Negócios do Petróleo

Falta de áreas inibe operação das pequenas petroleiras

Valor Econômico
08/06/2010 09:10
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Doze anos depois da abertura do setor de petróleo e gás no Brasil, a atividade de pequenas e médias empresas aumentou, mas elas não conseguiram decolar. Pelo contrário. Em um universo ainda ocupado pelo gigantismo da Petrobras, algumas empresas pequenas e médias fazem associações para explorar as concessões adquiridas, um fato comum na indústria. Mas sem licitações da Agência Nacional do Petróleo (ANP), a única oportunidade de se explorar petróleo ou gás no Brasil atualmente é por meio da aquisição de áreas já licitadas, através dos chamados "farm in". Em 2008 a ANP promoveu a 10ª Rodada, o último leilão, mesmo assim apenas com áreas em terra.

 

Essa escassez de oportunidades aumentou a procura por parcerias. É isso que vai permitir, por exemplo, que a recém-criada Barra Energia, que reúne o ex-presidente da Repsol João Carlos França de Luca e Renato Bertrani (ex-Petrobras), consiga operar no país.

 

A falta de oportunidades também aumenta o preço das áreas hoje à venda, e pode favorecer negociações de empresas maiores, como a própria OGX, que colocou 20% de alguns ativos na bacia de Campos à venda. Outra beneficiada por esse movimento foi a Oil M&S, do empresário argentino Cristóbal López. A empresa se tornou a maior detentora de áreas (112.961 quilômetros quadrados, o equivalente ao território da Inglaterra) depois da 7ª Rodada, realizada em 2005.

A Oil M&S gastou R$ 430 mil na aquisição, sempre pelo valor mínimo, de 22 blocos na bacia do São Francisco e 21 blocos na bacia de Solimões (Amazonas), onde a Petrobras produz gás e petróleo levíssimo em Urucu.

 

Em 2009 a Oil M&S vendeu todas as áreas para a Petra Energia uma empresa do grupo STR, de Roberto Viana Batista. A Petra vendeu áreas (ou fez "farm out") de 51% dos blocos na Amazônia para a HRT Oil & Gas. Segundo Marcio Mello, presidente da HRT, as áreas foram adquiridas por US$ 30 milhões, o que significa uma valorização de 68.000% em relação ao preço mínimo do leilão. A Petra também vendeu 70% de sete blocos na bacia do Parnaíba para a OGX e ainda tem 100% de uma extensa área no São Francisco, com pouco mais de 70 mil quilômetros quadrados.

Outro exemplo de valorização de áreas está no preço pago pela chinesa Chinochen Corporation, que no mês passado anunciou a aquisição de 40% do campo Peregrino, da Statoil, na bacia de Campos, por US$ 3,07 bilhões. Esse campo foi fruto de negociações recentes. Primeiro a Statoil comprou a participação de 50% da Anadarko por aproximadamente US$ 1,4 bilhão líquidos (já descontados impostos), em negócio concluído no início do ano passado. E pouco mais de um ano depois vendeu uma fatia menor pelo dobro do preço. Essas negociações não devem ser as últimas já que existem outras áreas no Brasil disponíveis para "farm in", como da El Paso e da italiana Eni na bacia de Camamu-Almada e até em águas rasas da bacia de Santos. Os chineses estão de olho.

 

Se as empresas de maior porte que já produzem petróleo fecham negócios bilionários, a situação das companhias menores é mais complicada. Exemplo extremo é da Geobrás, que fez sua estreia em 2005, na 7ª Rodada. Ela arrematou nove blocos na bacia do São Francisco (MG) mas não teve fôlego para ir adiante e sequer assinou o contrato de concessão com a ANP.

 

Atualmente existem 77 concessionárias na área de petróleo e gás. Dessas, 39 são brasileiras, segundo a ANP. As pequenas companhias operam em áreas em terra, mas sua produção é insignificante. Dos 235 campos produzindo em terra no Brasil, 194 são operados pela Petrobras e apenas 31 estão nas mãos de pequenas empresas. Dados da Associação Brasileira dos Produtores Independentes de Petróleo e Gás (ABPIP) mostram que as pequenas empresas produzem apenas 1,5 mil barris de petróleo e gás por dia - contra 2 milhões de barris diários da Petrobras - apesar de terem investido US$ 2 bilhões entre 2005 e 2009. O valor é maior do que o compromisso assumido quando as empresas assinaram contrato com a agência reguladora.

 

 

Fonte: Valor Econômico/ Cláudia Schüffner, do Rio

 

 

 

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