Agroenergia

H-Bio reduzirá em 15% importações de diesel do país

Valor Econômico
16/10/2006 00:00
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A Petrobras espera reduzir as importações de diesel a partir de 2007, quando dará início à produção industrial do H-Bio, uma mistura de 10% de óleo vegetal no diesel. Paulo Roberto Costa, diretor de abastecimento da estatal, afirma que nesta primeira fase, as compras externas devem ser reduzidas em 15%, o equivalente a US$ 145 milhões.

Em 2008, as importações de diesel serão reduzidas em 25%. Conforme o projeto divulgado pela estatal em maio, a meta é produzir no próximo ano 2,56 milhões de metros cúbicos de H-Bio, o que vai demandar 256 mil litros de óleo de soja. No segundo ano do projeto, a produção aumentará para 4,25 milhões de metros cúbicos e a demanda de óleo de soja corresponderá a 425 mil litros.

"Toda oferta de H-Bio e biodiesel vai ajudar a reduzir a dependência do mercado externo, gerar emprego no campo e aumentar a arrecadação de impostos", afirma Costa. Segundo ele, hoje, 10% do diesel consumido no país é importado. Em 2005, as importações somaram 12,393 milhões de metros cúbicos, de acordo com dados da Secex.

A produção em escala comercial do H-Bio será feita na Refinaria Gabriel Passos (Regap), de Minas Gerais, a partir de dezembro. Para tanto, a empresa abrirá licitação, até o início de novembro, para adquirir o óleo de soja. O volume a ser comprado é mantido em sigilo. "Vamos continuar fazendo a compra do óleo regionalmente, para não ter custos altos de deslocamento", explica.

Na fase de testes, a unidade da Cargill de Uberlândia forneceu a matéria-prima para a Regap. Na refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), de Araucária (PR), a unidade da Dreyfus de Ponta Grossa forneceu o óleo.

Também foram feitos testes na refinaria Alberto Pasqualini (Refap), do Rio Grande do Sul. Juntas, as três refinarias receberam investimentos de US$ 38 milhões para produzir e armazenar o H-Bio.

De acordo com Costa, o H-Bio será comercializado pela Petrobras a partir de janeiro. No primeiro semestre do próximo ano, a empresa também iniciará a produção industrial do biocombustível nas refinarias do Paraná e Rio Grande do Sul. No segundo semestre, o H-Bio também será produzido na refinaria do Planalto, em Campinas (SP).

Uma questão a ser resolvida entre Petrobras e governo refere-se à venda do H-Bio. "Hoje existe uma legislação que regulamenta o comércio do biodiesel, mas ainda não há uma específica para o H-Bio", observa Costa. Atualmente, o Ministério de Minas e Energia e a Agência Nacional de Petróleo (ANP) discutem, como será a venda do produto - se terá bombas próprias nos postos ou se será vendido juntamente com o biodiesel.

Na área de biodiesel, a Petrobras também iniciará produção própria no próximo ano, com a construção de três usinas - em Quixadá (CE), Candeias (BA) e Montes Claros (MG). Juntas, demandarão um investimento próximo a US$ 80 milhões e terão capacidade para produzir 150 milhões de litros do biocombustível por ano. "Quanto mais houver H-Bio e biodiesel disponível, melhor para a Petrobras e para o país. Existe demanda para os dois", afirma Costa.

A mistura de 2% de biodiesel no diesel será obrigatória a partir de 2008, mas hoje a Casa Civil e o Ministério de Minas e Energia estudam antecipar a meta para o primeiro semestre de 2007, tendo em vista a oferta disponível.

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