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Infraestrutura é estaque na abertura do Fórum Internacional de Logística

A urgência do aumento no percentual de investimento em infraestrutura no Brasil aliada a necessidade de uma política federal consistente - monetária e tributária - que apresente segurança para os investimentos privados foram os assuntos que abriram o XIX Fóru

Revista TN Petróleo, Redação com Assessoria
10/10/2013 10:35
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A urgência do aumento no percentual de investimento em infraestrutura no Brasil aliada a necessidade de uma política federal consistente - monetária e tributária - que apresente segurança para os investimentos privados foram os assuntos que abriram o XIX Fórum Internacional de Supply Chain, que acontece até esta sexta-feira (11), no Royal Tulip Inn, em São Conrado (RJ).

O Brasil investe hoje 2,2% do Produto Interno Bruto (PIB) em infraestrutura, enquanto existe uma necessidade real de aporte na ordem de 6%. “Com os investimentos que temos hoje, levaremos 17 anos para chegar a 4,5% do PIB”, afirma Cláudio Frichtak, economista da Inter B, durante a palestra “Crescimento Econômico e Infraestrutura no Brasil: tendências recentes e perspectivas futuras”.

O país tem serias limitações no crescimento, em grande parte devido a ausência de planejamento consistente e a baixa qualidade dos projetos, que culminam com uma capacidade limitada de execução do governo e entes governamentais. Cláudio citou o setor sucroalcooleiro, que passa por grandes problemas devido a atual política de preços. Segundo ele, em 2015 podemos ter um surto inflacionário causado pela atual política monetária e fiscal restrita.

“O programa de logística não avança pela falta de uma liderança unificada, restrição aos investimentos, instabilidade regulatória e financiamento de longo prazo para o setor privado. A saída está em uma reforma do estado com um aumento da poupança e do investimento público e a consolidação de regras estáveis e consistentes. Os investimentos, público e privado, devem ser complementares, e as rodovias e ferrovias deveriam ser conduzidas em um formato PPP (Parcerias Público Privadas)”, afirma Frichtak.

Jean François Arvis, economista do Banco Mundial, falou sobre novas e velhas perspectivas na logística desde o século XIX. Com o crescimento dos últimos 10 anos, o setor se tornou o mais dinâmico da Europa e cresce em todo mundo. Atualmente, a logística está presente em cerca de 8% do portfólio de trabalho do Banco Mundial. Arvis destaca que a qualidade de serviços está à frente dos custos como diferenciador da boa e da má logística. Ele enfatiza a importância de políticas compreensivas que incentivem o diálogo público privado e tracem como objetivo um projeto nacional. Para isso é preciso conhecimento local e global.

O problema na execução dos projetos logísticos se reflete na pesquisa apresentada por João Guilherme Araújo, diretor de Consultoria do ILOS, “Infraestrutura logística do Brasil: gargalos e desafios de solução”. Em um universo de 300 empresas entrevistadas, de zero a 10, a nota recebida pela realização das obras do PAC foi 3,9 - enquanto as propostas apresentadas ficaram com 5,7, a infraestrutura atual recebeu nota 4,8. O número é mais assertivo ao falar sobre as expectativas das empresas: 99% delas acreditam que o crescimento do Brasil seria acelerado se tivesse uma infraestrutura logística melhor. O Brasil ocupa o 45° lugar no ranking de índice de Desempenho Logístico do Banco Mundial.

Uma das principais necessidades destacadas é a integração de visão das agências reguladoras. “O grande problema atual é a execução das propostas do PAC. A sensação do mercado é de incapacidade do governo em levá-las adiante. Os investimentos em transporte são baixos - 0,5% do PIB - o que tem ocasionado também uma queda na qualidade da infraestrutura. O governo passa uma mensagem ambígua para o setor privado. É necessário planejamento consistente e em longo prazo, e uma boa regulação focada nas leis já existentes”, explica João Guilherme.

O custo da logística no Brasil foi o tema da palestra do diretor de Capacitação do ILOS, Maurício Lima. O estudo, feito em 2012/2013, conclui que a despesa interrompe a tendência de queda e volta a aumentar de R$ 391 bi (10,6% do PIB) em 2010 para R$ 507 bi (11,5% do PIB) em 2012 – conta que engloba transporte, estoque, armazenagem e administrativo. Apenas a despesa rodoviária de carga é de R$ 275,6 bilhões, crescimento de 12% ao ano desde 2004 (R$ 109,5 bi), correspondendo a 6,3% do PIB. O motivo principal do aumento da participação na matriz de transporte é a limitação da infraestrutura dos demais modais. O transporte ferroviário dispende R$ 12,9 bi (0,3% do PIB); o aquaviário 17,2 (0,4%); dutoviário 4,5 bi (0,1 % PIB); e o aéreo 2,3 bi (0,05 PIB); sendo R$ 312,4 bi o custo total de transporte, o que representa 7,1% do PIB. Nas empresas o setor representa, em média, 8,7% da receita líquida.

“Se o Brasil tivesse uma matriz de transporte próxima à dos EUA, onde o custo logístico é de 8,7% do PIB, a economia seria de cerca de R$ 113 bi, o que representa 37% do custo de transporte. A tendência é que a movimentação de cargas continue crescendo e, caso não haja uma mudança urgente na matriz do transporte, os custos continuarão a aumentar”, explica Maurício.

Na quinta-feira (10), serão divulgados os vencedores do 13° Prêmio ILOS de Logística, que destaca as principais empresas e operadores brasileiros do setor. Os destaques do dia nas sessões de abertura são: Assimetrias de Poder na Terceirização Logística (Adriana Rossiter Hofer, Universidade do Arkansas); Finanças na Gestão de Supply Chain, Dale Rogers (líder de práticas em sustentabilidade e logística reversa, ILOS); e Inovação Tecnológica: tendências e desafios para gestão da logística & supply chain (Anníbal Camara Sodero, Universidade do Arkansas). O ILOS apresenta, em parceria com a Petrobras, o case “Abastecimento de Petróleo para Refinarias: modelagem de estoques”.
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