Aço

China continua ditando o rumo na siderurgia

Em 2013, respondeu por 50% da produção mundial.

Valor Econômico
06/01/2014 11:57
Visualizações: 1173

 

A indústria siderúrgica da China continuou dando as cartas e definindo as regras no mercado mundial de aço em 2013. E nada sinaliza que será diferente neste ano. O país manteve firme a política de uso intensivo da capacidade de produção de seu imenso parque fabril de aço, ao mesmo tempo em que sua economia desacelerou.
Com isso, a indústria siderúrgica chinesa respondeu por 50% da produção mundial, enquanto o setor patinava em muitos países do mundo - em especial da Europa e inclusive o Brasil.
As usinas chinesas operaram, na maior parte do ano, ao nível de 65 milhões de toneladas de produção de aço bruto por mês. Assim, deverão fechar 2013 com o recorde de 780 milhões de toneladas, crescimento da ordem de 7% a 8% em relação ao ano anterior.
Além de atender a grande demanda interna do país, as siderúrgicas chinesas continuaram agressivas na desova de material excedente para diversos mercados mundiais. O Brasil não foi exceção nessa estratégia.
Isso provocou um excesso de oferta mundial. Em um momento em que muitas economias desenvolvidas ainda permanecem deprimidas em termos de consumo. Uma consequência imediata foi o achatamento dos preços.
Atualmente, há placa de aço sendo oferecida ao valor FOB país de origem a US$ 470 a tonelada. Assim como bobina laminada a quente por pouco mais de US$ 500 a tonelada no mercado chinês.
Carlos Loureiro, presidente do Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço (Inda), que reúne as empresas que comercializam produtos siderúrgicos planos, diz que houve meses em que chapas de aço chinesas representaram até 85% dos volumes importados.
"O setor, na China, é dominado por siderúrgicas estatais, cujas decisões de produção são de ordem política e não econômica", analisa Loureiro. Segundo ele, "não há uma disciplina" nas empresas e muitas delas operam com margens de ganhos negativas.
Em novembro, das importações de 102 mil toneladas de aço plano pelo Brasil, 59,6% foram procedentes da China. Outros dois países de destaque foram Rússia e Coreia do Sul, com mais 30%. Entretanto, em três tipos de aço - laminados a frio, chapas galvanizadas a quente e zincados - a participação chinesa variou de 78% a 85% do volume desembarcado, segundo a Secretaria de Comércio Exterior, do MDIC.
A CSN tentou ao longo do ano efetivar um pedido de ação antidumping contra os aços zincados chineses, com o argumento de que grande parte de sua produção final é desse tipo de material. Não foi atendida pelo governo.
No volume acumulado em onze meses de importações de aço plano, produtos chineses ficaram com 52%. Isso representou 805 mil toneladas, sendo bem mais da metade (462 mil toneladas) de material zincado.
A influência da China na siderurgia mundial, avalia Loureiro, ainda se verá por três a quatro anos, levando as fabricantes de aço a exibirem, no geral, resultados muito ruins em seus balanços. "Será difícil absorver o excesso de capacidade de produção de aço existente no mundo", diz.
Uma solução apontada por Marco Polo de Melo Lopes, presidente-executivo do Instituto Aço Brasil (IABr), que representa os empresários brasileiros, principalmente para o caso da China, é a imposição, no médio prazo, de barreiras alfandegárias. Seria um movimento liderado pelos governos de países europeus e dos EUA, bem como de países da América Latina.
O Brasil adotou ao longo do ano sobretaxa sobre importações de chapas grossas da China e outros países da Ásia. Tal medida beneficiou principalmente a Usiminas, que tem duas unidades de produção desse material. Em 2015, a Gerdau terá instalada uma laminadora de chapa grossa no país.
A produção desse tipo de aço na China enfrenta uma ociosidade da ordem de 40% no parque fabril, o que leva as usinas a produzirem e exportar a qualquer custo.
Com o cerco à chapa grossa chinesa, importadores no Brasil passaram a oferecer produto indiano, australiano e sul-africano, que ficaram de fora da ação antidumping.

A indústria siderúrgica da China continuou dando as cartas e definindo as regras no mercado mundial de aço em 2013. E nada sinaliza que será diferente neste ano. O país manteve firme a política de uso intensivo da capacidade de produção de seu imenso parque fabril de aço, ao mesmo tempo em que sua economia desacelerou.

Com isso, a indústria siderúrgica chinesa respondeu por 50% da produção mundial, enquanto o setor patinava em muitos países do mundo - em especial da Europa e inclusive o Brasil.

As usinas chinesas operaram, na maior parte do ano, ao nível de 65 milhões de toneladas de produção de aço bruto por mês. Assim, deverão fechar 2013 com o recorde de 780 milhões de toneladas, crescimento da ordem de 7% a 8% em relação ao ano anterior.

Além de atender a grande demanda interna do país, as siderúrgicas chinesas continuaram agressivas na desova de material excedente para diversos mercados mundiais. O Brasil não foi exceção nessa estratégia.

Isso provocou um excesso de oferta mundial. Em um momento em que muitas economias desenvolvidas ainda permanecem deprimidas em termos de consumo. Uma consequência imediata foi o achatamento dos preços.

Atualmente, há placa de aço sendo oferecida ao valor FOB país de origem a US$ 470 a tonelada. Assim como bobina laminada a quente por pouco mais de US$ 500 a tonelada no mercado chinês.

Carlos Loureiro, presidente do Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço (Inda), que reúne as empresas que comercializam produtos siderúrgicos planos, diz que houve meses em que chapas de aço chinesas representaram até 85% dos volumes importados.

"O setor, na China, é dominado por siderúrgicas estatais, cujas decisões de produção são de ordem política e não econômica", analisa Loureiro. Segundo ele, "não há uma disciplina" nas empresas e muitas delas operam com margens de ganhos negativas.

Em novembro, das importações de 102 mil toneladas de aço plano pelo Brasil, 59,6% foram procedentes da China. Outros dois países de destaque foram Rússia e Coreia do Sul, com mais 30%. Entretanto, em três tipos de aço - laminados a frio, chapas galvanizadas a quente e zincados - a participação chinesa variou de 78% a 85% do volume desembarcado, segundo a Secretaria de Comércio Exterior, do MDIC.

A CSN tentou ao longo do ano efetivar um pedido de ação antidumping contra os aços zincados chineses, com o argumento de que grande parte de sua produção final é desse tipo de material. Não foi atendida pelo governo.

No volume acumulado em onze meses de importações de aço plano, produtos chineses ficaram com 52%. Isso representou 805 mil toneladas, sendo bem mais da metade (462 mil toneladas) de material zincado.

A influência da China na siderurgia mundial, avalia Loureiro, ainda se verá por três a quatro anos, levando as fabricantes de aço a exibirem, no geral, resultados muito ruins em seus balanços. "Será difícil absorver o excesso de capacidade de produção de aço existente no mundo", diz.

Uma solução apontada por Marco Polo de Melo Lopes, presidente-executivo do Instituto Aço Brasil (IABr), que representa os empresários brasileiros, principalmente para o caso da China, é a imposição, no médio prazo, de barreiras alfandegárias. Seria um movimento liderado pelos governos de países europeus e dos EUA, bem como de países da América Latina.

O Brasil adotou ao longo do ano sobretaxa sobre importações de chapas grossas da China e outros países da Ásia. Tal medida beneficiou principalmente a Usiminas, que tem duas unidades de produção desse material. Em 2015, a Gerdau terá instalada uma laminadora de chapa grossa no país.

A produção desse tipo de aço na China enfrenta uma ociosidade da ordem de 40% no parque fabril, o que leva as usinas a produzirem e exportar a qualquer custo.

Com o cerco à chapa grossa chinesa, importadores no Brasil passaram a oferecer produto indiano, australiano e sul-africano, que ficaram de fora da ação antidumping.

 

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