Transporte

Estudo da Antaq revela novo potencial hidroviário do País

Cerca de 25 mil quilômetros de vias navegáveis podem ser utilizados para o transporte de cargas em todo o país. A extensão é quase o dobro do que o governo considerava originalmente. Os novos dados integram o Plano de Desenvolvimento Hidroviário, divulgado ne

A Tribuna
23/11/2012 08:59
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Cerca de 25 mil quilômetros de vias navegáveis podem ser utilizados para o transporte de cargas em todo o país. A extensão é quase o dobro do que o governo considerava originalmente. Os novos dados integram o Plano de Desenvolvimento Hidroviário, divulgado nesta quarta-feira pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), que elaborou o estudo. Até então, a União trabalhava com apenas 13 mil quilômetros de vias capazes de movimentar mercadorias.
 

O estudo foi apresentado no primeiro dia da sétima edição do Seminário SEP de Logística, promovida pela Secretaria de Portos (SEP) em parceria com a Associação Brasileira de Terminais e Recintos Alfandegados (Abtra). O evento, que reúne autoridades e empresários do setor, acontece até amanhã, em Fortaleza (CE). 
 

A divulgação dos primeiros dados do estudo provou que nem mesmo as autoridades tinham conhecimento do potencial hidroviário do País – característica estratégica para o desenvolvimento nacional, considerando que uma barcaça é capaz de transportar 4,4 mil toneladas, total que demandaria 110 vagões ou 220 caminhões.
 

A apresentação do plano integrou o primeiro painel do seminário, que tratou da integração dos modais de transporte de cargas. O estudo foi debatido pelo gerente de Desenvolvimento e Regulação da Navegação Interior da Antaq, Adalberto Tokasrsk. Apesar do grande potencial, existem fatores que podem dificultar o desenvolvimento do setor hidroviário. Um deles é o clima, que pode mudar a profundidade e o fluxo dos rios. Outra questão que deve ser levada em conta é o desenvolvimento energético. 
 
 
Neste caso, a falta de planejamento na construção de usinas hidrelétricas prejudica a navegação. Em estruturas como as de Itaipú, no Paraná, e Santo Antonio, em Rondônia, a instalação de eclusas não foi um item obrigatório no projeto. Isto compromete o transporte de cargas pelos rios. 
 
 
“Com esse destaque, todo o planejamento muda. Podemos começar a estudar a integrar o Mercosul pelas hidrovias e acessar o Oceano Pacífico, encurtando as distâncias para a China, que é o nosso maior comprador das commodities agrícola e mineral”, destacou o secretário-executivo da Abtra, Matheus Miller. 
 
 
Os últimos ajustes no pacote de concessões para os portos, que deve ser anunciado pela Presidência da República nos próximos dias, foram responsáveis por duas ausências no seminário da SEP ontem. O presidente da Empresa Brasileira de Logística (EPL), Bernardo Figueiredo, e o diretor geral da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), Tiago Lima, não participaram do evento pois tiveram de permanecer em Brasília para participar de reuniões sobre o projeto.
 
 
Esses encontros também levaram o ministro dos Portos, José Leônidas Cristino, a antecipar sua partida, que ocorreu logo após a cerimônia de abertura, pela manhã. Durante sua rápida participação na solenidade, Cristino não falou sobre o pacote do Governo para o setor. “Todos querem que eu fale do novo modelo, mas, evidentemente, não vou falar”, afirmou. 
 

O ministro disse apenas que há a intenção de incentivar a participação da iniciativa privada no setor portuário e integrar os investimentos do segmento aos já divulgados para os setores rodoviário e hidroviário, que somam R$ 133 bilhões. 
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