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Leilão

Governo estuda leilão para elétricas

12/11/2014 | 10h36

O governo federal sinalizou aos distribuidores de energia que dois leilões, e não apenas um como está planejado, devem ser realizados para evitar um desequilíbrio nas companhias em 2015.

Segundo Nelson Leite, presidente da Abradee, associação dos distribuidores, além do pleito marcado para o dia 5 de dezembro, um outro deve acontecer em janeiro.

Os leilões são a única forma que essas empresas possuem para comprar energia suficiente para garantir o fornecimento sem precisar recorrer ao mercado de curto prazo, segmento no qual a eletricidade é mais cara.

A opção por realizar dois leilões pode acontecer porque, em junho de 2015, encerram-se os contratos de concessão de 33 usinas, com de cerca de 4.500 megawatts de capacidade instalada.

Caso permaneça o plano de realizar apenas um leilão, corre-se o risco dos distribuidores contratarem menos energia do que o necessário, no caso de aparecerem poucas ofertas, ou ficarem com excesso de energia a partir de julho, quando a energia das usinas em fim de concessão será repartida entre eles.

O primeiro leilão já possui as regras definidas. Os geradores podem ofertar energia de fonte hidráulica e térmica por um prazo de três ou cinco anos, com início do suprimento em 1º de janeiro.

No segundo, o prazo de suprimento seria de apenas seis meses, tempo necessário para garantir o fornecimento aos distribuidores até o fim das concessões.

Leite afirma que a necessidade de contratação no leilão de dezembro era de cerca de 5.000 MW, mas com a sinalização da realização de um segundo, essa necessidade despenca para 696 MW.

Todo o restante seria comprado no pleito de janeiro.

Especialistas do setor entendem que essa é a decisão mais acertada.

“Os dois leilões juntos podem gerar uma contratação equilibrada para suprir o problema. É uma estratégia mais segura do que a realização de apenas um pleito”, afirma Silvio Areco, da consultoria Andrade e Canellas.

“Assim, até as usinas cujas concessões vencem em 2015 poderão vender energia no leilão”, diz o consultor Carlos Augusto Kirchner.

O governo precisa atuar de forma precisa nesses leilões para garantir que os distribuidores não enfrentem mais um ano de dificuldades.

Em 2014, por causa do fracasso de dois leilões no ano passado, os distribuidores tiveram de comprar energia por até R$ 822 por megawatt-hora no mercado de curto prazo e registraram perdas de R$ 21,8 bilhões.

O governo precisou organizar um socorro junto a bancos e com repasses do Tesouro para sanar o caixa das companhias.

A Aneel e a EPE (Empresa de Pesquisa Energética), que organizam os leilões, não confirmaram a informação.



Fonte: Folha de São Paulo Online
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