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Biocombustíveis

Incerteza cerca a produção de mamona para biodiesel

24/03/2005 | 00h00

As dificuldades para comercializar a produção de mamona e problemas climáticos no Nordeste estão trazendo dúvidas a agricultores e indústrias sobre o sucesso da produção de biodiesel no país neste ano. No Rio Grande do Norte, a Cooperativa de Energia e Desenvolvimento Rural do Seridó (Cersel), tinha planos para ampliar a área de mamona de 2,3 mil hectares para 3 mil neste ano, mas os 130 produtores ainda não começaram a plantar. José Mariano Neto, presidente da cooperativa, diz que a incerteza sobre a venda da produção desestimula a produção. "E a falta de chuva também preocupa", afirma.
Em 2004, a Petrobras assinou convênio com a Emater-RN para a compra da produção de 3 mil dos 10 mil hectares plantados no Estado. Domingos Cabral, gestor de mamona da Emater-RN, diz que desde então a empresa comprou apenas 30 toneladas. "A falta de organização dos produtores atrapalhou o início do projeto", observa.
Neto, da Cersel, diz que a cooperativa deveria ter entregue as 1,5 mil toneladas produzidas à Petrobras, que se comprometeu a pagar, 30 dias após o recebimento, R$ 1 por quilo. Os produtores discordaram do prazo e venderam a safra a empresas da Bahia, a preços abaixo de R$ 0,80, mas à vista. "A Petrobras não faz adiantamento e os produtores precisavam do dinheiro", explica.
Ulisses da Costa Soares, coordenador do Programa de Biodiesel da Petrobras, concorda que os produtores não tinham estrutura para fazer a venda a prazo e considera "normal" esse tipo de problema no início do projeto. "O que se vê é que eles têm uma carência de gestão, de mão-de-obra qualificada e de recurso financeiro", diz Soares.
Ele diz que a Petrobras estuda um novo modelo de negociação e pretende fornecer sementes para plantio de 4 mil hectares neste ano. A companhia inaugura duas fábricas de biodiesel de mamona neste ano em Guamaré (RN). Juntas, as unidades, que absorvem investimentos de R$ 14 milhões, produzirão 2 mil litros por dia, podendo até triplicar o volume na fase comercial. Segundo Soares, não há previsão para o início da comercialização desse biodiesel.
Cabral, da Emater-RN, aponta a falta de chuvas como outro fator de desestímulo. Em 2004, dois terços da área já estavam plantadas em março. Neste ano, não houve plantio. "A estimativa era que o Estado alcançasse 20 mil hectares, ante 10 mil no ano passado. Mas, se não chover, não haverá plantio". Cabral observou que o índice de chuvas, historicamente de 400 milímetros, não chegou a 70 neste trimestre.
Nelson Côrtes da Silveira, diretor-geral da Brasil Ecodiesel, diz que a falta de chuvas afetou também o Ceará, onde a empresa fez acordo com agricultores para comprar a safra de 2 mil hectares. A empresa tem uma planta no Canto do Buriti (PI) e em Crateús (CE) e produz 5 mil litros por dia, mas enfrenta dificuldade para vender. "Há uma dificuldade de fechar contratos no mercado interno e estamos tentando fazer acordos para exportar para Europa ou Canadá", diz Silveira. Neste ano, a empresa investirá R$ 48 milhões no biodiesel e prevê inaugurar, em julho, uma unidade no Piauí para produzir 25 mil toneladas por ano. Outras duas deverão começar a operar até 2007.



Fonte: Valor Econômico
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