América do Sul

Ministro venezuelano defende barril mais caro

O governo venezuelano se mostrou ontem a favor de que a faixa de oscilação do preço do barril de petróleo da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), que hoje fica entre US$ 22 e US$ 28, suba US$ 2 e fique entre US$ 24 e US$ 30.

Gazeta Mercantil / E
30/04/2004 00:00
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O governo venezuelano se mostrou ontem a favor de que a faixa de oscilação do preço do barril de petróleo da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), que hoje fica entre US$ 22 e US$ 28, suba US$ 2 e fique entre US$ 24 e US$ 30. O ministro das Minas e Energia da Venezuela, Rafael Ramírez, disse que a mudança refletirá a realidade atual do mercado energético e permitirá sustentar o preço do barril em um nível "justo".
Ramírez disse que os preços atuais do cartel, fixados na terça-feira passada em US$ 33,32 o barril de 159 litros, são justos "porque US$ 30 de hoje equivalem a US$ 11 de há 20 anos". O ministro negou que a Opep seja responsável pelos vaivéns do preço do petróleo e disse que essa responsabilidade é fundamentalmente dos intermediários. "Os intermediários entre o produtor e o consumidor final negociam mais de 100 milhões de barris diários nos mercados virtuais, muito mais que a produção da Opep, e fazem um uso especulativo desses barris", afirmou Ramírez.
O ministro, que foi entrevistado pelo canal estatal "Venezolana de Televisión", disse que outro fator que encarece enormemente o preço dos combustíveis são os impostos, principalmente na Europa. "A porcentagem de imposto aplicado à gasolina na Europa é de 70% em média. Querem nos culpar pelo alto preço, mas isso não é certo", acrescentou. Ramírez disse que a Opep está aberta à uma "discussão mundial" para que a responsabilidade de cada ator do mercado energético seja esclarecida.
Ramírez disse que outro fator que influencia o preço do barril é a guerra do Iraque, já que, na sua opinião, a situação da produção é mais instável que antes da invasão, Ramírez descartou que a Opep decida um aumento da produção a curto prazo e reiterou que trabalha "para que os preços se mantenham nos níveis atuais, em torno dos US$ 30".
O sistema de faixa de preços da Opep existe desde abril de 2000 e foi proposto a nove dos dez sócios do cartel petroleiro (excluindo o Iraque) pelo então ministro das Minas e Energia da Venezuela, Alí Rodríguez, que foi presidente e secretário-geral dessa associação de exportadores e atualmente é titular da empresa estatal Petróleos da Venezuela S/A (PDVSA).
O sistema de faixa, cuja finalidade é estabilizar o preço do petróleo e evitar a crise, consiste em um compromisso dos sócios de aumentar a produção caso o preço do barril de petróleo ultrapasse os US$ 28 e diminuí-la caso fique abaixo dos US$ 22 por 20 dias seguidos.

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