Airlines, é muito grande -, o governo decidiu apostar na fabricação e montagem de componentes e equipamentos para aviões no país, seguindo os passos da Airbus.

Mas Bin Hendi lembra que o fato de ter aplicado em certos setores no passado não significa compromisso para se manter neles no futuro. Por aqui, seria mais difícil investir em produção de chips, mas nos moldes da Airbus haveria a chance de fazer parceria com a Embraer, por exemplo. "Mas ainda não fizemos nenhum contato com empresas", garantiu o executivo.

Bin Hendi faz parte de uma comitiva dos Emirados Árabes Unidos que visitou o Brasil para tentar intensificar as relações com as companhias e autoridades do país. Na sexta-feira, ele participou de evento da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira organizado em São Paulo com esse intuito.
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