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Biogás

Empresas disputam gás do lixo

26/08/2014 | 10h07

 

A produção do combustível deixa em lados opostos empresas vendedoras de gás e produtoras de eletricidade. Eles brigam por um mercado com potencial para produzir pelo menos 90 milhões de metros cúbicos por dia.
A guerra pela energia do lixo
Às vésperas do primeiro leilão para contratar usinas a biogás, cresce conflito sobre o melhor uso para o gás gerado por aterros sanitários e rejeitos da agropecuária.
Em uma reunião agendada para hoje, a empresa Biometano vai tentar convencer a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) que o gás gerado em aterros sanitários e por rejeitos da agropecuária, chamado de biogás, é mais eficiente se jogado nas redes de distribuição do combustível do que em usinas termelétricas. A ofensiva é um sinal de acirramento na competição, que hoje já acontece na captação de clientes, entre os investidores interessados em vender o biogás como combustível e aqueles que planejam projetos de geração de energia em aterros ou perto da agroindústria. Em disputa, um potencial de produção estimado em pelo menos 90 milhões de metros cúbicos por dia.
A Ecometano quer evitar que a EPE dê incentivos, via preços altos, para a contratação de projetos térmicos a biogás no próximo leilão de energia de reserva, previsto para 31 de outubro. Há oito projetos desse segmento inscritos para participar do leilão, o primeiro que prevê ofertas separadas para usinas a biogás. Os preços e volumes contratados só serão definidos no dia do leilão. “Usar biogás para gerar eletricidade significa abrir mão de transformá-lo em Gás Natural Renovável (GNR) e economizar bilhões de dólares em divisas”, argumenta Márcio Schit-tini, diretor de Desenvolvimento de Negócios da Ecometano.
A empresa inaugurou no início do mês a primeira planta de aproveitamento de biogás voltada para a venda de gás natural no país. O produto é extraído do aterro sanitário Dois Arcos, em São Pedro da Aldeia, na Região dos Lagos fluminense, e seria injetado na rede da distribuidora CEG. A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), porém, frustrou os planos por ausência de regulamentação sobre o combustível no país — o processo de definição da composição e regras de comercialização está em curso e deve ser concluído no fim do ano.
Enquanto isso há uma corrida por contratos para a geração de energia por biogás no país. Segundo documento elaborado por Itaipu são hoje 23 projetos em operação, com potência total de 84,8 megawatts (MW), e outros 12 já outorgados pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), que vão acrescentar 145 MW à capacidade instalada. A maior parte das usinas já em funcionamento está ligada a projetos agroindustriais — com produção de gás em biodigestores, a partir de dejetos animais. O estudo vê imenso potencial na indústria sucroalcooleira, que poderia gerar 26 bilhões de metros cúbicos por ano com a produção de gás natural a partir da linhaça.
“Usar o potencial do biogás para gerar eletricidade significa abrir mão de transformá-lo em Gás Natural Renovável (GNR) e economizar bilhões de dólares em divisas para o país, Márcio Schittini – Diretor da Ecometano”
Uma das unidades em operação é a Itajaí Biogás e Energia, do grupo JMalucelli, que há quatro meses produz energia a partir do gás gerado no aterro sanitário da cidade catarinense. Com investimento inicial de R$ 7,5 milhões e potência de 1 MW, o projeto foi pensado para atingir 2 MW caso o mercado absorva a energia — por enquanto, a empresa tem contratos bilaterais de curto prazo com consumidores específicos. Eduardo Covas Barrionuevo, diretor da JMalucelli Ambiental, diz que não participará do primeiro leilão, mas nega que a tecnologia precise de incentivos para sobreviver: “Com quatro meses de operação, tenho todo o modelo econômico revisado. E posso dizer que o resultado é muito bom”.
Segundo ele, a usina gera energia a R$ 200 por megawatt-hora (MWh) e lhe garante uma taxa de retorno de 12%. Por isso, a companhia tem metas ousadas, de chegar a uma capacidade de 50 MW em dois anos, e tem negociações avançadas com proprietários de aterros em todo o país. A empresa propõe sociedade nos lucros das usinas. “Agora temos enfrentado a concorrência de quem quer fazer apenas o biogás, que chega propondo um outro modelo de negócio”, confidencia, indicando que a concorrência vem se acirrando no mercado.
“Para dar retorno a investidores, o preço para essa geração de eletricidade deve ser de R$ 200/MWh, enquanto outras fontes tão renováveis quanto ela tem um custo de aquisição muito menor (R$ 90 para hidrelétricas, R$ 120 para eólicas, R$ 150 para PCHs e R$ 160 para bagaço de cana, nos últimos leilões)”, rebate Schittini. “O gasto adicional de R$ 175 milhões a R$ 480 milhões por ano”, completa o executivo, defendendo que o uso do combustível como gás natural, embora mais caro do que o gás produzido em campos petrolíferos, poderia reduzir importações do combustível da Bolívia ou via gás natural liquefeito (GNL).
“É claro que, se tiver incentivo, melhor. Mas, com quatro meses de operação (da usina em Itajaí), tenho todo o modelo econômico revisado e posso dizer que o resultado é muito bom ”  -
Eduardo Covas Barrionuevo, Diretor da JMalucelli Ambiental”
A empresa tem cinco projetos, três deles em aterros sanitários e dois em biodigestores, com potencial para a produção de até 1,2 milhão de metros cúbicos de biogás por dia. Qualquer definição sobre a injeção do combustível nas redes de distribuição, porém, só poderá ser tomada após a conclusão da regulamentação pela ANP. Segundo os envolvidos, a agência alega que há componentes na composição do produto cujos efeitos ainda não são conhecidos — notadamente o siloxano, produzido a partir do silício e muito usado na construção civil.
O órgão regulador determinou à Ecometano que faça testes em motores e equipamentos para avaliar os impactos antes de pedir nova autorização para a venda do produto. Inicialmente, o combustível será usado em veículos da frota da empresa e do aterro Dois Arcos.

A produção do combustível deixa em lados opostos empresas vendedoras de gás e produtoras de eletricidade. Eles brigam por um mercado com potencial para produzir pelo menos 90 milhões de metros cúbicos por dia.

A guerra pela energia do lixo

Às vésperas do primeiro leilão para contratar usinas a biogás, cresce conflito sobre o melhor uso para o gás gerado por aterros sanitários e rejeitos da agropecuária.

Em uma reunião agendada para hoje, a empresa Biometano vai tentar convencer a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) que o gás gerado em aterros sanitários e por rejeitos da agropecuária, chamado de biogás, é mais eficiente se jogado nas redes de distribuição do combustível do que em usinas termelétricas. A ofensiva é um sinal de acirramento na competição, que hoje já acontece na captação de clientes, entre os investidores interessados em vender o biogás como combustível e aqueles que planejam projetos de geração de energia em aterros ou perto da agroindústria.

Em disputa, um potencial de produção estimado em pelo menos 90 milhões de metros cúbicos por dia.

A Ecometano quer evitar que a EPE dê incentivos, via preços altos, para a contratação de projetos térmicos a biogás no próximo leilão de energia de reserva, previsto para 31 de outubro. Há oito projetos desse segmento inscritos para participar do leilão, o primeiro que prevê ofertas separadas para usinas a biogás. Os preços e volumes contratados só serão definidos no dia do leilão. “Usar biogás para gerar eletricidade significa abrir mão de transformá-lo em Gás Natural Renovável (GNR) e economizar bilhões de dólares em divisas”, argumenta Márcio Schit-tini, diretor de Desenvolvimento de Negócios da Ecometano.

A empresa inaugurou no início do mês a primeira planta de aproveitamento de biogás voltada para a venda de gás natural no país. O produto é extraído do aterro sanitário Dois Arcos, em São Pedro da Aldeia, na Região dos Lagos fluminense, e seria injetado na rede da distribuidora CEG. A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), porém, frustrou os planos por ausência de regulamentação sobre o combustível no país — o processo de definição da composição e regras de comercialização está em curso e deve ser concluído no fim do ano.

Enquanto isso há uma corrida por contratos para a geração de energia por biogás no país. Segundo documento elaborado por Itaipu são hoje 23 projetos em operação, com potência total de 84,8 megawatts (MW), e outros 12 já outorgados pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), que vão acrescentar 145 MW à capacidade instalada. A maior parte das usinas já em funcionamento está ligada a projetos agroindustriais — com produção de gás em biodigestores, a partir de dejetos animais. O estudo vê imenso potencial na indústria sucroalcooleira, que poderia gerar 26 bilhões de metros cúbicos por ano com a produção de gás natural a partir da linhaça.

“Usar o potencial do biogás para gerar eletricidade significa abrir mão de transformá-lo em Gás Natural Renovável (GNR) e economizar bilhões de dólares em divisas para o país, Márcio Schittini – Diretor da Ecometano”

Uma das unidades em operação é a Itajaí Biogás e Energia, do grupo JMalucelli, que há quatro meses produz energia a partir do gás gerado no aterro sanitário da cidade catarinense. Com investimento inicial de R$ 7,5 milhões e potência de 1 MW, o projeto foi pensado para atingir 2 MW caso o mercado absorva a energia — por enquanto, a empresa tem contratos bilaterais de curto prazo com consumidores específicos. Eduardo Covas Barrionuevo, diretor da JMalucelli Ambiental, diz que não participará do primeiro leilão, mas nega que a tecnologia precise de incentivos para sobreviver: “Com quatro meses de operação, tenho todo o modelo econômico revisado. E posso dizer que o resultado é muito bom”.

Segundo ele, a usina gera energia a R$ 200 por megawatt-hora (MWh) e lhe garante uma taxa de retorno de 12%. Por isso, a companhia tem metas ousadas, de chegar a uma capacidade de 50 MW em dois anos, e tem negociações avançadas com proprietários de aterros em todo o país. A empresa propõe sociedade nos lucros das usinas. “Agora temos enfrentado a concorrência de quem quer fazer apenas o biogás, que chega propondo um outro modelo de negócio”, confidencia, indicando que a concorrência vem se acirrando no mercado.

“Para dar retorno a investidores, o preço para essa geração de eletricidade deve ser de R$ 200/MWh, enquanto outras fontes tão renováveis quanto ela tem um custo de aquisição muito menor (R$ 90 para hidrelétricas, R$ 120 para eólicas, R$ 150 para PCHs e R$ 160 para bagaço de cana, nos últimos leilões)”, rebate Schittini. “O gasto adicional de R$ 175 milhões a R$ 480 milhões por ano”, completa o executivo, defendendo que o uso do combustível como gás natural, embora mais caro do que o gás produzido em campos petrolíferos, poderia reduzir importações do combustível da Bolívia ou via gás natural liquefeito (GNL).

“É claro que, se tiver incentivo, melhor. Mas, com quatro meses de operação (da usina em Itajaí), tenho todo o modelo econômico revisado e posso dizer que o resultado é muito bom ”  - Eduardo Covas Barrionuevo, Diretor da JMalucelli Ambiental”

A empresa tem cinco projetos, três deles em aterros sanitários e dois em biodigestores, com potencial para a produção de até 1,2 milhão de metros cúbicos de biogás por dia. Qualquer definição sobre a injeção do combustível nas redes de distribuição, porém, só poderá ser tomada após a conclusão da regulamentação pela ANP.

Segundo os envolvidos, a agência alega que há componentes na composição do produto cujos efeitos ainda não são conhecidos — notadamente o siloxano, produzido a partir do silício e muito usado na construção civil.

O órgão regulador determinou à Ecometano que faça testes em motores e equipamentos para avaliar os impactos antes de pedir nova autorização para a venda do produto. Inicialmente, o combustível será usado em veículos da frota da empresa e do aterro Dois Arcos.

 



Fonte: Brasil Econômico
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