Prejuízo

Crise provoca lotação de terminais de cargas

<P>A crise internacional deixou lotados os terminais portuários e alfandegários do país. Nos pátios e armazéns, amontoam-se cargas que vieram do exterior e que ainda não foram nacionalizadas. Os importadores estão preferindo manter as mercadorias armazenadas, pois não querem arcar com valore...

Gazeta do Povo
16/11/2008 22:00
Visualizações: 417

A crise internacional deixou lotados os terminais portuários e alfandegários do país. Nos pátios e armazéns, amontoam-se cargas que vieram do exterior e que ainda não foram nacionalizadas. Os importadores estão preferindo manter as mercadorias armazenadas, pois não querem arcar com valores tão altos de impostos, calculados de acordo com a cotação do dólar no momento da nacionalização da carga. Por conta disso, o Terminal de Contêineres de Paranaguá (TCP), que normalmente tem 70% da sua capacidade cheia, agora está com ocupação de 90%. No porto seco de Curitiba, a lotação atual é de 80%, contra 60% em períodos normais.

A maior parte das cargas armazenadas foi adqurida há cerca de três meses, quando a cotação do dólar era de aproximadamente R$ 1,60. Mas, a partir de meados de setembro, quando as cargas começaram a chegar, a taxa de câmbio começou a subir. O diretor-executivo da Pinho International Logistics, Sávio Ferreira de Souza, explica qual o impacto disso para o importador: Se um empresário compra uma máquina de US$ 10 mil, geralmente vai destinar 60% desse valor para quitar impostos. Como o dólar passou de R$ 1,60 para mais de R$ 2, cerca de R$ 0,50 a mais, o valor do imposto a pagar aumentou quase 30%. Ou seja, nesse caso hipótetico, em vez de pagar R$ 9,6 mil, ele teria que pagar, no mínimo R$ 12,6 mil.

Os tributos sobre os produtos importados sejam peças, máquinas ou brinquedos variam de 40% a 70% do valor do bem. Há o Imposto de Importação (II), ICMS, PIS/Cofins e IPI, quando se trata de manufaturados. Eles só são convertidos em reais quando é feito o desembaraço aduaneiro.

Por enquanto, os principais terminais alfandegários do Paraná ainda têm espaço para armazenar cargas. Segundo a assessoria de imprensa do TCP, o terminal, que atua desde 1996, nunca havia registrado uma lotação tão alta. No porto seco de Curitiba, administrado pela Eadi-Sul, do grupo Columbia, a situação é a mesma: em 12 anos de atividades, nunca antes a ocupação havia batido na casa dos 80%, de acordo com o diretor da empresa, Hario Tieppo.

Souza, da Pinho, diz que essa crise causou um agravante. Normalmente, o empresário que não tem dinheiro vai ao banco fazer um empréstimo. Desta vez, não há crédito algum. Segundo ele, a maior parte dos importadores que estão esperando para nacionalizar as cargas são médios e pequenos empresários, que não têm costume de realizar operações de seguro cambial, como hedge. Na opinião dele, o governo federal poderia criar medidas para ajudar esses empresários. Nesses casos específicos, poderia-se adotar a cotação do dólar no dia do embarque do produto, lá atrás, em vez de considerar o valor da moeda no dia da nacionalização da mercadoria.

Há quem pense diferente. A questão é comercial, não tem relação com o governo federal. E esse será mais um processo de aprendizagem para o importador brasileiro, diz o diretor de desembaraço e logística da MacLogistic, João Emílio Thomaz Granato. As regras são claras. O fato gerador do tributo de importação é o momento da nacionalização. Se isso mudasse, poderia gerar mais burocracia, acrescenta.

Os importadores, quando trazem mercadorias no regime normal, podem mantê-las por até 120 dias nos postos alfandegários. É muito mais vantajoso deixá-la assim, pois o custo de armazenagem é um porcentual muitíssimo menor do que o peso dos tributos, diz Tieppo, da Eadi-Sul.

Mais Lidas De Hoje
veja Também
Gás Natural
ANP prorroga consulta pública sobre cálculo do Método do...
22/06/26
Rio de Janeiro
Anuário do Petróleo no Rio, da Firjan, destaca que recor...
22/06/26
Biometano
Com mercado cinco vezes maior desde 2020, setor de biome...
22/06/26
Petrobras
Com investimento estimado de US$ 1,2 bilhão, Petrobras a...
22/06/26
Combustíveis
Etanol fecha a semana em recuperação e mostra sinais de ...
22/06/26
Inteligência Artificial
Impacto industrial: Executivo brasileiro integra novo co...
20/06/26
Indústria Naval
Ecovix assina contrato para a construção de quatro navio...
19/06/26
Exportações
Para ONIP tributação sobre exportações de petróleo compr...
18/06/26
Aviação
Fórum IBP SAF reúne setor privado e agentes públicos par...
18/06/26
Pré-Sal
Consórcio de Libra liderado pela Petrobras contrata Cepe...
18/06/26
Eólica Offshore
Com representante no Comitê Diretor da CEM, o WFO reforç...
18/06/26
Combustíveis
ANP realiza segunda parte de audiência pública sobre car...
18/06/26
PPSA
Produção de petróleo da União atinge 187 mil barris por ...
18/06/26
ANP
ANP faz pesquisa para aprimorar sua Carta de Serviços
17/06/26
Resultado
Atlas Portuário do ES: portos capixabas movimentam 137,5...
17/06/26
Hidrogênio Verde
SENAI CIMATEC, HYTRON e PETROGAL BRASIL (JV Galp/Sinopec...
17/06/26
Apoio Offshore
Transporte aéreo no setor do petróleo cresce 21% em dois...
17/06/26
Pessoas
ENGIE Brasil nomeia Michele Schifino como diretora de Co...
16/06/26
Combustíveis
Propostas de resoluções sobre caracterização da elevação...
16/06/26
Hidrelétrica
Gerdau adquire 100% de participação societária de usina ...
16/06/26
Fenasucro
Otimista, Fenasucro & Agrocana anuncia crescimento e se ...
16/06/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.

25