América do Sul

Desenvolvimento da Bolívia depende de exportações de gás

BNamericas
05/09/2005 00:00
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O governo da Bolívia fará todo o possível para exportar gás natural dentro do Cone Sul e a América do Norte, dado que o recurso é chave para o desenvolvimento interno, disse na sexta-feira (02-09) o cônsul geral do país no Chile, Víctor Rico.
Durante uma reunião de correspondentes efetuada em Santiago, Rico afirmou que o gás era fundamental e que o desenvolvimento das exportações de gás e a industrialização do gás constituem a oportunidade para deixar para trás o sudesenvolvimento.
Exportar gás boliviano não foi fácil e depois de que o debate sobre qual porto usar para exportar o gás natural liqüefeito (GNL) se estendessse por anos, os investidores do proposto projeto de GNL abandonaram o país para concentrar-se em oportunidades em outros lugares.
 Recuperar a soberania marítima é propriedade para a Bolívia, segundo Rico, que acrescentou que o gás sem dúvida formaria parte de qualquer discussão marítima com o Chile, país que tirou da Bolívia sua costa em uma guerra no final do sécurlo XIX.
Mas vender GNL a América do Norte não é a única opção que tem Bolívia, dado que há outros mercados que necessitam muito do combustível e que estão mais próximos, destacou Rico.
As exportações para o Brasil, que na atualidade são de 24 a 26 milhões de m³ por dia (Mm³/d), poderiam chegar a 30Mm3/d, dado que o país utiliza 100% da capacidade do duto que une os dois países.
Além do mais, as exportações para a Argentina chegam hoje a cerca de 7Mm3/d, que também poderia elevar-se a 30Mm3/d nos próximos anos se se constrói um gasoduto proposto que conectaria a província boliviana de Tarija, onde abunda o recurso, com o nordeste da Argentina, acrescentou o funcionário.
Mas mesmo exportando essas quantidades a Argentina e ao Brasil, assim como também 10-12Mm3/d ao Paraguai e gaseificar a economia boliviana de maneira que todos os veículos, lares e indústrias usem gás, o pais ainda teria reservas para mais 100 anos, disse Rico.
As reservas certificadas de gás da Bolívia se situavam em 56 bilhões de pés cúbicos no final de 2004, ano em que a produção foi de 362 bilhões de pés cúbicos. A importância do gás para a economia se evidencia no fato de que 2004, as exportações de gás por US$ 620 milhões representaram 27,5% dos US$ 2.254 milhões de exportações totais do país. Junto com outros produtos, tais como líquidos de gás natural - que são subprodutos da produção de gás - as exportações de hidrocarbonetos alcançaram os US$ 847 milhões, equivalente a um 37,6% do total das exportações.

Exportações ao Paraguai  - Em agosto, dirigentes da Bolivia e do Paraguai se reuniram na cidade boliviana de Tarija e acordaram produzir um documento, marco para um gasoduto desde Bolívia até o Paraguai e possivelmente, desde ali até o Brasil ou a Argentina.
As quantidades seriam pequenas, e o acordo também compreende que o Paraguai entregue à Bolívia uma área livre de impostos no rio Paraguai apra distribuir produtos relacionados com o gás, indicou Rico, quem acrescentou que segundo a projeção atual o gasoduto implicaria ao menos uma parte de capitais privados.
A construção deste gasoduto esteve em discussão por algum tempo e em 2002 se disse que se estenderia por 850 km desde Tarija até Volta Grande e de Assunção, no Paraguai, com ramais para oeste até os três principais mercados do país: Vallemi, Ciudad del Este e Encarnación.
Os diâmetros do gasoduto variariam entre 10 e 18 polegadas e o investimento seria de aproximadamente US$ 226 milhões.

Gasoduto do Sul - O principal projeto de duto na região é o denominado Gasoduto do Sul que - pelo menos na teoria - levaria o combustível desde os campos peruanos de Camisea até o Chile e, desde ali, à Argentina e ao Brasil.
A Bolívia está participando nas reuniões com os seis países interessados no desenvolvimento da linha - Brasil, Uruguai, Paraguai, Argentina, Chile e Peru - mas em vista de que ainda não se compromete, o projeto mudou o nome original de Anel Energético, dad que sem a Bolívia não haveria o anel.
Rico não fez comentário sobre se Bolívia consideraria necessário o projeto e disse que a decisão se tomaria uma vez que se defina o marco legal do projeto.

Investimentos upstream - Uma série de operadores estrangeiros congelaram seus investimentos na Bolívia, dissuadidos pelo 50% que se levaria o governo mediante royalties e impostos e pela migração dos atuais contratos a nvoas empresas de risco compartido em sociedade coma a petroleira estatal YPFB.
Rico defendeu que se encontre um equilíbrio entre os interesses das empresas, que esperam maximizar seus lucros, e os interesses da sociedade e o Estado bolivianos. Segundo o cônsul, 90% da população da Bolívia não está em desacordo com que multinacionais de distintas origens exportem e operem recursos bolivianos, mas o que queremé que se compartam os benefícios desta produção, nem sequer com o Estado, se não com a sociedade.
Este equilíbrio seria o que deveria ser encontrado na Bolívia e, depois disso, será importante o desenvolvimento do setor de hidrocarbonetos, o que permitiria à Bolívia sair da pobreza e alcançar os níveis de um país desenvolvido, defendeu.
Encontrar o ponto exato de equilíbrio não será fácil, acrescentou, mas se demonstrou convencido de que conseguirão.

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