Automação

Chinesa Chery planeja fábrica de US$ 700 milhões no Brasil

Gazeta Mercantil
24/04/2009 04:31
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Os chineses apostam no Brasil. O mercado automotivo brasileiro, que cresceu no ritmo do dragão chinês nos últimos anos, desperta a cobiça das montadoras do país da Grande Muralha. A Chery, que começa a comercializar três modelos no mercado nacional este ano, já estuda a instalação de uma fábrica no Brasil até 2012. O presidente mundial do grupo, Yin Tongyao, disse que o crescimento do mercado brasileiro é digno dos grandes emergentes - Rússia, e Índia e a própria China. Por isso, as negociações para a entrada firme no País.

 

"Mas, antes de montar uma fábrica no Brasil, temos que desenvolver a tecnologia flex fuel, que ainda não dominamos. Mas o nosso centro de desenvolvimento já está trabalhando neste projeto", disse o executivo. Está previsto para próximo ano o lançamento no mercado brasileiro de pelo menos um modelo Cherry com a tecnologia bicombustível.

 

O plano da Chery é fazer do Brasil sua base de exportação para a América Latina. O presidente da Chery no Brasil, Luis Curi, disse que deverão ser investidos na implantação da fábrica brasileira cerca de US$ 700 milhões. A capacidade inicial gira entre 100 mil a 150 mil carros produzidos por ano.

 

Estruturação de rede

 

"Do Brasil, vamos enviar os modelos para os países latino- americanos. Estamos na fase de definição do local onde será instalada a fábrica", disse Curi, que faz parte do Grupo JLJ ,que se associou à montadora chinesa para comercializar os carros da Chery no Brasil.

 

Curi disse que, na primeira etapa de estruturação da rede de concessionários, foram investidos US$ 35 milhões. "Teremos entre 15 a 20 revedendores Chery no Brasil neste primeiro momento. Todos eles concentrados nas principais cidades do Sul e Sudeste do País. São modelos que se encaixam no perfil dos consumidores dessas regiões", acrescentou.

 

No Brasil, serão comercializados quatro modelos. O utilitário esportivo Tiggo e o hatch Face serão importados do Uruguai, onde a Chery mantém uma unidade de CKD. Já o compacto QQ3 e as versões seda e hatch do A3 serão trazidas da fábrica de Wuhu, na China. "Serão carros competitivos em seus segmentos, já que possuem qualidade e preço. O mais caro, o A3, deverá custar em torno de R$ 44 mil - isto a versão completa", disse Curi, acrescentando que o A3 no Brasil será rebatizado, para não confundir com o A3 vendido pela Audi.

 

"Ainda não sabemos o novo nome do carro. A idéia é fazer uma campanha entre o público brasileiro para definir como será chamado o modelo", explicou. Todos os modelos serão lançados entre junho e setembro no Brasil. A Chery espera vender cerca de 2,5 mil unidades ainda este ano.

 

Qualidade

 

Um dos obstáculos para a Chery se estabelecer fora da China é a imagem dos produtos chineses no mundo. O vice-presidente mundial da Chery, Zhou Biren, afirmou que a montadora, apesar de nova - a empresa foi inaugurada em 1997- já está baseada em seis países e "ganhando a confiança" dos consumidores. "É um trabalho árduo, mas a confiança se conquista passo a passo. Aconteceu isso com os japoneses e com os coreanos", disse o executivo. Hoje, a Chery mantém operações na Rússia, Ucrânia, Irã, Uruguai, Indonésia e Egito.

 

Ren listou quatro motivos que já expiram confiança dos consumidores fora da China. O primeiro deles é a formação de joint venture com os maiores fornecedores de peças do mundo.

 

Além disso, afirmou ele, a Chery tem acordos com os mais famosos estúdios de design mundiais, como o Pininfarina, que desenha os modelos da italiana Ferrari, entre outros. "Nossa fábrica é muito nova. Por isso, muito automatizada e eficiente. Importamos as linhas de produção da Itália e Alemanha, além de contratar os grandes mestres do Japão e da Coreia. Não há como dizer que não temos qualidades em nossos produtos", disse o executivo.

 

Outras chinesas

 

Além da Chery, outras montadoras chinesas já estudam entrar no mercado brasileiro. A Great Wall já comercializa desde 2008 modelos no Brasil. Neste ano, a montadora deverá vender 60 unidades da picape Hover H5. Agora a empresa procura um parceiro brasileiro para estruturar uma rede de revendedores da marca.

 

Já a Haima, vai apresentar os seus modelos no Salão do Automóvel de São Paulo, no próximo ano. Atualmente a empresa já exporta seus carros para países vizinhos do Brasil, como a Colômbia, Peru e Chile

 

Outra chinesa que deverá desembarcar no mercado brasileiro é a BYD Auto. A idéia, segundo a empresa, é estabelecer parcerias para a importação dos modelos, mas, assim como a Chery, a BYD está adaptando seus carros para serem comercializados no Brasil. De acordo com a empresa, os modelos exportados para o País terão motores movidos a Gás Natural Veicular (GNV).

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