Negócios

Discussão entre Uruguai e Argentina deve atrair cargas para Rio Grande

Com a decisão da Argentina de proibir o transbordo de exportações pelos portos uruguaios, é provável que as cargas passem pelo porto vizinho, ou seja, o de Rio Grande. Apesar de prever que, com a medida, o porto gaúcho acabará movi

Jornal do Commercio
07/11/2013 11:10
Visualizações: 1032
“Essa velha é pior que o vesgo.” A frase escapuliu da boca do presidente do Uruguai, José Mujica, em abril, fazendo referência à presidente da Argentina, Cristina Kirchner, e ao seu falecido marido, o ex-presidente Néstor Kirchner. Talvez o dirigente tenha repetido a sentença nos últimos dias, devido à decisão da Argentina de proibir o transbordo de exportações dessa nação pelos portos uruguaios. Uma decorrência dessa ação é a perspectiva de atração de cargas por um porto vizinho, ou seja, o de Rio Grande.

Apesar de prever que, com a medida, o porto gaúcho acabará movimentando parte das cargas dessas duas nações, o superintendente do Porto do Rio Grande, Dirceu Lopes, considera que a questão implica mais ônus do que bônus, pela ruptura de acordos bilaterais que afetará a região. “Quem tem uma visão mais ampla do processo de estabilização econômica da região, vê isso com um olhar de preocupação”, aponta o dirigente. O superintendente considera uma lástima o litígio entre os dois países. “Na construção do Mercosul, isso não ajuda em nada.” Inclusive, a decisão do governo argentino envolvendo os portos seria uma retaliação à instalação de uma planta de celulose, no lado uruguaio, na fronteira entre os dois países.

Lopes afirma que preferiria trabalhar com a complementariedade, ao invés de entrar em uma competição corrosiva. O superintendente recorda que vários seminários foram realizados para debater a integração entre os portos de Rio Grande, Buenos Aires e Montevidéu, e essa situação atual atrapalha a ideia de consolidação de um polo portuário forte na região. Outra preocupação do superintendente é que um reflexo desse cenário seja o cancelamento das rotas de alguns navios para a região, podendo atingir Rio Grande também.

De acordo com Lopes, o porto de Montevidéu movimenta ao ano cerca de 100 mil TEUs (unidade equivalente a um contêiner de 20 pés) em exportações argentinas e mais 30 mil TEUs em importações com destino a esse país. Número expressivo, já que a movimentação total do complexo é de aproximadamente 800 mil TEUs anualmente. O superintendente alerta que também poderá acontecer retaliação por parte do Uruguai e isso pode dificultar questões de dragagem ou outras ações no rio da Prata, onde estão situados ambos os portos. Lopes espera uma solução política para a discussão, o que pode ocorrer através da mediação de um país como o Brasil.

Até lá, Lopes adianta que Rio Grande tem capacidade para absorver um eventual acréscimo de cargas. O porto pode receber até 50 milhões de toneladas e o terminal de contêineres do complexo também pode facilmente aumentar sua movimentação. Para o dirigente, entre as cargas que poderão ser atraídas para o estado estão: soja, minério e manufaturados transportados em contêineres. O diretor-presidente do Tecon Rio Grande, Paulo Bertinetti, também acrescenta nessa lista cargas como autopeças, frutas e congelados.


Porto tem qualificação necessária para concentrar a movimentação do Conesul

“O porto do Rio Grande, independente das dificuldades políticas ou comerciais entre os dois países mais próximos, sempre se manteve à frente em investimentos, na relação com os armadores e, pelas condições físicas, visa concentrar cargas do Conesul”, enfatiza o diretor-presidente do Tecon Rio Grande, Paulo Bertinetti. O executivo ressalta ainda que os navios estão ficando cada vez maiores, alcançando tamanhos que os portos do rio da Prata terão dificuldade em atender futuramente, sendo Rio Grande o candidato natural a concentrar essas cargas.

O diretor-presidente do Tecon considera uma situação extremamente difícil assistir a dois países que fazem parte do Mercosul entrarem em discussões acirradas. Bertinetti destaca que a Argentina vem tomando uma série de decisões em relação ao comércio exterior que está afetando todo o arredor. O coordenador da comissão de infraestrutura do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas e Logística no Rio Grande do Sul (Setcergs) e diretor-presidente da Navegação Taquara, Frank Woodhead, também acredita que algumas cargas deverão ser atraídas para Rio Grande, mas não em volumes exagerados.

Woodhead prevê que os problemas internacionais gerados na Argentina persistirão enquanto Cristina Kirchner estiver ocupando a presidência. “Depois, as coisas têm que voltar para o normal, não é possível que isso continue do jeito que está, pois prejudica a todos, toda a economia”, frisa o dirigente.
Mais Lidas De Hoje
veja Também
Resultado
ANP divulga dados consolidados do setor regulado em 2025
30/06/26
Energy Summit
Copa Energia lança desafio de inteligência artificial pa...
30/06/26
Fenasucro
FenaBio debate avanço do SAF e o papel do Brasil na avia...
30/06/26
Transição Energética
Evento reúne especialistas para discutir os desafios e o...
29/06/26
ANP
Royalties: valores referentes à produção de abril foram ...
29/06/26
Combustível
Etanol fecha a semana em alta e amplia recuperação no me...
29/06/26
Margem Equatorial
Aprovada a indicação de 86 blocos na Margem Equatorial p...
27/06/26
Oferta Permanente
Oferta Permanente: ANP divulga empresas aptas a particip...
26/06/26
Energia Elétrica
Demanda por energia elétrica cai quase 11% nos jogos do ...
26/06/26
FPSO
MODEC e Eld Energy assinam Memorando de Entendimento par...
26/06/26
Biometano
Com apoio da ABiogás e da SEMIL, USP inaugura usina de e...
26/06/26
Rio de Janeiro
PIB do estado do Rio cresce 4,2%, puxado pelo desempenho...
26/06/26
Gás Natural
Naturgy investe R$ 4,7 milhões em infraestrutura de gás ...
26/06/26
GNL
Gás natural: aprovada resolução sobre acesso aos termina...
26/06/26
Fertilizantes
Petrobras assina contratos para retomada das obras da UF...
26/06/26
Acordo
Acelen Renováveis e Trafigura assinam acordo estratégico...
26/06/26
Energy Summit
Energy Summit 2026: arena Diálogos da Transição debate p...
26/06/26
Biometano
CGOB: ANP inicia participação social sobre Informe Técnico
26/06/26
Petrobras
Lubnor, referência em asfaltos e produtos especiais come...
25/06/26
Combustíveis
Painel dinâmico da ANP mostra dados de comercialização d...
25/06/26
Combustíveis
Aumento da mistura de etanol na gasolina fortalece produ...
25/06/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.