Energia

Cemig vai pedir reajuste de 20% para tarifa à Aneel

Revisão tarifária da empresa está marcada para abril.

Valor Econômico
26/03/2014 11:30
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Cemig vai pedir reajuste de 20% para tarifa à Aneel
O presidente da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), Djalma Bastos de Morais, disse que deve solicitar um aumento de mais de 20% de suas tarifas este ano. A revisão tarifária da empresa está marcada para abril. Em entrevista ao Valor ontem na sede da companhia, Morais disse que está em meio a negociações com a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) sobre o reajuste.
"Por esses dias nós vamos enviar correspondência solicitando oficialmente [o índice de reajuste]. Vamos solicitar o todo e ver o que vem. O todo é provavelmente um pouco acima de 20%", afirmou o executivo. No ano passado, a Aneel definiu um reajuste médio das tarifas da empresa de 3%.
Este ano, os gastos adicionais que a companhia teve em função da estiagem e da necessidade da compra de energia de termelétricas -- mais cara - para cobrir seus compromissos, inflou os cálculos da empresa. "Se não houvesse nada de anormal, o meu custo talvez fosse de 4%, por aí", disse o presidente da Cemig, que indicou que um pedido de mais de 20% ainda depende do que pode mudar nas conversas com a Aneel. "Isso é de hoje, é mais ou menos essa direção. A ideia, os sinais que nós estamos tendo, é que possamos pedir algo em torno desse quantitativo. Mas pode ser que a Aneel diga: "não peça [tudo] peça só o operacional que a gente vai dar outra solução."
Morais diz que ainda não tem clareza sobre a estratégia do governo para lidar com o aumento dos custos das elétricas e como equilibrar essa pressão em um ano eleitoral. Ele diz ter a impressão que o governo vai custear parte do aumento e parte repassará aos consumidores como reajuste das tarifas. "Nós temos um ano atípico, é um ano eleitoral. Então é possível que o governo tome uma medida para não penalizar muito o consumidor."
A Cemig foi uma das companhias elétricas que não aderiram ao novo modelo de renovação de concessões de ativos do setor definido pelo governo no fim de 2012 e que entrou em vigor no início do ano passado. As novas regras promoveram uma redução das tarifas de energia cobradas dos consumidores, mas provocaram um impacto na remuneração das elétricas.
A estatal, que era e até então a maior empresa de energia elétrica da América Latina, perdeu em questão de dois meses, em função das novas regras, 30% de seu valor de mercado. Por não aderir ao novo modelo, a Cemig terá de devolver à União, em 2015, o controle de 18 de suas hidrelétricas. Outras três - São Simão, Miranda e Jaguará - são alvo de disputa entre e empresa e o governo. A Cemig argumenta que tem direito de uma renovação das concessões; o governo sustenta que não. O caso de uma delas, São Simão, já está no Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Para compensar a perda em seu parque gerador, a Cemig passou a intensificar sua política de aquisições. Recentemente, adquiriu 10% que pertenciam à Andrade Gutierrez na usina de Santo Antônio, em Rondônia, e num acordo com a Vale passou a ter pouco mais de 4% da usina de Belo Monte. "Eu não posso dizer que eu já consegui [garantir um aumento de geração própria] metade do que vou perder. Até eu perder, pode ser que eu tenha conseguido tudo. A grande perda vai ser em 2015."
A empresa mineira, segundo Morais, continua em busca de novas aquisições. "Sempre tem conversas em andamento. Mas nem sempre as propostas são compensadoras".
Na noite de segunda-feira, uma notícia trouxe um complicador extra para essas conversas. A decisão da Standard & Poors de rebaixar a classificação do Brasil deverá dificultar a vida da Cemig na hora de captar recursos para futuras aquisições.
"O grande problema nosso é na hora que formos à procura de financiamento para a aquisição de um bem, nós teremos um pouco mais de dificuldade. Nós tínhamos uma determinada taxa e hoje certamente ela será diferente", disse ele. Dificuldade que deverá atingir a todas as elétricas e não só para aquisição, mas também para financiamentos dirigido a um investimento ou em renegociações de empréstimos, avalia o executivo.
A Cemig tem enfrentado dificuldades para conquistar novos ativos em leilões. Seus lances têm sido superados por concorrentes que oferecem deságios mais agressivos. O presidente da empresa diz, no entanto, que a Cemig está "aberta a conversas com qualquer sócio e vamos participar dos próximos leilões de transmissão e geração. Tem um leilão próximo de geração, o de Tapajós, e estamos procurando sócio."
O executivo diz que tem tido conversas sobre a situação energética com o senador e pré-candidato à Presidência da República Aécio Neves (PSDB-MG). Mas trata do assunto com cautela. "Eu não posso me eleger como assessor na área de energia do senador, que é candidato a presidente da República. Mas evidentemente que muitas vezes conversamos um pouco sobre se esse problema de chuva pode prejudicar, se vai haver racionamento ou não."
Morais diz que sobre racionamento, não arrisca previsão. O governo, avalia ele, tem instrumentos para amenizar essa situação. Mas afirma: "Hoje a tendência é que as coisas não estejam dentro do previsível. As perspectivas não são boas."

O presidente da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), Djalma Bastos de Morais, disse que deve solicitar um aumento de mais de 20% de suas tarifas este ano. A revisão tarifária da empresa está marcada para abril. Em entrevista ao Valor ontem na sede da companhia, Morais disse que está em meio a negociações com a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) sobre o reajuste.

"Por esses dias nós vamos enviar correspondência solicitando oficialmente [o índice de reajuste]. Vamos solicitar o todo e ver o que vem. O todo é provavelmente um pouco acima de 20%", afirmou o executivo. No ano passado, a Aneel definiu um reajuste médio das tarifas da empresa de 3%.

Este ano, os gastos adicionais que a companhia teve em função da estiagem e da necessidade da compra de energia de termelétricas -- mais cara - para cobrir seus compromissos, inflou os cálculos da empresa. "Se não houvesse nada de anormal, o meu custo talvez fosse de 4%, por aí", disse o presidente da Cemig, que indicou que um pedido de mais de 20% ainda depende do que pode mudar nas conversas com a Aneel. "Isso é de hoje, é mais ou menos essa direção. A ideia, os sinais que nós estamos tendo, é que possamos pedir algo em torno desse quantitativo. Mas pode ser que a Aneel diga: "não peça [tudo] peça só o operacional que a gente vai dar outra solução."

Morais diz que ainda não tem clareza sobre a estratégia do governo para lidar com o aumento dos custos das elétricas e como equilibrar essa pressão em um ano eleitoral. Ele diz ter a impressão que o governo vai custear parte do aumento e parte repassará aos consumidores como reajuste das tarifas. "Nós temos um ano atípico, é um ano eleitoral. Então é possível que o governo tome uma medida para não penalizar muito o consumidor."

A Cemig foi uma das companhias elétricas que não aderiram ao novo modelo de renovação de concessões de ativos do setor definido pelo governo no fim de 2012 e que entrou em vigor no início do ano passado. As novas regras promoveram uma redução das tarifas de energia cobradas dos consumidores, mas provocaram um impacto na remuneração das elétricas.

A estatal, que era e até então a maior empresa de energia elétrica da América Latina, perdeu em questão de dois meses, em função das novas regras, 30% de seu valor de mercado. Por não aderir ao novo modelo, a Cemig terá de devolver à União, em 2015, o controle de 18 de suas hidrelétricas. Outras três - São Simão, Miranda e Jaguará - são alvo de disputa entre e empresa e o governo. A Cemig argumenta que tem direito de uma renovação das concessões; o governo sustenta que não. O caso de uma delas, São Simão, já está no Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Para compensar a perda em seu parque gerador, a Cemig passou a intensificar sua política de aquisições. Recentemente, adquiriu 10% que pertenciam à Andrade Gutierrez na usina de Santo Antônio, em Rondônia, e num acordo com a Vale passou a ter pouco mais de 4% da usina de Belo Monte. "Eu não posso dizer que eu já consegui [garantir um aumento de geração própria] metade do que vou perder. Até eu perder, pode ser que eu tenha conseguido tudo. A grande perda vai ser em 2015."

A empresa mineira, segundo Morais, continua em busca de novas aquisições. "Sempre tem conversas em andamento. Mas nem sempre as propostas são compensadoras".

Na noite de segunda-feira, uma notícia trouxe um complicador extra para essas conversas. A decisão da Standard & Poors de rebaixar a classificação do Brasil deverá dificultar a vida da Cemig na hora de captar recursos para futuras aquisições.

"O grande problema nosso é na hora que formos à procura de financiamento para a aquisição de um bem, nós teremos um pouco mais de dificuldade. Nós tínhamos uma determinada taxa e hoje certamente ela será diferente", disse ele. Dificuldade que deverá atingir a todas as elétricas e não só para aquisição, mas também para financiamentos dirigido a um investimento ou em renegociações de empréstimos, avalia o executivo.

A Cemig tem enfrentado dificuldades para conquistar novos ativos em leilões. Seus lances têm sido superados por concorrentes que oferecem deságios mais agressivos. O presidente da empresa diz, no entanto, que a Cemig está "aberta a conversas com qualquer sócio e vamos participar dos próximos leilões de transmissão e geração. Tem um leilão próximo de geração, o de Tapajós, e estamos procurando sócio."

O executivo diz que tem tido conversas sobre a situação energética com o senador e pré-candidato à Presidência da República Aécio Neves (PSDB-MG). Mas trata do assunto com cautela. "Eu não posso me eleger como assessor na área de energia do senador, que é candidato a presidente da República. Mas evidentemente que muitas vezes conversamos um pouco sobre se esse problema de chuva pode prejudicar, se vai haver racionamento ou não."

Morais diz que sobre racionamento, não arrisca previsão. O governo, avalia ele, tem instrumentos para amenizar essa situação. Mas afirma: "Hoje a tendência é que as coisas não estejam dentro do previsível. As perspectivas não são boas."

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