Investimentos

Mais de um terço dos investidores reduziram participações em empresas no último ano

EY
31/12/2015 08:35
Mais de um terço dos investidores reduziram participações em empresas no último ano Visualizações: 1302

Pesquisa realizada pela Ernst & Young (EY) com investidores institucionais de vários países aponta que informações não financeiras têm ganhado importância na hora de decidir onde investir. O “Tomorrow’s Investment Rules 2.0” ouviu mais de 200 profissionais da Ásia-Pacífico (28,9%), Europa continental (28,8%), Austrália (10,9%), E.U.A. e Canadá (10,9%), Reino Unido (10,5%) e América Latina (10%) sobre a importância de informações não financeiras na hora de decidir onde investir. Do total, 61,5% acreditam que riscos ambientais, sociais e de governança (ESG risks, em inglês) são relevantes para companhias de todos os setores da economia. O percentual é praticamente o dobro dos 33,7% registrado em 2014, primeiro ano em que o estudo foi feito.

A maioria dos investidores (62,4%) está preocupada com riscos ligados a ativos que perdem valor de forma prematura ou inesperada em função de riscos ambientais ou sociais (stranded assets). Mais de um terço dos respondentes (36%) afirmaram ter reduzido participações em empresas no último ano em decorrência desses riscos, e um quarto dos participantes planeja monitorar o assunto mais de perto no futuro.

Com objetivo de evitar esse problema, 37% dos investidores afirmaram usar métodos estruturados para analisar informações não financeiras das empresas. No entanto, para que esses dados sejam realmente úteis, é importante que eles se baseiem em critérios padronizados específicos para cada tipo de indústria, permitindo a comparação entre outros players do mesmo segmento.

Para quase três quartos dos participantes do levantamento (74%), a criação de relatórios com critérios e KPIs específicos para cada setor ou tipo de indústria aumentaria a relevância das informações não financeiras. Além disso, mais de 70% dos respondentes afirmaram que seria igualmente benéfico se as empresas criassem métricas ligando riscos não financeiros ao desempenho que elas esperam obter.

"As expectativas dos investidores parecem estar crescendo de forma mais holística e sofisticada. Eles não querem apenas informações não-financeiras que forneçam uma visão voltada para o desempenho futuro, risco e valor das empresas, mas também que sejam comparáveis entre setores e regiões, refletindo uma chancela no nível da administração", diz Zunara Carvalho, líder da prática de Mudanças Climáticas e Sustentabilidade da Ernst & Young (EY) na América Latina.

Entretanto, a abordagem estruturada feita atualmente pode estar aquém daquilo que os investidores precisam para prever o impacto de fatores não financeiros nos investimentos. Isso porque, segundo eles, há déficit de informações não financeiras e com a qualidade necessária para nortear o processo de decisão. Aproximadamente, dois terços dos respondentes (64%) afirmaram que as empresas não divulgam adequadamente seus riscos ambientais, sociais e de governança.

Prova disso é que mais de um quarto dos executivos ouvidos disse que informações não financeiras não tiveram nenhum impacto nas decisões sobre investimentos tomadas ao longo do último ano. Eles acham difícil determinar quão relevante esses dados são para a performance financeira das empresas, uma vez que, geralmente, eles não podem ser validados.

De acordo com Zunara, uma das principais razões pelas quais os investidores não estão obtendo as informações não financeiras desejadas é porque as companhias compilam esses dados apenas para atender seus clientes e as exigências regulatórias. Não com objetivo de atrair investimentos. "Os investidores querem claramente essa informação para se concentrar em como esses riscos afetam o valor de uma empresa, em vez de vê-lo simplesmente a partir da perspectiva de gerenciamento de risco."

No entanto, esse cenário está mudando. Atentas ao aumento de atenção que os investidores têm dado a este tipo de informação, as empresas começam a fornecer informações mais úteis: 42,1% dos respondentes disseram que algumas empresas já divulgam informações não financeiras como forma de demonstrar suas estratégias de gestão de risco.

 

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