Jirau

Índios e quilombolas se aliam e tentam parar obras de usina

O Estado de S.Paulo
27/10/2010 09:52
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Indígenas e descendentes de escravos que residem em comunidades quilombolas localizadas às margens do Rio Madeira seguem desde a manhã de ontem para o local onde está sendo construída a Usina Hidrelétrica de Jirau. Eles pretendem interditar na madrugada de hoje a entrada para as obras, na BR-464, a 130 quilômetros de Porto Velho, impedindo o acesso de operários.


Desde ontem pela manhã, caciques reúnem índios das aldeias que serão afetadas pela cheia do Madeira quando a água for represada. Eles alegam que não receberam indenizações prometidas. Enquanto isso, lideranças dos quilombolas afirmam que sobrevivem da pesca, por isso, se as comunidades forem retiradas das margens do rio, não conseguirão se sustentar.


Moradores do distrito de Mutum Paraná, vilarejo de pescadores localizado a cerca de 70 quilômetros das obras da usina, também se preparam para engrossar o protesto. Ontem pela manhã eles promoveram uma passeata pela principal avenida de Porto Velho, a Sete de Setembro. Para essas famílias foi construída uma vila chamada Nova Mutum.


Contraste. O contraste entre Mutum e Nova Mutum é grande. A vila de pescadores é formada de casebres de madeira, praticamente inacessível durante o inverno amazônico, castigado por fortes chuvas. Na vila construída há cerca de um ano, foram edificadas casas de alvenaria, em uma espécie de condomínio fechado, às margens da BR-364. Todas as ruas são asfaltadas, há saneamento básico e energia elétrica.


Apesar do conforto, moradores de Mutum não aceitam mudar para a nova vila, porque ficarão distantes do Rio Madeira e terão dificuldades para pescar. Eles também alegam que edificações foram entregues em Nova Mutum para políticos de Porto Velho, que instalaram estabelecimentos comerciais no local. Afirmam que isso é concorrência desleal.


A Usina de Jirau deverá gerar 3.300 megawatts de energia depois de concluída. As obras prosseguem em ritmo acelerado e estão adiantadas, apesar de diversos protestos já terem ocorrido e de a Assembleia Legislativa de Rondônia ter criado uma comissão parlamentar de inquérito para apurar os prejuízos causados à comunidade. A hidrelétrica deve entrar em operação entre fevereiro e abril de 2012. O contrato estabelece o prazo para janeiro de 2013.
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