Meio Ambiente

Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura repudia o projeto que autoriza carros leves a diesel

Assessoria Unica/Redação
18/05/2016 13:11
Visualizações: 1288

A Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura – movimento formado no fim de 2014 por mais de 120 associações não governamentais, empresas e entidades empresariais, entre elas a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), com o objetivo de contribuir para o avanço das agendas de proteção, conservação e uso sustentável das florestas e da agricultura, bem como, para a mitigação da emissão de gases de efeito estufa e para a adaptação às mudanças climáticas – vem a público alertar a sociedade brasileira e informar que REPUDIA veementemente o Projeto de Lei nº. 1013-A/2011, que tramita no Congresso Nacional.

O referido Projeto de Lei, que aprova a produção em grande escala de automóveis e outros veículos leves a diesel para o mercado nacional, ao promover o aumento no uso do óleo diesel – combustível fóssil de elevado potencial poluidor – é lesivo aos interesses nacionais e globais de redução das emissões de carbono e promoção das alternativas de energia limpa e renovável, colocando em sério risco os compromissos brasileiros assumidos na COP21, em Paris, relativos à redução das emissões e aumento progressivo do percentual de biocombustíveis na matriz energética.

Trata-se evidentemente de uma iniciativa que está na contramão dos esforços necessários para a redução dos gases de efeito estufa. Além disso, como destacado por especialistas nas audiências públicas sobre o Projeto de Lei, caso aprovado, gerará incremento substancial na emissão de poluentes atmosféricos, notadamente as perigosas partículas ultrafinas, classificadas pela Organização Mundial da Saúde como cancerígenas, e os óxidos de nitrogênio (NOx), associados a diversas doenças respiratórias, como asma e bronquite, concorrendo, portanto, para o agravamento das condições de saúde da população.

Oportuno considerar que os NOx também concorrem para a formação do ozônio troposférico (formado no nível da superfície da terra), que, nessas condições, além de seus efeitos tóxicos aos seres vivos, também atua como gás de efeito estufa. O cenário que se projeta é sombrio, envolvendo a ocorrência de aumento na morbidade e mortalidade da população e a necessidade de dispêndios adicionais em saúde. Como fica evidente, a aprovação do projeto representa um evidente retrocesso nas políticas ambiental e de saúde do país.

Oportuno destacar ainda que os automóveis a diesel irão pressionar a demanda por tal combustível e contribuir para a necessidade de aumento na sua importação e, consequentemente, de dispêndio de divisas pelo país. Também irão concorrer no mercado com os veículos flex, que operam com 100% de etanol e com gasolina que contém 27% de etanol, os quais apresentam desempenho ambiental superior, representando a melhor alternativa disponível para a rápida descarbonização da matriz de combustíveis automotivos do País.

O incentivo aos veículos diesel que ocorreu nas últimas décadas, principalmente na Europa, se mostrou desastroso, provocando episódios agudos de poluição do ar em diversos países que demandaram medidas emergenciais de proibição do tráfego de veículos e redução das atividades econômicas, como as registradas em 2015 em Paris, Londres e Madrid (1). Dessa maneira, é inadmissível que enquanto autoridades e instituições europeias reconhecem que as políticas que subsidiaram por anos o consumo do óleo diesel em veículos leves são responsáveis por prejuízos irreparáveis à saúde, ao meio ambiente e à economia propondo, inclusive, o sucateamento de veículos diesel, Projetos de Lei como o supracitado, possam prosperar no Congresso Nacional.

Assim, trazendo à luz essas informações de elevado interesse público, a Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura conclama o Congresso Nacional a REPROVAR E ARQUIVAR o Projeto de Lei nº 1013-A/2011.

(1) - http://br.reuters.com/article/worldNews/idBRKCN0JC1YP20141128 ; http://www.airqualitynews.com/2015/04/29/supreme-court-orders-new-uk-air-quality-plan/ http://pt.scribd.com/doc/271641490/King-s-College-London-report-on-mortality-burden-of-NO2-and-PM2-5-in-London ; http://www.ecologistasenaccion.org/article29209.html ; http://ccaa.elpais.com/ccaa/2016/04/10/madrid/1460284275_160065.html

 

Mais Lidas De Hoje
veja Também
Biodiesel
ANP prorroga suspensão da comercialização de biodiesel e...
30/12/25
Portos
Governo Federal aprova estudos finais para arrendamento ...
30/12/25
Petrobras
Brasil avança para atender demanda de combustível susten...
29/12/25
Leilão
Petrobras coloca em leilão online as plataformas P-26 e P-19
29/12/25
Automação
A capacitação da tripulação e a conectividade são os ver...
29/12/25
Royalties
Valores referentes à produção de outubro para contratos ...
24/12/25
PD&I
ANP aprimora documentos relativos a investimentos da Clá...
23/12/25
CBios
RenovaBio: prazo para aposentadoria de CBIOS por distrib...
23/12/25
GNV
Sindirepa aguarda redução no preço do GNV para o início ...
23/12/25
Apoio Offshore
OceanPact firma contrato de cerca de meio bilhão de reai...
23/12/25
Sergipe
Governo de Sergipe e Petrobras debatem infraestrutura e ...
23/12/25
Drilling
Foresea é eleita a melhor operadora de sondas pela 4ª ve...
22/12/25
Certificação
MODEC celebra 10 anos da certificação de SPIE
22/12/25
Pré-Sal
ANP autoriza início das operações do FPSO P-78 no campo ...
22/12/25
IBP
Congresso Nacional fortalece papel da ANP
22/12/25
E&P
Investimento para o desenvolvimento do projeto Sergipe Á...
19/12/25
Bahia Oil & Gas Energy
Bahia Oil & Gas Energy abre inscrições para atividades t...
19/12/25
PPSA
Produção em regime de partilha ultrapassa 1,5 milhão de ...
19/12/25
Petroquímica
Petrobras assina novos contratos de longo prazo com a Br...
19/12/25
Energia Eólica
ENGIE inicia operação comercial total do Conjunto Eólico...
18/12/25
Parceria
Energia renovável no Brasil: Petrobras e Lightsource bp ...
18/12/25
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.