Cotação

Custo de energia e gás afeta indústrias

O avanço no preço da energia elétrica e do gás natural tem provocado uma queda gradual na competitividade da indústria brasileira. Ao lado do câmbio valorizado, os dois insumos se tornaram os principais vilões das empresas na hora de traçar suas estratégias. Algumas desistiram de ampliar su

Redação/ Agências
01/11/2010 08:24
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O avanço no preço da energia elétrica e do gás natural tem provocado uma queda gradual na competitividade da indústria brasileira. Ao lado do câmbio valorizado, os dois insumos se tornaram os principais vilões das empresas na hora de traçar suas estratégias. Algumas desistiram de ampliar suas fábricas, outras perderam mercado para os importados e há ainda aquelas que já estudam alternativas nos países vizinhos.


Em seis anos, o preço do gás nacional subiu 266% (segundo a Associação Brasileira de Grandes Consumidores Industriais de Energia e de Consumidores Livres - Abrace) e o da energia elétrica, 51%, enquanto a inflação somou 40%.

 

No caso da eletricidade, o período avaliado não inclui o grande salto verificado entre 2002 e 2003, quando o governo iniciou o processo de realinhamento tarifário e elevou o preço médio para a indústria em 40%, numa única tacada. Se for considerado esse período, o aumento até agora soma 154%.

 

"O resultado desses números é a redução da competitividade do produto nacional, que tem perdido cada vez mais espaço para os importados", diz o presidente da Abrace, Paulo Pedrosa. Ele destaca que o preço do gás natural brasileiro custa quase o dobro do valor cobrado nos Estados Unidos, em torno de US$ 6,6 o milhão de BTU (Unidade Térmica Britânica).

 

Em 2007, com uma crise de abastecimento, a Petrobrás renegociou os contratos com as distribuidoras e os preços subiram cerca de 30%, diz o presidente da consultoria Gas Energy, Marco Tavares. Embora o balanço entre oferta e demanda tenha se equilibrado, os preços continuaram elevados. A tarifa de energia não fica atrás. É a terceira maior do mundo, segundo dados da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

 

Usinas próprias. Para o coordenador da Comissão de Energia da Associação Brasileira do Alumínio (Abal), Eduardo Spalding, se as indústrias do setor dependessem 100% da energia comprada no mercado, muitas não estariam operando hoje. A salvação é que no passado elas conseguiram construir suas próprias usinas, o que lhes permite uma energia com o custo mais barato, diz o executivo.

 

"Aquelas empresas que estavam ligadas na rede de distribuição, cujo custo é mais alto, acabaram fechando as portas, como o caso da Valesul e a Novelis, em Ouro Preto. O custo da indústria de alumínio no Brasil saiu da faixa do mercado mundial", afirma Spalding.

 

Ele observa que, apesar de toda demanda mundial de alumínio e de ter a segunda maior reserva de bauxita, há 25 anos não é construído um novo smelter (unidade produtiva de alumínio primário) no País. "O que existe hoje é a expansão de plantas já existentes", afirma Spalding, destacando que a energia elétrica representa 35% do preço de cada tonelada de alumínio.

 

Em busca de competitividade, afirma ele, as companhias estão buscando novas alternativas nos países vizinhos, como é o caso da Rio Tinto Alcan que desenvolve estudo para uma unidade produtora de 500 mil toneladas de alumínio no Paraguai - a empresa quer usar a energia mais barata de Itaipu. O problema é que as perspectivas não são nada animadoras. A expectativa é de novos aumentos nos preços da energia.

 

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