Balanço

Indústria Química discute o cenário político, econômico e as reformas necessárias para o crescimento industrial em 2019

Redação/Assessoria
11/12/2018 16:51
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O 23º Encontro Anual da Indústria Química (Enaiq) realizado pela Abiquim, no dia 7 de dezembro, no Hotel Unique, na capital paulista, recebeu o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia. O parlamentar, que participou da abertura do evento, entende que o novo governo terá um País em uma situação melhor do que o encontrado em 2015, mas segundo Maia, ainda existem temas que precisam ser resolvidos para o crescimento econômico do País, entre eles a redução da burocracia, que afeta setores produtivos incluindo as empresas petroquímicas, e a necessidade de se aumentar a segurança jurídica das empresas. No entanto, o principal tema abordado pelo parlamentar foi a necessidade de se discutir a Reforma da Previdência. "É uma pauta que precisa ser debatida com urgência e é necessário que haja um regime equilibrado para atender a todos de forma justa, pois pode ser uma das últimas oportunidades para o País implementar uma reforma sem que haja nenhum corte na aposentadoria como foi feito em Portugal e na Espanha", explicou.

O economista Carlos Alexandre da Costa, que foi anunciado no dia seguinte ao Enaiq, 8 de dezembro, como secretário-geral de Produtividade e Competitividade do futuro ministro da Economia, Paulo Guedes, explicou que o novo governo terá uma postura mais liberal e dará mais liberdade para que o setor produtivo possa crescer. Costa também explicou que deverá focar na formação do capital humano. "A produtividade do brasileiro equivale a 23% do americano e esse patamar já foi de 40% na década de 80". Para melhorar esse índice o novo governo deverá implantar um plano nacional de formação.

A Frente Parlamentar da Química (FPQuímica) anunciou durante o Enaiq seu novo presidente para o próximo biênio, o deputado Alex Manente, líder da bancada do PPS na Câmara dos Deputados, que ressaltou a importância de o País ter uma indústria química forte e que será necessário debater temas como a matéria-prima, cuja competitividade precisa ser maior.

O deputado João Paulo Papa (PSDB/SP), que ocupou a presidência da FPQuímica no biênio 2017/2018, foi homenageado e lembrou o trabalho desenvolvido pela Frente para estimular o desenvolvimento do setor. O deputado Orlando Silva (PCdoB/SP) destacou a união entre parlamentares de diferentes partidos e o trabalho realizado pelo presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, para haver um pacto pelo desenvolvimento da indústria nacional.

Dados do setor

O faturamento do setor deve subir em 2018 cerca de 20% em real e 5% em dólar. A entidade estima um faturamento de 127,9 bilhões de dólares ou 462,3 bilhões de reais. "Os números positivos escondem um grande desafio, pois este crescimento nos traz de volta ao patamar que tínhamos em 2008", afirmou o vice-presidente do Conselho Diretor da entidade, Fernando Musa.

O déficit da balança comercial do setor voltou a crescer e deve chegar a aproximadamente US$ 30 bilhões. "25% do faturamento do setor vem dos produtos exportados. Estamos gerando empregos e renda no exterior", declarou o executivo, "mas estamos prontos para investir aqui uma vez que as condições de competitividade global estiverem presentes".

A entidade apresentou também um estudo sobre os entraves burocráticos à competitividade da indústria química, em que identificou 23 pontos a serem resolvidos. "O Brasil pode economizar de R$1 bilhão a R$ 1,5 bilhão por ano se as medidas que propomos forem adotadas", afirmou o presidente-executivo da entidade, Fernando Figueiredo.

Além da burocracia, a Abiquim mapeou outras 73 propostas nas dimensões matéria-prima, logística, tecnologia, energia, comércio exterior e regulação, para reconquistar a competitividade da indústria química no Brasil. "São propostas que não oneram o setor público, dependem apenas de vontade política e que, se adotadas poderiam aumentar o PIB do setor químico em 20% nos próximos quatro anos, e dobrar até 2030", ressalta Marcos de Marchi, presidente do Conselho Diretor da entidade.

Compromisso com a Economia Circular do Plástico

A Abiquim também lançou o Compromisso Voluntário da Indústria com a Economia Circular do Plástico, com o objetivo de dobrar o índice de reciclagem de plástico até 2030 e atingir 100% de reciclagem até 2040. "São metas ambiciosas, mas possíveis", afirma Edison Terra, coordenador da Comissão Setorial de Resinas Termoplásticas (Coplast), da Abiquim. "Nós queremos dialogar com todos os setores sobre este tema. Se de um lado, os benefícios do plástico para a humanidade são insubstituíveis, por outro, a gestão de resíduos sólidos é uma questão complexa", ressalta o executivo.

O compromisso assumido pelos produtores de resinas termoplásticas associados à entidade tem o objetivo de promover e ampliar o alcance da economia circular nas embalagens termoplásticas, que demandará o esforço conjunto dos diferentes elos da cadeia do plástico, governo e sociedade.

A programação do Enaiq também teve apresentações do professor do Departamento de Planejamento e Análise Econômica Aplicados à Administração- PAE-EAESP/FGV e sócio executivo da consultoria em negócios e serviços, GO Associados, Gesner Oliveira, que apresentou as perspectivas econômicas no Brasil e no cenário exterior para que as empresas brasileiras retomem o crescimento.

O sócio-fundador e diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), Adriano Pires, fez uma apresentação sobre o potencial do Pré-Sal para promover o crescimento da economia brasileira.

Durante o evento, também foram anunciados os vencedores do Prêmio Kurt Politzer de Tecnologia. O vencedor da categoria 'Start-up' foi a Kemia Tratamento de Efluentes pelo projeto: "Reatores eletrolíticos para o tratamento de efluentes industriais, de aterros sanitários e esgoto". O vencedor da categoria 'Empresa' foi a Oxiteno pelo projeto: "Novos sensoriais para cuidados com a pele utilizando emolientes verdes multinacionais". Já na categoria 'Pesquisador' os vencedores foram: o pesquisador de pós-doutorado do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN), Thenner Silva Rodrigues; os pesquisadores sêniors do IPEN, Marcelo Linardi e Fabio Coral Fonseca; os alunos de iniciação científica do IPEN, Arthur Brucoli Leme de Moura e Felipe Anchieta e Silva; o pesquisador de pós-doutorado do Instituto de Química da USP (IQ-USP), Anderson Gabriel Marques da Silva; o pesquisador de associado do IQ-USP, Pedro Henrique Cury Camargo; e o aluno de iniciação científica do IQ-USP, Eduardo Guimarães Candido, pelo projeto "Produção de hidrogênio a partir da reforma a vapor do etanol na presença de um novo catalisador altamente estável baseado em nanofios de óxido de cério e samário contendo níquel".

O 23º Enaiq – Encontro Anual da Indústria Química teve o patrocínio das empresas: BASF, Braskem, Cesari, Deten, Dow, Eastman, Elekeiroz, Granel Química, Ingevity, Innova, Nitro Química, Nouryon, Oxiteno, Rhodia Solvay, Suatrans, Unigel, Unipar Carbocloro e White Martins.

 

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