Hidrelétrica

Índios ocupam canteiro de obras de Belo Monte

Ocupação será por tempo indeterminado.

Valor Online
02/05/2013 16:31
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Cerca de 200 indígenas ocuparam nesta quinta-feira (2) um canteiro de obras da usina hidrelétrica de Belo Monte, em construção no rio Xingu, no Pará. Os índios reivindicam a regulamentação da consulta prévia e a suspensão imediata de todas as obras e estudos relacionados às barragens nos rios Xingu, Tapajós e Teles Pires. Segundo informações do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), a tropa de choque da Polícia Militar já esperava pelos indígenas, mas não conseguiu barrar os manifestantes.
Estão presentes índios das etnias Munduruku, Juruna, Kayapó, Xipaya, Kuruaya, Asurini, Parakanã, Arara, além de pescadores e ribeirinhos. A ocupação, de acordo com os indígenas, se manterá por tempo indeterminado - ou até que o governo federal atenda as reivindicações apresentadas.
No último dia 21 de março, cerca de 100 indígenas, ribeirinhos e pequenos agricultores afetados pela obra ocuparam o canteiro Pimental, um dos quatro canteiros de obra tocados pelo Consórcio Construtor de Belo Monte (CCBM).
No último dia 5 de abril, 5 mil trabalhadores do canteiro de obras Pimental paralisaram as atividades por conta das condições de trabalho e da demissão de 80 funcionários, no final do ano passado. Investiga-se, inclusive, a atuação de um suposto espião, que levaria informações sobre movimentos no entorno da obra para a Agência Brasileira de Informações (ABIN).
Veja abaixo a íntegra da carta entregue hoje pelos indígenas que paralisaram as obras da usina:
“Carta da ocupação de Belo Monte
Nós somos a gente que vive nos rios em que vocês querem construir barragens. Nós somos Munduruku, Juruna, Kayapó, Xipaya, Kuruaya, Asurini, Parakanã, Arara, pescadores e ribeirinhos. Nós somos da Amazônia e queremos ela em pé. Nós somos brasileiros. O rio é nosso supermercado. Nossos antepassados são mais antigos que Jesus Cristo.
Vocês estão apontando armas na nossa cabeça. Vocês sitiam nossos territórios com soldados e caminhões de guerra. Vocês fazem o peixe desaparecer. Vocês roubam os ossos dos antigos que estão enterrados na nossa terra.
Vocês fazem isso porque tem medo de nos ouvir. De ouvir que não queremos barragem. De entender porque não queremos barragem.
Vocês inventam que nós somos violentos e que nós queremos guerra. Quem mata nossos parentes? Quantos brancos morreram e quantos indígenas morreram? Quem nos mata são vocês, rápido ou aos poucos. Nós estamos morrendo e cada barragem mata mais. E quando tentamos falar vocês trazem tanques, helicópteros, soldados, metralhadoras e armas de choque.
O que nós queremos é simples: vocês precisam regulamentar a lei que regula a consulta prévia aos povos indígenas. Enquanto isso vocês precisam parar todas as obras e estudos e as operações policiais nos rios Xingu, Tapajós e Teles Pires. E então vocês precisam nos consultar.
Nós queremos dialogar, mas vocês não estão deixando a gente falar. Por isso nós ocupamos o seu canteiro de obras. Vocês precisam parar tudo e simplesmente nos ouvir.
Vitória do Xingu (PA), 02 de abril de 2013.”

Cerca de 200 indígenas ocuparam nesta quinta-feira (2) um canteiro de obras da usina hidrelétrica de Belo Monte, em construção no rio Xingu, no Pará. Os índios reivindicam a regulamentação da consulta prévia e a suspensão imediata de todas as obras e estudos relacionados às barragens nos rios Xingu, Tapajós e Teles Pires. Segundo informações do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), a tropa de choque da Polícia Militar já esperava pelos indígenas, mas não conseguiu barrar os manifestantes.


Estão presentes índios das etnias Munduruku, Juruna, Kayapó, Xipaya, Kuruaya, Asurini, Parakanã, Arara, além de pescadores e ribeirinhos. A ocupação, de acordo com os indígenas, se manterá por tempo indeterminado - ou até que o governo federal atenda as reivindicações apresentadas.


No último dia 21 de março, cerca de 100 indígenas, ribeirinhos e pequenos agricultores afetados pela obra ocuparam o canteiro Pimental, um dos quatro canteiros de obra tocados pelo Consórcio Construtor de Belo Monte (CCBM).


No último dia 5 de abril, 5 mil trabalhadores do canteiro de obras Pimental paralisaram as atividades por conta das condições de trabalho e da demissão de 80 funcionários, no final do ano passado. Investiga-se, inclusive, a atuação de um suposto espião, que levaria informações sobre movimentos no entorno da obra para a Agência Brasileira de Informações (ABIN).


Veja abaixo a íntegra da carta entregue hoje pelos indígenas que paralisaram as obras da usina:



“Carta da ocupação de Belo Monte


Nós somos a gente que vive nos rios em que vocês querem construir barragens. Nós somos Munduruku, Juruna, Kayapó, Xipaya, Kuruaya, Asurini, Parakanã, Arara, pescadores e ribeirinhos. Nós somos da Amazônia e queremos ela em pé. Nós somos brasileiros. O rio é nosso supermercado. Nossos antepassados são mais antigos que Jesus Cristo.


Vocês estão apontando armas na nossa cabeça. Vocês sitiam nossos territórios com soldados e caminhões de guerra. Vocês fazem o peixe desaparecer. Vocês roubam os ossos dos antigos que estão enterrados na nossa terra.


Vocês fazem isso porque tem medo de nos ouvir. De ouvir que não queremos barragem. De entender porque não queremos barragem.


Vocês inventam que nós somos violentos e que nós queremos guerra. Quem mata nossos parentes? Quantos brancos morreram e quantos indígenas morreram? Quem nos mata são vocês, rápido ou aos poucos. Nós estamos morrendo e cada barragem mata mais. E quando tentamos falar vocês trazem tanques, helicópteros, soldados, metralhadoras e armas de choque.


O que nós queremos é simples: vocês precisam regulamentar a lei que regula a consulta prévia aos povos indígenas. Enquanto isso vocês precisam parar todas as obras e estudos e as operações policiais nos rios Xingu, Tapajós e Teles Pires. E então vocês precisam nos consultar.


Nós queremos dialogar, mas vocês não estão deixando a gente falar. Por isso nós ocupamos o seu canteiro de obras. Vocês precisam parar tudo e simplesmente nos ouvir.


Vitória do Xingu (PA), 02 de abril de 2013.”

 

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