Finanças

Mesmo sem repasse, Petrobras deverá obter lucro de até R$ 25 bi

Valor Econômico
09/09/2005 00:00
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Maior produção da estatal e preço internacional em alta vão elevar o desempenho A Petrobras deverá fechar o ano com lucro líquido de R$ 23 bilhões a R$ 25 bilhões em 2005, um novo recorde absoluto nos 52 anos da companhia, impulsionada principalmente pela escalada da produção de petróleo no Brasil. Em 2004, o lucro líquido foi de R$ 17, 861 bilhões.
Enquanto o mercado internacional ferve em função dos aumentos de preço agravados pela passagem do furacão Katrina, nos Estados Unidos , aqui os preços da estatal estão descolados da crise externa. O presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli vem destacando que esse comportamento é intencional.
As cinco maiores companhias do setor - as americanas ExxonMobil e Chevron e as européias BP, Total e Shell - deverão lucrar mais de US$ 100 bilhões juntas este ano, em grande parte em razão da disparada do preço do petróleo. A estimativa foi publicada pelo jornal francês "Le Figaro" com base em levantamento da empresa de pesquisas JCF Facset, de Londres. A persistência do barril a mais de US$ 55 há vários meses elevou o desempenho das petroleiras com aumento médio de 30% no primeiro semestre.
Esta semana, a francesa Total anunciou aumento de US$ 4,23 bilhões no seu resultado operacional sobre o semestre anterior. A explicação é um lucro de cerca de US$ 3 bilhões com a alta do preço dos combustíveis em três meses. O lucro é tanto que provoca um "certo mau estar" na França, com sindicatos se declarando "chocados". Os resultados estão batendo inclusive o recorde de 2004, quando o preço já tinha permitido aos cinco gigantes receita de US$ 1,15 trilhão e lucro de US$ 84 bilhões.
Já no Brasil, a crise não deve influenciar no resultado da Petrobras. Mesmo que reajuste agora os preços, há quem avalie que o efeito se dará nos resultados de 2006 já que faltam poucos dias para terminar o terceiro trimestre do ano. A previsão do Banco Pactual é de que a Petrobras terá lucro de R$ 23 bilhões mesmo sem aumentar os preços da gasolina e óleo diesel - que tiveram último reajuste em novembro do ano passado - até o fim do ano.
Ainda segundo cálculos do Pactual, se a Petrobras acabasse com a atual defasagem dos seus preços - calculada pelo banco em 50% na gasolina e 30% no diesel - a partir de 1º de outubro, ainda poderia fechar o ano com lucro de R$ 27 bilhões. Mas ninguém acredita que ela vá aplicar um aumento dessa dimensão.
Até junho, a Petrobras teve lucro de R$ 9,95 bilhões. No ano todo de 2004, alcançou R$ 17,86 bilhões. O economista Adriano Pires, do Centro Brasileiro de Infra-Estrutura (CBIE), prevê que a Petrobras lucrará R$ 23 bilhões em 2005, mas esse valor, diz, pode aumentar em R$ 2 bilhões caso a estatal eleve os preços da gasolina e diesel até dezembro. Já analistas da Merrill Lynch prevêem lucro de R$ 24,7 bilhões, ajustado para a legislação societária americana (US Gaap).
O português BES Securities está projetando lucro líquido da controladora - que não inclui o resultado das controladas por equivalência patrimonial - de R$ 24 bilhões. O BES não mudou a previsão após a disparada dos preços do barril no mercado internacional. O banco calcula que os preços da estatal estão com defasagem em relação ao mercado internacional de 35% no diesel e de 44% na gasolina.
José Sérgio Gabrielli, presidente da Petrobras, tem respondido com cautela quando questionado sobre aumento dos preços. Ele já admitiu várias vezes que o petróleo está em alta no mundo, e até acredita que não vai baixar no curto prazo, mas tem frisado que a estatal só vai aumentar preços quando entender que eles atingiram um novo patamar.
Isso porque a estatal quer evitar transferir, para o mercado interno, a volatilidade do mercado internacional - provocada por desastres naturais ou acidentes em refinarias, por exemplo, já que a avaliação é de que esses eventos não têm relação direta com o Brasil.
O presidente da estatal vem repetindo o mote de que "a Petrobras não pode se descolar do Brasil", ressaltando que a ela atua no país em condições diferentes de outras companhias integradas, onde o refino é separado da produção.

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