Navegação

Hidrovias da Amazônia Legal pedem socorro

Em recente estudo encomendado pela CNI e realizado pela consultoria Macrologistica, por meio da Ação Pró-Amazônica - que congrega todas as federações de indústria da região amazônica -, foi constatado que o custo da logística de tra

Valor Econômico
16/12/2013 12:17
Visualizações: 1511
Em recente estudo encomendado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e realizado pela consultoria Macrologistica, por meio da Ação Pró-Amazônica - que congrega todas as federações de indústria da região amazônica -, foi constatado que o custo da logística de transporte de carga na Amazônia Legal, é de R$ 17 bilhões/ano, ou o equivalente a 7,5% do PIB regional.

O estudo também revelou que, se fossem superados os entraves que impedem ou dificultam a navegação nas hidrovias do rio Paraguay-Paraná, do rio Madeira, dos rios Teles Pires/Juruena-Tapajós, e do rio Tocantins, entre outros projetos, o custo logístico diminuiria em R$ 1,25 bi/ano, valor equivalente a 5% do PIB da região, tornando-a competitiva, com maior geração de empregos e renda. Junta-se aos benefícios econômicos e sociais o imensurável ganho ambiental, uma vez que esse modal de transporte é menos poluente do que as e rodovias que cortam os estados do Norte do país.

Embora os benefícios obtidos com o uso das hidrovias sejam comprovadamente valiosos, o cenário que tal modal apresenta atualmente não é nada animador.

Governo anunciou a construção de quatro hidrelétricas no rio Tapajós, e nenhuma delas tem eclusas

Na hidrovia dos rios Paraguay-Paraná, por exemplo, foi elaborado um projeto há cerca de dez anos, onde é proposta a construção de um porto a 70 quilômetros ao sul de Cáceres (Morrinhos), com acesso pela rodovia federal BR 174. Com o projeto, não há necessidade de se utilizar o trecho inicial da hidrovia do rio Paraguay e não necessitarão mais dragar 14 passos.

O projeto tem capacidade de exportação de três milhões de toneladas/ano. Além de diminuir o custo do transporte, tira 60 mil carretas das estradas. Seria uma excelente alternativa se não tivesse sido embargado pelo Ministério Público quando foi levado para audiência pública.

Na hidrovia do rio Madeira, o problema está na falta das eclusas na região onde estão sendo construídas as hidrelétricas de Santo Antonio e Jirau, a montante de Porto Velho, o que inviabiliza todo o tramo sul da hidrovia. A falta das eclusas impede a navegação e reduz substancialmente a competitividade dos estados de Rondônia, Acre e Mato Grosso, além de parte da Bolívia.

Já a hidrovia do rio Araguaia, deve ser conservada como um santuário ambiental, e utilizar a hidrovia do Tocantins que corre paralelo a ela.

Outra importante hidrovia para o transporte de cargas do estado mato-grossense é a do rio Tocantins, que também atenderia à demanda logística do Maranhão, Pará, além do estado que leva o nome do rio. Tal rota, porém, está inviabilizada. Para ativá-la, entre as intervenções necessárias está o término da construção da eclusa de Lageado, a construção da eclusa da hidrelétrica de Estreito, a derrocagem de 43 quilômetros no Pedral do Lourenço e a dragagem do canal do Quiriri, até 17 metros, que permitirá ao Porto de Vila do Conde operar com navios tipo Cape-Size, cujo custo de frete é bem menor em relação aos navios tipo Panamax operados atualmente pelo porto.

A hidrovia dos rios Teles Pires/Juruena-Tapajós é outra que também está se tornando inviável. No rio Teles Pires está prevista a instalação de cinco hidrelétricas, todas sem eclusas, como já acontece na Usina Teles Pires, em fase de construção, o que já a inviabiliza. No estudo da CNI, essa hidrovia é considerada a mais importante. Sozinha, diminuiria o custo do transporte da região amazônica em R$ 1 bilhão anuais. É onde se revela o mais preocupante cenário, já que a sua inviabilização tira toda a competitividade da Amazônia Legal.

Além de proporcionar uma diminuição de custo no transporte de cargas da região, a hidrovia Juruena-Tapajós pode reduzir profundamente a pressão sobre os portos de Paranaguá e Santos, por onde partem os produtos do agronegócio, combustível e fertilizantes. Tais produtos viajariam até os portos de Santarém e Vila do Conde, que ficam cerca de dois mil quilômetros mais próximos de Rotterdam (Holanda) e de Xangai (China), o que garantiria redução do custo do frete transoceânico. Porém, o governo federal anunciou recentemente a construção das hidrelétricas de São Luis do Tapajós, Jatobá, Jardim de Ouro e Chacorão no rio Tapajós, com previsão de término em 2015. E nenhuma delas tem o projeto de eclusas.

Nesse cenário, rondam informalmente duas informações: a primeira é que o setor elétrico necessita dessas hidrelétricas e que o Ministério dos Transportes não providenciou até o momento o projeto das eclusas. A segunda é que o custo das eclusas não pode ser incluído no custo do KWh. Para isso, basta considerar no modelo econômico-financeiro a receita com a eclusagem a ser embutida na concessão como Parceria Público Privada (PPP).

É preciso salientar que, se a eclusa for construída junto com a hidrelétrica, seu custo será infinitamente menor do que se construída depois, além do enorme tempo que demoraria tal execução. Basta ver como exemplo a eclusa de Tucuruí, no Pará, que demorou trinta anos para ser construída a um custo bem maior do que o previsto inicialmente, e o caso de Itaipu, que até hoje não teve a eclusa construída, o que torna inviável a navegação do rio Paraná em direção à Argentina. O mesmo desfecho também terá a hidrovia do rio Xingu, onde a hidrelétrica de Belo Monte está sendo construída também sem a eclusa.

É difícil acreditar que por falta de coordenação interministerial, de um lado se pratique um discurso quase que generalizado, mostrando vantagens e benefícios que a hidrovia traz em relação aos modais ferroviários e rodoviários e, de outro, se impeça de forma quase maquiavélica que elas realmente sejam implantadas. É urgente a necessidade de intervenção do Ministério dos Transportes, do Planejamento e da Casa Civil para reverter o quadro atual de inviabilidade das hidrovias da Amazônia Legal para tornar essa imensa região mais competitiva, gerando mais renda e emprego. Os frutos serão colhidos não apenas pelos nove estados que a compõem, mas também por todo o país.
Mais Lidas De Hoje
veja Também
PD&I
Rio ganha novo Centro de Referência em Tecnologia da Inf...
17/12/25
Etanol de milho
Produção de etanol de milho cresce, mas disputa por biom...
17/12/25
Gás Natural
Produção de gás natural bate recorde no Brasil, e consum...
17/12/25
Biodiesel
ANP reúne representantes de laboratórios para discussões...
17/12/25
Pré-Sal
Cerimônia marca início da produção do campo de Bacalhau,...
17/12/25
Logística
Santos Brasil recebe autorização para operar com capacid...
16/12/25
Indicadores
ETANOL/CEPEA: Indicadores são os maiores da safra 25/26
16/12/25
Sergipe
Projeto Sergipe Águas Profundas reforça expansão da ofer...
15/12/25
Etanol
Hidratado sobe pela 9ª semana seguida
15/12/25
Meio Ambiente
Shell Brasil, Petrobras e CCARBON/USP lançam o Carbon Co...
12/12/25
Energia Solar
Desafios de topografia na geração de energia solar: conh...
12/12/25
Oferta Permanente
Seminário da ANP apresenta informações sobre a Oferta Pe...
12/12/25
Drilling
SLB conclui a construção do primeiro poço de injeção de ...
12/12/25
Drilling
Shell assina contrato com a Valaris para uso de sonda of...
12/12/25
Royalties
Estudo revela proporção de royalties na receita municipa...
12/12/25
Sergipe Oil & Gas 2026
SOG26 destaca Sergipe como nova fronteira na produção de...
12/12/25
Biocombustíveis
Sessão especial celebra 8 anos do RenovaBio e reforça su...
12/12/25
Navegação Interior
A Revolução Livre de Graxa no setor de embarcações de se...
12/12/25
Reconhecimento
IBP conquista novamente o "Oscar dos Eventos" com a ROG....
11/12/25
Firjan
Rio pode ganhar mais 676 mil empregos com estímulo a 9 n...
10/12/25
Reconhecimento
Programa Nacional de Transparência Pública concede certi...
10/12/25
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.