Petrobras

Estatal deve reajustar gás em 12%

O Estado de S. Paulo
15/04/2011 09:46
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O reajuste do gás natural fornecido pela Petrobras a seus consumidores - principalmente indústrias e termelétricas - deve ficar 12% mais caro a partir de 1.º de maio, calculam fontes do setor. O porcentual considera três tipos de reajuste que deverão incidir sobre o combustível.


O primeiro é referente ao contrato trimestral que a companhia possui com seus clientes e que prevê o repasse das alterações verificadas em uma cesta de óleos do mercado internacional. A média dos últimos seis meses desta cesta é repassada a cada três meses. Como considera um período anterior, a tendência é de que o reajuste fique abaixo do preço verificado no momento.


Isso faz com que um outro tipo de "ajuste" semestral ocorra sobre os preços do gás nacional e boliviano. Isso deve acontecer também em maio.


Já um terceiro indicador, desta vez anual, e que incide apenas sobre o gás nacional, tem como base a taxa de inflação medida pelo Índice Geral de Preços de Mercado (IGP-M) dos últimos 12 meses. O repasse também acontece em maio.


É neste fator de indexação inflacionária que consiste a maior base do aumento, dizem os consultores, sem querer abrir a base de cálculo. "Na verdade só teremos um cálculo mais preciso depois do fechamento do preço do petróleo em abril. Qualquer estimativa antes disso é ‘chutômetro’", disse o consultor Marco Tavares, em entrevista à Agência Estado.


Pressão. Segundo ele, alguns outros fatores podem influenciar para que a companhia puxe para baixo o porcentual do repasse.


Entre eles, o mais forte é a pressão vinda tanto dos grandes consumidores do gás nacional - que não se conformam em pagar muito mais caro do que o preço do gás boliviano e ameaçam retomar o uso de óleo combustível, bem mais barato - quanto da própria necessidade da Petrobrás de dar vazão ao excedente de gás nacional.


A oferta da empresa só cresce com novas áreas produtoras entrando em operação e este ano tem sido chuvoso o bastante para que a previsão de acionamento das usinas térmicas seja menor do que o que ocorreu em anos anteriores.


O gás natural em questão serve apenas como combustível para geração de energia para as usinas térmicas.


Equação difícil. "É uma equação que ainda por se resolver e qualquer número que o mercado esteja ditando pode mudar radicalmente. Mas esta mudança deve ocorrer para baixo por conta do cenário atual no mercado interno e também externo", disse outro consultor, que não pôde se identificar por normas da casa em que trabalha.


Segundo ele, a exploração do shale gas, ou gás de xisto, no mercado americano contribuiu para que o combustível passasse a ser excedente em todo o mundo, o que derrubou seus preços.


"Isso tem que ter seu peso no mercado doméstico, já que o parâmetro é o mercado internacional", disse, destacando que o valor do gás no mercado externo a cada dia se distancia mais do preço do barril de petróleo.
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