Golfo do México

Golfo do México volta a atrair gigantes do petróleo

Novos projetos estão voltando às águas americanas do Golfo do México.

Valor Econômico
25/11/2014 09:56
Visualizações: 760

Quatro anos depois do desastre da plataforma Deepwater, novos projetos das gigantes do petróleo estão voltando às águas americanas do Golfo do México — maiores e mais caros que antes.

A plataforma Olympus, da Royal Dutch Shell PLC, é uma mini-indústria flutuante fervilhando de atividade humana, a 210 quilômetros da costa do Estado de Louisiana. Maior que um quarteirão e mais pesado que um porta-aviões, a Olympus está entre as cerca de dez novas plataformas multibilionárias que já estão explorando ou vão explorar petróleo nas águas profundas do Golfo até o fim do próximo ano.

Esse renascimento pode ter vida curta se a queda nos preços do petróleo, que recuaram cerca de 30% desde junho, continuar e levar empresas a adiar investimentos significativos na região.

No curto prazo, contudo, a atividade promete recolocar o Golfo entre as principais fontes de petróleo dos Estados Unidos. Em 2001, essas águas produziram cerca de 25% de todo petróleo e gás natural do país. Desde então, a produção caiu pela metade, uma vez que poços foram se esgotando e o governo emitiu menos licenças após a explosão da Deepwater Horizon, em 2010, e o subsequente vazamento de

petróleo. Em 2013, o Golfo do México respondeu por menos de 10% da produção americana, em parte devido à crescente exploração de formações de xisto.

Os novos projetos no golfo, de empresas como Hess Corp., Exxon Mobil Corp. e Chevron Corp., possuem uma capacidade de exploração conjunta de cerca de 900 mil barris por dia — mais do que a produção de petróleo e gás da Califórnia. Isso não incluiu a produção de dois projetos da BP PLC, que não quis fornecer números.

Os custos estão subindo, também porque os novos poços ficam mais longe da costa e em águas mais profundas. O custo de perfurar poços em águas profundas é hoje até 25% maior que em 2010, segundo a Shell e a Chevron, e eles podem custar US$ 300 milhões cada. Novas regulamentações obrigam as empresas a incluir medidas de segurança como uma série adicional de válvulas projetadas para vedar um poço fora de controle. A falha de um dispositivo semelhante causou o acidente da Deepwater.

A perfuração de um poço de águas profundas está levando, em média, 13% mais tempo que antes do vazamento de 2010, segundo a empresa de pesquisas Kessler Energy LLC, em parte porque os equipamentos precisam passar por mais inspeções e manutenção. Os projetos no mar também estão competindo pelos trabalhadores qualificados que podem encontrar trabalho mais perto de casa nos campos de xisto, onde não precisam passar semanas longe das famílias.

Sendo assim, embora novos projetos em andamento devam elevar a produção de petróleo nas águas profundas do Golfo a um recorde de 1,9 milhão de barris diários em 2016, analistas da Wood Mackenzie prevêem que o crescimento deve pararem seguida em função dos custos altos e das limitações tecnológicas.

A Hess informou, na semana passada, que começou a extrair petróleo de seu projeto Tubular Bells, a cerca de 220 quilômetros ao sul de Nova Orleans. A Exxon Mobil e a Anadarko Petroleum Corp. planejam iniciar outros dois projetos grandes no Golfo, nos próximos meses. A Hess, a Chevron e outros parceiros autorizaram recentemente investimentos de US$ 6 bilhões na área, mesmo com os preços de petróleo em seu menor nível em quatro anos, abaixo de US$ 80 por barril.

Até a BP, que assumiu a culpa pelo acidente com a Deepwatere teve despesas de US$ 43 bilhões ligadas a ele, está desenvolvendo tecnologia de exploração em águas profundas. Ela planeja investir US$ 4 bilhões por ano na região pelos próximos dez anos.

Para as grandes empresas do setor, explorar as água do Golfo é atraente comparado com outras partes do mundo. Muitos países ricos em petróleo, do Oriente Médio à América Latina, limitam os lucros das petrolíferas. Os poços em águas profundas também são mais produtivos que os de xisto.

Ao contrário de muitos projetos recentes da Shell e de outras companhias, a plataforma Olympus entrou em operação antes do programado e dentro do orçamento. Ela começou a explorar petróleo e gás em fevereiro. Para reduzir custos, a Shell usou equipamentos feitos de polietileno, material resistente a corrosão que é mais barato do que os usados anteriormente, segundo a RMB Products Inc., que fabrica os novos componentes.

Hoje, a Olympus processa até 100 mil barris de petróleo por dia, cerca de 3% da produção global da Shell. A petrolífera tem ainda outro projeto no Golfo para explorar um campo três vezes mais profundo que o da Olympus, com quase três quilômetros de lâmina d’água.

Mais Lidas De Hoje
veja Também
Macaé Energy
Macaé Energy 2026 encerra com público recorde de 15 mil ...
19/03/26
Exportações
Firjan manifesta preocupação com a oneração das exportaç...
19/03/26
Energia Solar
Newave Energia e Gerdau inauguram Complexo Solar de Barr...
19/03/26
Combustíveis
Diesel chega a R$ 7,17 com conflito entre EUA e Irã, apo...
19/03/26
Petrobras
Museu do Petróleo e Novas Energias irá funcionar no préd...
19/03/26
Pesquisa e Inovação
MODEC impulsiona inovação e P&D com ideias que apontam o...
19/03/26
Etanol
Geopolítica e energia redesenham o papel do etanol no ce...
19/03/26
Energia Elétrica
Copel vence leilão federal e vai aumentar em 33% a capac...
19/03/26
Macaé Energy
Macaé Energy: debates focam no papel estratégico do gás ...
18/03/26
Economia
Firjan vê início da queda da Selic como positivo para a ...
18/03/26
Internacional
Petrobras confirma nova descoberta de gás na Colômbia
18/03/26
Publicações
IBP fortalece editora institucional, amplia publicações ...
18/03/26
Macaé Energy
Acro Cabos de Aço participa da Macaé Energy 2026
18/03/26
Macaé Energy
Macaé Energy 2026 consolida município como capital nacio...
17/03/26
Macaé Energy
Com recorde de público, feira e congresso do Macaé Energ...
17/03/26
Macaé Energy
Macaé Energy debate segurança energética e inovação no s...
16/03/26
Macaé Energy
Firjan: congresso técnico é um dos pontos altos do Macaé...
16/03/26
Combustíveis
Etanol mantém leve alta no indicador semanal, enquanto P...
16/03/26
Petrobras
O diesel está mais caro
16/03/26
Oferta Permanente
Oferta Permanente de Concessão (OPC): aprovada a indicaç...
16/03/26
Bacia de Campos
ANP fiscaliza plataforma na Bacia de Campos
14/03/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.

23