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Negócios

Homem mais rico de Portugal vai investir US$ 3,5 bi no Brasil

17/09/2013 | 09h47

 

Homem mais rico de Portugal, Américo Amorim planeja investir US$ 3,5 bilhões nos próximos quatro anos no Brasil, com ênfase na área de petróleo, seguido de negócios imobiliários ligados ao turismo e no setor financeiro.
Em entrevista ao Valor, o empresário português disse que destinará 65% do pacote de investimentos de US$ 5 bilhões para projetos no Brasil no período de 2013 a 2016. O restante irá para Angola e Moçambique, duas economias em rápida expansão na África.
"Estamos crescendo sempre, e a globalização abre novas possibilidades de desenvolvimento", diz. "Neste momento estamos muito positivos sobre o Brasil, Angola e Moçambique".
Américo Amorim domina a produção mundial de cortiça e fatura com petróleo, bancos, imóveis, criação de gado, vinho, azeite e até moda. Começou a produzir soja e milho em Moçambique com parceiros brasileiros. E entrou recentemente no setor de luxo ao comprar uma participação na empresa do americano Tom Ford.
Ele diz não saber exatamente o total do faturamento de suas empresas. Lembra que só a Galp, companhia de petróleo, vai faturar € 20 bilhões este ano. De maneira geral, o importante para ele é influenciar: "Gosto de decidir, tenho esse hábito de controlar e influenciar sobre o que seja vital para as nossas empresas".
O homem mais rico de Portugal não dá sinais de ostentação. Não tem jato e só aluga um quando realmente necessário. Ocupa uma sala de trabalho ampla, mas comum na sede da holding em Mozelos, cidade perto do Porto.
Seu estilo de administrar inclui gravar as reuniões com seus principais executivos, para mais tarde checar se os planos foram executados como planejado. Até hoje, aos 79 anos, é ele quem faz todo dia a decisão de venda ou compra de ações - um negócio menor no grupo. Seu método é fazer perguntas. Telefona, conversa, decide.
"Vivo às voltas com números, gráficos, computador, com a evolução da economia. Os contatos são como meu golfo. Eu faço o que quero fazer e isso me faz perfeitamente ativo", diz. "Meu estado de espírito é construir. "
Ele parece se divertir quando é perguntado se é verdade que sua fortuna encolheu de US$ 7 bilhões para US$ 4,1 bilhões entre 2007 e 2012, no rastro da crise global, pelos cálculos da revista americana "Forbes". "Não me vejo nesses números e nem me sinto menos confortável economicamente do que há três anos", diz, sorrindo.
Perguntado quanto afinal é sua fortuna, responde: "Não faço ideia". Quem o conhece bem diz que não seria surpresa se a fortuna estivesse hoje valendo o dobro do que se diz normalmente.
A fortuna da família tem origem na exploração do sobreiro, árvore que está propagada pelo Alentejo. De sua casca vem a cortiça, usada na produção de rolhas para vinho e champanhe, além de uma enormidade de produtos - de bolas de golfe a componentes de automóveis.
Américo Amorim saiu cedo do colégio para trabalhar com o pai. O mercado português parecia pequeno e, com 21 anos de idade, Américo começou a rodar o mundo. Vendia rolhas para vinhos, o único produto que a família produzia.
omente para a Rússia e Leste Europeu, conta ter viajado 50 vezes até a queda do muro de Berlim. Indagado como conseguia visto para países tão fechados, e ainda fazer negócio, responde sorrindo: "Deus é grande".
A relação com os russos tem mais de 50 anos, com os chineses mais de 40, com Cuba de Fidel mais de 37 anos. As amizades criadas ao longo de décadas são consideradas "ativos brutais". Nas salas da empresa, as fotos se sucedem: ele com o presidente da China, com a rainha Beatrix da Holanda, com Fidel Castro e dezenas de outros líderes ou ministros. "No fim do ano eu envio 6 mil cartões de Natal", conta.
Américo Amorim lembra "com tristeza" os entraves postos pela ditadura do Estado Novo de Salazar sobre a indústria. Para fazer aglomerados de cortiça, precisava de autorização especial do governo. A Revolução dos Cravos, em 1974, pegou Américo Amorim já rico e sempre a correr o mundo. Suas propriedades no Alentejo foram nacionalizadas. Mas já em 1976 começa a comprar direitos de propriedades que tinham sido nacionalizadas, e por um bom preço.
Em 1981, Américo Amorim foi um dos empresários envolvidos na criação da Sociedade Portuguesa de Investimentos (SPI) e no relançamento do sistema financeiro privado português, que tinha sido integralmente nacionalizado pela Revolução. O SPI se transforma mais tarde no BPI, um dos maiores bancos do país. Saiu desse banco em meio a um conflito sobre o modelo a ser implementado. Vendeu suas ações e foi embora, com um bom lucro.
Em 1991, participou da criação da empresa de telecomunicações Telecel. E partiu mais tarde, também com muito dinheiro. "Nem sempre aconteceu [o lucro], mas quase. Faço por instinto. Acho que tenho conhecimento do mundo, envolvido um dia com Revolução em Portugal, outro em um tumulto em Cuba, na Argentina com Perón e Evita, com a perestroika. Isso nos leva a considerar muito como vender e comprar".
A expansão a outros setores começou em 1988, quando a família abriu o capital de quatro empresas de cortiça. Mais tarde, a família resolveu dividir os negócios. Os irmãos Américo, Antonio e Joaquim ficaram com as áreas imobiliária, turismo e cortiça. O irmão José deixou de fazer parte do grupo Amorim, mas levou muito dinheiro naquele momento.
Em 2005, antecipando-se à crise global, Américo Amorim vendeu seu negócio imobiliário em Portugal por cerca de € 500 milhões, quase o dobro do valor que tinha adquirido anos antes. Não só ganhou, como escapou da crise imobiliária que até hoje assola o país.
O negócio da cortiça, com presença em 100 países, rendeu € 534 milhoes no ano passado. É controlado em parceria com os dois irmãos. A empresa explora cortiça em Portugal, Espanha, Marrocos, Argélia, Tunísia e até na China, tendo 31 fábricas no total. "A importância econômica da cortiça são uns 10%, mas a importância de estar aí é 100%. É o berço da família, não quero nem imaginar não estar aí".
O empresário também tem sua própria holding, o Grupo Américo Amorim. E passou a diversificar os investimentos. Portugal está saindo do pior da crise. E as perspectivas internas melhoram. Mas Américo diz que há muito reduziu a dependência de seu país. Estima que mais de 70% de seus ativos estejam no estrangeiro.
Seu maior negócio hoje é a Galp. A petroleira é cerca de 60% da força do grupo. Entrou em 2006 na companhia, que desde então teve quase dobrado seu valor de mercado, hoje em € 11 bilhões. O grupo controla a Galp com 38% de participação no capital. Américo Amorim é o maior acionista individual com 21,08%, e presidente do conselho de administração da Galp, que tem sócios angolanos - a estatal Sonangol e Isabel dos Santos, filha do presidente de Angola.
Américo Amorim não esconde o entusiasmo pela Galp, principalmente pelos ativos no Brasil. "A Galp tem no Brasil sua maior reserva de matérias-primas. Foi abençoada pelo Cristo do Corcovado".
A companhia é a maior exportadora portuguesa, sobretudo de combustível refinado, com € 4,5 bilhões neste ano. Em três anos, deve aumentar as vendas externas para € 6 bilhões.
No Brasil, o objetivo é produzir 300 mil barris diários de petróleo em 2020. Atualmente, a produção é de 10% a 15% dessa cifra. Galp vai explorar também gás em Moçambique, que Amorim considera o novo Catar. "As reservas do país são extraordinárias", diz.
Indagado sobre Eike Batista, até recentemente o mais rico do Brasil e com interesses também no petróleo, diz que não o conheceu pessoalmente, mas conhece sua história e diz que ficou "surpreso" com o desmoronamento do grupo. "Sim, porque ele tinha uma dimensão que iria além de uma aventura normal", afirmou. "Constituiu uma surpresa desagradável, pela importância que tinha na economia e pelo conceito que os brasileiros tinham desse senhor".
Américo Amorim diz que a Galp não pensou em adquirir nada do império de Eike Batista. "Não, somos uma empresa pequena no petróleo. Temos uma relação muito forte com a Petrobras. Cada macaco no seu galho. Não temos muita vocação para nos dispersarmos, temos que ser comedidos".
Para explorar petróleo e gás, diz o empresário, é preciso ter reservas ou capacidade de buscar recursos no mercado "numa forma tranqüila". E diz que a própria Galp optou por vender um terço de suas reservas no Brasil para a chinesa Sinopec US$ 5,3 bilhões.
O setor financeiro tambem continua a interessar o empresário. Ele tem participação acionária em bancos em Portugal (Banco BIC e Banco Carregosa), Espanha (Banco Popular), Angola (Banco BIC), Moçambique (Banco Unico) e no Brasil (Banco Luso-Brasileiro).
Amorim abre um folheto para mostrar que o BIC de Angola, por exemplo, em oito anos aumentou o número de agências de 85 para 215 até o fim de 2013.
Diz estar agora "apaixonado" pela evolução do Banco Luso-Brasileiro. Ele comprou 33% de participação, tendo como sócios as famílias Tavares Almeida e o grupo Caio-Induscar, maior transportador urbano de São Paulo. A ideia é focar no financiamento de transporte urbano, diz Américo Amorim. "É um segmento a ser desenvolvido, vamos crescer devagarzinho, mas seguro", comentou.
No setor imobiliário, sua atenção está concentrada nos 33 milhões de metros quadrados que tem na orla marítima perto de Salvador, na Bahia. Projeta condomínios de apartamentos e casas que vão render, espera ele, um faturamento bilionário ao fim de dez anos.
A divisão dos negócios ligados à floresta inclui projetos de turismo, enoturismo (vinhos), produção de vinho do Porto, azeite, produção de soja e milho em Moçambique com parceiros brasileiros. "Produzimos vinho, não temos lucro, mas temos o prazer de produzir".
Américo Amorim entrou também no setor de luxo, a pedido de sua filha mais velha, Paula. O designer Tom Ford tinha saído da Gucci e procurava um sócio para abrir sua própria marca. Um banco inglês veio a Mozeles expor o projeto. "Acabei investindo uns US$ 120 milhões, ficando com 25%. Conheço bem o sucesso da Louis Vuitton e de outros grupos. Achamos que é um setor atual, com possibilidades brutais de investimentos. Satisfizemos um desejo de um membro da família e fizemos um bom negócio", afirmou.
Ao final de mais de uma hora de conversa, Américo Amorim sai com o repórter pelos corredores, em busca de um ângulo melhor para fotos. Só depois lembra que deixou advogados americanos esperando em outra sala de reunião.

Homem mais rico de Portugal, Américo Amorim planeja investir US$ 3,5 bilhões nos próximos quatro anos no Brasil, com ênfase na área de petróleo, seguido de negócios imobiliários ligados ao turismo e no setor financeiro.


Em entrevista ao Valor, o empresário português disse que destinará 65% do pacote de investimentos de US$ 5 bilhões para projetos no Brasil no período de 2013 a 2016. O restante irá para Angola e Moçambique, duas economias em rápida expansão na África.


"Estamos crescendo sempre, e a globalização abre novas possibilidades de desenvolvimento", diz. "Neste momento estamos muito positivos sobre o Brasil, Angola e Moçambique".


Américo Amorim domina a produção mundial de cortiça e fatura com petróleo, bancos, imóveis, criação de gado, vinho, azeite e até moda. Começou a produzir soja e milho em Moçambique com parceiros brasileiros. E entrou recentemente no setor de luxo ao comprar uma participação na empresa do americano Tom Ford.


Ele diz não saber exatamente o total do faturamento de suas empresas. Lembra que só a Galp, companhia de petróleo, vai faturar € 20 bilhões este ano. De maneira geral, o importante para ele é influenciar: "Gosto de decidir, tenho esse hábito de controlar e influenciar sobre o que seja vital para as nossas empresas".


O homem mais rico de Portugal não dá sinais de ostentação. Não tem jato e só aluga um quando realmente necessário. Ocupa uma sala de trabalho ampla, mas comum na sede da holding em Mozelos, cidade perto do Porto.


Seu estilo de administrar inclui gravar as reuniões com seus principais executivos, para mais tarde checar se os planos foram executados como planejado. Até hoje, aos 79 anos, é ele quem faz todo dia a decisão de venda ou compra de ações - um negócio menor no grupo. Seu método é fazer perguntas. Telefona, conversa, decide.


"Vivo às voltas com números, gráficos, computador, com a evolução da economia. Os contatos são como meu golfo. Eu faço o que quero fazer e isso me faz perfeitamente ativo", diz. "Meu estado de espírito é construir".


Ele parece se divertir quando é perguntado se é verdade que sua fortuna encolheu de US$ 7 bilhões para US$ 4,1 bilhões entre 2007 e 2012, no rastro da crise global, pelos cálculos da revista americana "Forbes". "Não me vejo nesses números e nem me sinto menos confortável economicamente do que há três anos", diz, sorrindo.


Perguntado quanto afinal é sua fortuna, responde: "Não faço ideia". Quem o conhece bem diz que não seria surpresa se a fortuna estivesse hoje valendo o dobro do que se diz normalmente.


A fortuna da família tem origem na exploração do sobreiro, árvore que está propagada pelo Alentejo. De sua casca vem a cortiça, usada na produção de rolhas para vinho e champanhe, além de uma enormidade de produtos - de bolas de golfe a componentes de automóveis.


Américo Amorim saiu cedo do colégio para trabalhar com o pai. O mercado português parecia pequeno e, com 21 anos de idade, Américo começou a rodar o mundo. Vendia rolhas para vinhos, o único produto que a família produzia.


omente para a Rússia e Leste Europeu, conta ter viajado 50 vezes até a queda do muro de Berlim. Indagado como conseguia visto para países tão fechados, e ainda fazer negócio, responde sorrindo: "Deus é grande".


A relação com os russos tem mais de 50 anos, com os chineses mais de 40, com Cuba de Fidel mais de 37 anos. As amizades criadas ao longo de décadas são consideradas "ativos brutais". Nas salas da empresa, as fotos se sucedem: ele com o presidente da China, com a rainha Beatrix da Holanda, com Fidel Castro e dezenas de outros líderes ou ministros. "No fim do ano eu envio 6 mil cartões de Natal", conta.


Américo Amorim lembra "com tristeza" os entraves postos pela ditadura do Estado Novo de Salazar sobre a indústria. Para fazer aglomerados de cortiça, precisava de autorização especial do governo. A Revolução dos Cravos, em 1974, pegou Américo Amorim já rico e sempre a correr o mundo. Suas propriedades no Alentejo foram nacionalizadas. Mas já em 1976 começa a comprar direitos de propriedades que tinham sido nacionalizadas, e por um bom preço.


Em 1981, Américo Amorim foi um dos empresários envolvidos na criação da Sociedade Portuguesa de Investimentos (SPI) e no relançamento do sistema financeiro privado português, que tinha sido integralmente nacionalizado pela Revolução. O SPI se transforma mais tarde no BPI, um dos maiores bancos do país. Saiu desse banco em meio a um conflito sobre o modelo a ser implementado. Vendeu suas ações e foi embora, com um bom lucro.


Em 1991, participou da criação da empresa de telecomunicações Telecel. E partiu mais tarde, também com muito dinheiro. "Nem sempre aconteceu [o lucro], mas quase. Faço por instinto. Acho que tenho conhecimento do mundo, envolvido um dia com Revolução em Portugal, outro em um tumulto em Cuba, na Argentina com Perón e Evita, com a perestroika. Isso nos leva a considerar muito como vender e comprar".


A expansão a outros setores começou em 1988, quando a família abriu o capital de quatro empresas de cortiça. Mais tarde, a família resolveu dividir os negócios. Os irmãos Américo, Antonio e Joaquim ficaram com as áreas imobiliária, turismo e cortiça. O irmão José deixou de fazer parte do grupo Amorim, mas levou muito dinheiro naquele momento.


Em 2005, antecipando-se à crise global, Américo Amorim vendeu seu negócio imobiliário em Portugal por cerca de € 500 milhões, quase o dobro do valor que tinha adquirido anos antes. Não só ganhou, como escapou da crise imobiliária que até hoje assola o país.


O negócio da cortiça, com presença em 100 países, rendeu € 534 milhoes no ano passado. É controlado em parceria com os dois irmãos. A empresa explora cortiça em Portugal, Espanha, Marrocos, Argélia, Tunísia e até na China, tendo 31 fábricas no total. "A importância econômica da cortiça são uns 10%, mas a importância de estar aí é 100%. É o berço da família, não quero nem imaginar não estar aí".


O empresário também tem sua própria holding, o Grupo Américo Amorim. E passou a diversificar os investimentos. Portugal está saindo do pior da crise. E as perspectivas internas melhoram. Mas Américo diz que há muito reduziu a dependência de seu país. Estima que mais de 70% de seus ativos estejam no estrangeiro.


Seu maior negócio hoje é a Galp. A petroleira é cerca de 60% da força do grupo. Entrou em 2006 na companhia, que desde então teve quase dobrado seu valor de mercado, hoje em € 11 bilhões. O grupo controla a Galp com 38% de participação no capital. Américo Amorim é o maior acionista individual com 21,08%, e presidente do conselho de administração da Galp, que tem sócios angolanos - a estatal Sonangol e Isabel dos Santos, filha do presidente de Angola.


Américo Amorim não esconde o entusiasmo pela Galp, principalmente pelos ativos no Brasil. "A Galp tem no Brasil sua maior reserva de matérias-primas. Foi abençoada pelo Cristo do Corcovado".


A companhia é a maior exportadora portuguesa, sobretudo de combustível refinado, com € 4,5 bilhões neste ano. Em três anos, deve aumentar as vendas externas para € 6 bilhões.


No Brasil, o objetivo é produzir 300 mil barris diários de petróleo em 2020. Atualmente, a produção é de 10% a 15% dessa cifra. Galp vai explorar também gás em Moçambique, que Amorim considera o novo Catar. "As reservas do país são extraordinárias", diz.


Indagado sobre Eike Batista, até recentemente o mais rico do Brasil e com interesses também no petróleo, diz que não o conheceu pessoalmente, mas conhece sua história e diz que ficou "surpreso" com o desmoronamento do grupo. "Sim, porque ele tinha uma dimensão que iria além de uma aventura normal", afirmou. "Constituiu uma surpresa desagradável, pela importância que tinha na economia e pelo conceito que os brasileiros tinham desse senhor".


Américo Amorim diz que a Galp não pensou em adquirir nada do império de Eike Batista. "Não, somos uma empresa pequena no petróleo. Temos uma relação muito forte com a Petrobras. Cada macaco no seu galho. Não temos muita vocação para nos dispersarmos, temos que ser comedidos".


Para explorar petróleo e gás, diz o empresário, é preciso ter reservas ou capacidade de buscar recursos no mercado "numa forma tranqüila". E diz que a própria Galp optou por vender um terço de suas reservas no Brasil para a chinesa Sinopec US$ 5,3 bilhões.


O setor financeiro tambem continua a interessar o empresário. Ele tem participação acionária em bancos em Portugal (Banco BIC e Banco Carregosa), Espanha (Banco Popular), Angola (Banco BIC), Moçambique (Banco Unico) e no Brasil (Banco Luso-Brasileiro).


Amorim abre um folheto para mostrar que o BIC de Angola, por exemplo, em oito anos aumentou o número de agências de 85 para 215 até o fim de 2013.


Diz estar agora "apaixonado" pela evolução do Banco Luso-Brasileiro. Ele comprou 33% de participação, tendo como sócios as famílias Tavares Almeida e o grupo Caio-Induscar, maior transportador urbano de São Paulo. A ideia é focar no financiamento de transporte urbano, diz Américo Amorim. "É um segmento a ser desenvolvido, vamos crescer devagarzinho, mas seguro", comentou.


No setor imobiliário, sua atenção está concentrada nos 33 milhões de metros quadrados que tem na orla marítima perto de Salvador, na Bahia. Projeta condomínios de apartamentos e casas que vão render, espera ele, um faturamento bilionário ao fim de dez anos.


A divisão dos negócios ligados à floresta inclui projetos de turismo, enoturismo (vinhos), produção de vinho do Porto, azeite, produção de soja e milho em Moçambique com parceiros brasileiros. "Produzimos vinho, não temos lucro, mas temos o prazer de produzir".


Américo Amorim entrou também no setor de luxo, a pedido de sua filha mais velha, Paula. O designer Tom Ford tinha saído da Gucci e procurava um sócio para abrir sua própria marca. Um banco inglês veio a Mozeles expor o projeto. "Acabei investindo uns US$ 120 milhões, ficando com 25%. Conheço bem o sucesso da Louis Vuitton e de outros grupos. Achamos que é um setor atual, com possibilidades brutais de investimentos. Satisfizemos um desejo de um membro da família e fizemos um bom negócio", afirmou.


Ao final de mais de uma hora de conversa, Américo Amorim sai com o repórter pelos corredores, em busca de um ângulo melhor para fotos. Só depois lembra que deixou advogados americanos esperando em outra sala de reunião.

 



Fonte: Valor Econômico
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