Meio Ambiente

Indústria brasileira terá novo selo ambiental indicando a ‘pegada de carbono e água’ de produtos

Assessoria/Redação
06/04/2016 10:54
Indústria brasileira terá novo selo ambiental indicando a ‘pegada de carbono e água’ de produtos Imagem: Divulgação/Antonio C. Barros de Oliveira, ABNT Visualizações: 1528

Empresas brasileiras poderão demonstrar os benefícios ambientais de seus produtos em comparação a competidores internacionais, com credibilidade, graças a um novo sistema de medição e certificação da pegada de carbono e água de produtos. O lançamento do selo, realizado nesta quarta-feira, em São Paulo, marca o final de um processo piloto de criação e desenvolvimento que envolveu 20 grandes empresas brasileiras de diversos setores industriais.

O sistema será operado pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), em particular pela ABNT Certificadora, e foi criado por meio de um processo participativo que envolveu a indústria brasileira e foi guiado pelo Carbon Trust, consultoria de estímulo à economia de baixo carbono com expertise global no tema. A concepção e desenvolvimento do sistema contou com o apoio institucional do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC) e com financiamento do Prosperity Fund, da Embaixada Britânica em Brasília.

Organizações que obtiverem a certificação cumprindo os parâmetros definidos nas regras do sistema e atualizados por um comitê técnico sediado na ABNT, poderão utilizar os novos selos de pegada de carbono e de água da ABNT para comunicar suas ações de medição e redução do impacto ambiental ao longo do ciclo de vida dos seus produtos.

O diretor de Certificação da ABNT, Antonio Carlos Barros de Oliveira (foto), destaca o potencial para o aumento de eficiência na indústria brasileira trazido pelo novo sistema. “O processo de medição e certificação da pegada de produtos permite que as empresas identifiquem pontos de ineficiência e busquem soluções para otimizar processos e melhorar suas reputações com os clientes, reduzindo custos e a pegada de seus produtos, bem como os riscos aos quais estão expostas em toda a sua cadeia produtiva. Igualmente importante é a contribuição que este sistema e o novo selo darão para induzir ações que reduzam as emissões de gases de efeito estufa e o consumo de água da indústria brasileira”.

“As empresas que conquistarem a certificação poderão induzir a ação nos seus setores como um todo. Isto ajudará o País a estabelecer suas ambições para o futuro”, ressalta Barros de Oliveira.

Produtos fabricados no Brasil têm vantagens competitivas e menor impacto ambiental se comparados a mercadorias equivalentes provenientes de outras partes do mundo. Isto se dá principalmente em função da matriz energética brasileira, que é majoritariamente baseada em hidrelétricas e é, portanto, mais limpa do que na maior parte do globo, mas também porque alguns segmentos industriais já trabalham na redução de emissões nos seus processos produtivos, por meio da modernização de seus parques industriais.

A capacidade de evidenciar o baixo impacto ambiental de produtos brasileiros, dará às empresas vantagens competitivas no mercado internacional, sendo que elas tendem a crescer na medida em que as companhias brasileiras as transformarem em vantagens comerciais em um cenário de uma economia de baixo carbono. O sistema também trará vantagens para o mercado doméstico, permitindo que as empresas demonstrem suas vantagens em relação a produtos importados, da China ou da Índia, que podem até ser mais baratos, mas frequentemente têm maior impacto ambiental em seus ciclos produtivos.

O projeto piloto, coordenado pelo MDIC, ABNT e Carbon Trust, engajou empresas dos setores de alumínio, vidro, aço, cimento, químicos e tecidos, totalizando nove categorias de produtos e 16 categorias de subprodutos. Dentre estas, estão grandes multinacionais como Braskem, CSN, Saint-Gobain, Arcelor Mittal, Votorantim e Novelis, ao lado de pequenas empresas como BR Goods e EDB Polióis Vegetais do Brasil. Como resultado deste processo, desenvolveu-se uma metodologia robusta e simples para a medição de pegada de produtos, baseada em padrões com credibilidade internacional que permitirão que novas empresas certifiquem seus produtos a um custo baixo e obtenham vantagens comerciais.

Para o secretário de Desenvolvimento da Produção do MDIC, Carlos Gadelha, a iniciativa do Ministério está em linha com as melhores práticas internacionais de desenvolvimento sustentável. “Pensamos no sistema como uma forma das empresas brasileiras otimizarem suas cadeias produtivas, levando em consideração as melhores práticas internacionais”, avalia. Além disso, Gadelha acredita que ao participar deste sistema, as organizações aumentam a credibilidade de suas marcas, em especial junto a consumidores de mercados mais exigentes. “Ao medir os impactos de seus produtos, as companhias brasileiras poderão buscar mercados externos tradicionalmente mais exigentes em sustentabilidade dos produtos, como o Reino Unido e os países escandinavos”.

Martin Barrow, diretor de Medição de Impacto de Produtos do Carbon Trust, salienta a importância global do processo participativo que ocorreu no Brasil desde 2014. “Estamos satisfeitos com a oportunidade que tivemos para trazer nossa experiência para as empresas brasileiras, junto ao MDIC e a ABNT. Já criamos sistemas similares na Europa, em diversos países na Ásia, no México e agora no Brasil, e cada vez aprendemos mais. O progresso que fizemos aqui terá um impacto global, permitindo que sistemas de certificação deste tipo funcionem cada vez mais em sinergia, com empresas em diferentes partes do mundo compartilhando metodologias e dados, o que dará cada vez mais comparabilidade entre os selos e ao mesmo tempo reduzirá o custo para as organizações.”

“Existe uma grande oportunidade para as empresas brasileiras liderarem a manufatura de produtos com baixas emissões de carbono no cenário atual, em que temos que balancear o crescimento econômico com os desafios impostos pelas mudanças climáticas – esperamos que este sistema seja usado como uma ferramenta para as companhias brasileiras crescerem ao passo que reduzem seus impactos ambientais”, conclui Barrow.

 

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