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Pesquisa

Maior parte das companhias reduz investimento em pesquisa

21/01/2014 | 09h43

 

Maior parte das companhias reduz investimento em pesquisa
As maiores empresas inovadoras contrariam a tendência observada em alguns indicadores recentes de P&D, que mostram que há uma retração dos investimentos em inovação na maioria das empresas brasileiras, sobretudo em razão do baixo crescimento da economia nos últimos anos.
A Pesquisa de Inovação (Pintec), divulgada em dezembro, mostrou que, na média, as empresas brasileiras inovaram menos entre 2009 e 2011 (dados mais recentes disponíveis) em relação ao triênio anterior, de 2006 a 2008. De acordo com a Pintec, a taxa de inovação no setor industrial caiu para 35,56%, em 2011, contra 38,11% nos dados anteriores, relativos a 2008. Os recursos para Pesquisa e Desenvolvimento representaram apenas 0,55% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2011, segundo o Ipea.
Além das informações da Pintec, o volume de recursos oriundos da Lei do Bem, medida por meio da qual as empresas podem obter isenção fiscal de Imposto de Renda para investimento em inovação, teve retração de quase 30% em 2012 na comparação com 2011. Em balanço sobre a Lei do Bem em 2012, divulgado em dezembro pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, verificou-se que, nos últimos três anos, o número de empresas que aderiram ao programa cresceu de 962 para 1.042. Porém, a renúncia fiscal por investimentos em P&D saiu de R$ 1,4 bilhão em 2011 para R$ 1 bilhão em 2012.
Carlos Arruda, coordenador do núcleo de inovação da Fundação Dom Cabral, destaca que para grande parte das empresas brasileiras falta um olhar para fora e para o futuro para sustentar os investimentos em P&D, mesmo quando as condições econômicas do país não são as melhores. Segundo ele, as empresas brasileiras têm o P&D como predominantemente uma agenda de sustentação das condições competitivas em que se encontram e não como de criação de novas bases competitivas. Isso significa que, em geral, as companhias só inovam quando estão perdendo mercado ou porque seu custo de produção está alto.
"As empresas que se sobressaem mais são [justamente] as que são globais e que encaram o Brasil como um mercado a mais e não necessariamente como o seu principal mercado. São empresas que vendem para o mundo fazendo uma oferta diferenciada. De uma maneira geral, isso falta à empresa brasileira", afirma.
Arruda, porém, pondera que mesmo as mais inovadoras no Brasil nem sempre ostentam montantes significativo de recursos para inovação quando este volume é analisado em relação à sua receita. "No grupo brasileiro, o destaque é a Totvs, onde os investimentos em P&D representaram 12,3% da receita, mas na Braskem isso dá só 0,3%. A média de empresas inovadoras deveria ser no mínimo de 4% de investimentos em inovação em relação à receita", destacou.
Em 2012, os gastos com P&D, segundo ranking da Comissão Europeia, representaram apenas 3,09% da receita da Vale; na WEG atingiram 2,34%, enquanto na Petrobras o percentual foi de 0,9% e na CPFL, 1,09%. Na Itautec e na Embraer, houve percentuais acima de 4% - 4,48% e 6,42%, respectivamente.
Em uma análise de longo prazo, comparando os investimentos em inovação anos 90, ou mesmo do início dos anos 2000, com o período atual, os executivos de P&D ouvidos pelo Valor destacaram, entretanto, que houve avanços no país de maneira geral, em grande medida pelo advento de programas de financiamento mais fartos e a juros mais baixos, entre os quais destacam-se os recursos por meio da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep).
Na Finep, as taxas de juros mais comuns para as pesquisas são de 2,5% ao ano, com até 12 anos para pagar e carência de até 4 anos, bem menores do que a Selic (10,5%). Há ainda a possibilidade de acessar verba de subvenção (recursos a fundo perdido). Essas atingiram no ano passado R$ 360 milhões, contra R$ 169 milhões em 2012.
Na opinião de Arruda, apesar de algumas melhorias, no entanto, ainda falta ao país "alinhar esforço de inovação com esforço competitivo". Ele lembra que hoje "não faltam recursos para inovação vindo do setor público", mas diz que, para importar equipamento de alta tecnologia para um laboratório, por exemplo, não há vantagens fiscais, sendo tratado da mesma forma que demais equipamentos importados, com outros fins.
Gilsinei Hansen, da Totvs, embora concorde que a oferta de linhas de crédito aumentou e a taxa esteja mais barata do que no passado, diz que ainda há alguns problemas não resolvidos. "O cenário é muito melhor do que era, mas o país ainda não tem todos os elementos funcionando. Nos Estados Unidos, as empresas conseguem captar financiamento privado para inovação, por exemplo. No Brasil, não há essas linhas", diz.
Desde os anos 90, Luiz Ricardo Cavalcante, do Ipea, acredita que há uma maior conscientização de que "a inovação é uma questão central para o desenvolvimento econômico", formando hoje um "consenso difuso". Na opinião de Cavalcante, o Brasil dispõe de instrumentos que equivalem aos existentes em países desenvolvidos, como subvenção e crédito subsidiado, além de isenção fiscal para inovação, mas ressalta que há entraves burocráticos à operacionalização. Citou casos de empresas que esperam anos para ter projetos de pesquisa aprovados para obter recursos incentivados.

As maiores empresas inovadoras contrariam a tendência observada em alguns indicadores recentes de P&D, que mostram que há uma retração dos investimentos em inovação na maioria das empresas brasileiras, sobretudo em razão do baixo crescimento da economia nos últimos anos.

A Pesquisa de Inovação (Pintec), divulgada em dezembro, mostrou que, na média, as empresas brasileiras inovaram menos entre 2009 e 2011 (dados mais recentes disponíveis) em relação ao triênio anterior, de 2006 a 2008. De acordo com a Pintec, a taxa de inovação no setor industrial caiu para 35,56%, em 2011, contra 38,11% nos dados anteriores, relativos a 2008. Os recursos para Pesquisa e Desenvolvimento representaram apenas 0,55% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2011, segundo o Ipea.

Além das informações da Pintec, o volume de recursos oriundos da Lei do Bem, medida por meio da qual as empresas podem obter isenção fiscal de Imposto de Renda para investimento em inovação, teve retração de quase 30% em 2012 na comparação com 2011. Em balanço sobre a Lei do Bem em 2012, divulgado em dezembro pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, verificou-se que, nos últimos três anos, o número de empresas que aderiram ao programa cresceu de 962 para 1.042. Porém, a renúncia fiscal por investimentos em P&D saiu de R$ 1,4 bilhão em 2011 para R$ 1 bilhão em 2012.

Carlos Arruda, coordenador do núcleo de inovação da Fundação Dom Cabral, destaca que para grande parte das empresas brasileiras falta um olhar para fora e para o futuro para sustentar os investimentos em P&D, mesmo quando as condições econômicas do país não são as melhores. Segundo ele, as empresas brasileiras têm o P&D como predominantemente uma agenda de sustentação das condições competitivas em que se encontram e não como de criação de novas bases competitivas. Isso significa que, em geral, as companhias só inovam quando estão perdendo mercado ou porque seu custo de produção está alto.

"As empresas que se sobressaem mais são [justamente] as que são globais e que encaram o Brasil como um mercado a mais e não necessariamente como o seu principal mercado. São empresas que vendem para o mundo fazendo uma oferta diferenciada. De uma maneira geral, isso falta à empresa brasileira", afirma.

Arruda, porém, pondera que mesmo as mais inovadoras no Brasil nem sempre ostentam montantes significativo de recursos para inovação quando este volume é analisado em relação à sua receita. "No grupo brasileiro, o destaque é a Totvs, onde os investimentos em P&D representaram 12,3% da receita, mas na Braskem isso dá só 0,3%. A média de empresas inovadoras deveria ser no mínimo de 4% de investimentos em inovação em relação à receita", destacou.

Em 2012, os gastos com P&D, segundo ranking da Comissão Europeia, representaram apenas 3,09% da receita da Vale; na WEG atingiram 2,34%, enquanto na Petrobras o percentual foi de 0,9% e na CPFL, 1,09%. Na Itautec e na Embraer, houve percentuais acima de 4% - 4,48% e 6,42%, respectivamente.

Em uma análise de longo prazo, comparando os investimentos em inovação anos 90, ou mesmo do início dos anos 2000, com o período atual, os executivos de P&D ouvidos pelo Valor destacaram, entretanto, que houve avanços no país de maneira geral, em grande medida pelo advento de programas de financiamento mais fartos e a juros mais baixos, entre os quais destacam-se os recursos por meio da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep).

Na Finep, as taxas de juros mais comuns para as pesquisas são de 2,5% ao ano, com até 12 anos para pagar e carência de até 4 anos, bem menores do que a Selic (10,5%). Há ainda a possibilidade de acessar verba de subvenção (recursos a fundo perdido). Essas atingiram no ano passado R$ 360 milhões, contra R$ 169 milhões em 2012.

Na opinião de Arruda, apesar de algumas melhorias, no entanto, ainda falta ao país "alinhar esforço de inovação com esforço competitivo". Ele lembra que hoje "não faltam recursos para inovação vindo do setor público", mas diz que, para importar equipamento de alta tecnologia para um laboratório, por exemplo, não há vantagens fiscais, sendo tratado da mesma forma que demais equipamentos importados, com outros fins.

Gilsinei Hansen, da Totvs, embora concorde que a oferta de linhas de crédito aumentou e a taxa esteja mais barata do que no passado, diz que ainda há alguns problemas não resolvidos. "O cenário é muito melhor do que era, mas o país ainda não tem todos os elementos funcionando. Nos Estados Unidos, as empresas conseguem captar financiamento privado para inovação, por exemplo. No Brasil, não há essas linhas", diz.

Desde os anos 90, Luiz Ricardo Cavalcante, do Ipea, acredita que há uma maior conscientização de que "a inovação é uma questão central para o desenvolvimento econômico", formando hoje um "consenso difuso". Na opinião de Cavalcante, o Brasil dispõe de instrumentos que equivalem aos existentes em países desenvolvidos, como subvenção e crédito subsidiado, além de isenção fiscal para inovação, mas ressalta que há entraves burocráticos à operacionalização. Citou casos de empresas que esperam anos para ter projetos de pesquisa aprovados para obter recursos incentivados.



Fonte: Valor Econômico
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