Etanol

Febre do álcool deve considerar baixas do petróleo

Reuters
04/09/2006 00:00
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SÃO PAULO - O Brasil tem um imenso potencial como fornecedor mundial de energia, com o etanol, mas os investidores da área devem estar atentos a possíveis baixas no preço do petróleo, inclusive intencionais, afirmou nesta segunda-feira Vijay V. Vaitheeswaran, especialista em energia da revista britânica The Economist.

Convidado pela União da Agroindústria Canavieira de São Paulo (Unica) a falar sobre energia no lançamento do Ethanol Summit, seminário sobre álcool a ser realizado em São Paulo em junho de 2007, ele alertou que este é um cenário possível, e que os investidores devem estar preparados para essas eventuais quedas de preço.

"No momento, está difícil produzir mais petróleo. Mas lembrem-se que isso pode não se manter para sempre. Pode haver uma crise do sistema financeiro na China ou simplesmente se a economia global cresce um pouco menos que o esperado. Há muitas razões pelas quais a demanda flutua", disse ele a jornalistas, após sua apresentação.

Vaitheeswaran indicou que essas reduções podem ser inclusive intencionais.

Segundo ele, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) normalmente controla a produção da commodity para manter seu preço elevado, mas que já houve ocasiões em que a produção foi ampliada para reduzir os preços, como em 1998, para punir a Venezuela, acusada de violar o sistema de cotas.

"Os sauditas estão muito bem informados das alternativas (ao petróleo). Elas podem ser limpas como o álcool ou sujas como as areias do Canadá. Ambas são ameaças para a OPEP", disse ele.

"A história do mercado de commodities mostra que preços sobem, preços caem... Não prevejo preços, só chamo a atenção das pessoas que falam que os preços podem ir apenas para cima, sugiro a elas que leiam a história econômica uma vez mais."

O aumento da demanda por álcool combustível no Brasil, devido ao crescimento da frota de carros biocombustíveis, e também no mundo, devido aos preços elevados do petróleo, está estimulando um grande volume de investimentos no país.

Aproximadamente 90 projetos de novas usinas de açúcar e álcool estão sendo conduzidos no Brasil, parte deles com investimento estrangeiro.

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