Agroenergia

Demanda por etanol no Centro-Sul poderá comprometer oferta

Valor Econômico
17/09/2009 03:46
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Relegado a segundo plano nesta safra 2009/10, por conta dos preços mais atraentes do açúcar nas bolsas internacionais, o mercado de álcool combustível começa a reagir e já dá sinais de que a forte demanda pelo produto poderá ser atropelada pela oferta apertada nos próximos meses.

 

As vendas mensais de álcool (anidro e hidratado) no Centro-Sul do país cresceram, em média, 25% neste ciclo (de abril a agosto), por conta dos baixos preços do combustível durante o pico da colheita de cana, e deverão se manter firmes até o fim da safra, de acordo com Antonio de Padua Rodrigues, diretor-técnico da Unica (União da Indústria Canavieira de São Paulo).

 

Em abril deste ano, início da colheita, a venda de álcool hidratado pelas usinas atingiu 1,34 bilhão de litros, saltando para 1,53 bilhão de litros no mês passado. Em abril de 2008, as vendas foram de 1 bilhão de litros, chegando a 1,2 bilhão em agosto. O desempenho do álcool anidro ficou em torno de 500 milhões de litros mensais, segundo a Unica.

 

Apesar da boa demanda pelo produto e atraso na colheita de cana, provocado pelas chuvas na região Centro-Sul, que tem comprometido a produção, os preços do álcool só começaram a reagir nas últimas semanas. Na sexta-feira, o litro do álcool hidratado encerrou a R$ 0,7879 (sem impostos), no mercado paulista, com aumento de 6% sobre a semana anterior. No ano, a valorização é de 7%, enquanto o açúcar no mercado interno acumula alta de 70%, segundo o Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada).

 

Analistas ouvidos pelo Valor acreditam os preços não terão espaço para cair muito mais nos próximos meses, mas também não devem registrar grandes saltos como os do açúcar, que já acumulam valorização de cerca de 90% na bolsa de Nova York.

 

Para Padua, somente a forte alta do álcool no mercado internacional poderá conter o forte crescimento da demanda. No início da safra, os estoques de passagem do combustível estavam em 1,9 bilhão de litros. A previsão é de que eles estejam praticamente zerados em março do ano que vem, quando termina o ciclo 2009/10.

 

A queda das exportações brasileiras do álcool, que estão projetadas em torno de 3 bilhões em 2009/10, ante 4,2 bilhões de litros de 2008/09, deverá garantir parte da oferta no mercado interno.

 

"Os estoques de álcool deverão ficar apertados até o fim da safra. Com as chuvas atrapalhando a colheita, muitas usinas deverão emendar essa moagem na outra", afirmou John Claude Zarb, diretor de "soft commodities" da corretora Icap. "A expectativa é de que a moagem nesta primeira quinzena de setembro fique abaixo dos 30 milhões de toneladas, esmagados na segunda quinzena de agosto", afirmou.

 

Rodrigo Bortone, da trading Bauche Energy, observa que a produção de álcool combustível é viável neste momento, mas a crise mundial estancou a demanda global pelo produto.

 

"O mercado de álcool reagiu, com as usinas retomando as vendas. Não vejo os preços do combustível caindo, mas se acomodando", afirmou Marcelo Andrade, diretor da Ecoflex Trading. Na região Nordeste, cuja safra teve início em setembro, os preços do combustível estão mais firmes. O açúcar naquela região está tendo uma resposta altista muito mais rápida por conta do desempenho das cotações nas internacionais.

 

A expectativa é de que o Brasil processe cerca de 600 milhões de toneladas de cana na safra 2009/10. Não fossem as chuvas sobre os canaviais , as usinas do Centro-Sul poderiam ultrapassar sem dificuldade os 550 milhões de toneladas de cana. No entanto, a expectativa é de que 40 milhões de toneladas fiquem em pé nos canaviais. Isto significa, que as usinas deixarão de produzir 1,9 bilhão de litros de etanol e 2,26 milhões de toneladas de cana. A produção nacional está estimada em 27 bilhões de litros de álcool e 35 milhões de toneladas de açúcar.

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