Etanol

Força-tarefa discute padrão internacional para transformar etanol em commodity

Agência Brasil
11/02/2008 09:11
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A força-tarefa de técnicos do Brasil, dos Estados Unidos e da União Européia criada para definir um padrão internacional para o etanol já concluiu e divulgou no início do mês a primeira etapa do trabalho de harmonização das especificações técnicas do produto.
Essa padronização objetiva facilitar o comércio internacional do produto, dando-lhe padrão mundial com possibilidade de se tornar uma commodity (produto primário negociado em bolsas de mercadorias).
O consultor de qualidade do Grupo Única (União da Industria da Cana-de-Açúcar), José Felix Silva, representante dos produtores brasileiros na força-tarefa, disse que nas avaliações que vêm sendo feitas há consenso sobre a maioria das especificações em discussão, embora ainda haja discordância sobre o percentual de água presente no etanol.
“Foi feita uma avaliação sobre todas as especificações e houve acordo sobre a maioria delas. Embora ainda haja algumas pendências, o único item ainda não acordado é o que diz respeito ao teor de água no etanol”.
Segundo José Felix, enquanto os Estados Unidos defendem um teor de água no etanol em torno de 1%, e o Brasil em cerca de 0,5%, os países da União Européia querem limitar este teor de água presente no álcool a apenas 0,24%.
“Este valor defendido pelos europeus é muito baixo e pode significar uma redução na produção brasileira de etanol, porque nós seremos obrigados a retirar mais água e aí se perde, segundo nossas estimativas, em torno de 7% da produção total de álcool do produto no país, hoje em torno de 14 bilhões de litros, e seriam, portanto, de dois a três bilhões de litros a menos na nossa produção”, explicou.

Apesar da expectativa de que se possa chegar a um acordo ainda este ano sobre a questão do teor da água no etanol, o técnico lembra que o grupo de trabalho criado pelo Brasil, Estados Unidos e União Européia não estipulou um prazo para a conclusão das negociações.

Ele informa que no próximo dia 13 de março o documento divulgado no início do mês pelos principais países produtores e exportadores será apresentado aos outros possíveis parceiros no negócio de etanol, como a Índia e a África do Sul.
Das 15 especificações examinadas, oito são compatíveis aos três mercados, entre as quais a densidade e o teor de enxofre, de cobre e de aço, enquanto seis são distintas.
A partir de agora, o grupo vai trabalhar para alinhar os diferentes padrões, harmonizar as especificações técnicas e avaliar custos.
Os problemas gerados a partir da não uniformização da qualidade do etanol vão desde a dificuldade na logística de armazenamento e distribuição até a possibilidade de contaminação (mistura) do produto.

Fonte: Agência Brasil

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