Petroquímica

Câmbio leva Braskem a ter prejuízo de R$ 302 milhões

Valor Econômico
30/07/2004 00:00
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O elevado endividamento em dólar da Braskem, que vem sendo atacado pelo crescimento da atividade operacional, vem comprometendo os resultados da companhia. O efeito cambial sobre a dívida tingiu de vermelho o balanço da empresa no segundo trimestre a despeito da melhoria obtida em vários indicadores operacionais.
Depois de apresentar lucro de R$ 10 milhões no primeiro trimestre, a empresa registrou prejuízo de R$ 302 milhões no último período. O resultado foi afetado pela variação cambial que teve efeito negativo de R$ 352 milhões. A dívida líquida cresceu 7%, passando para R$ 6,7 bilhões ao fim do segundo trimestre.
Embora a dívida tenha avançado, o aumento de 52% da geração operacional de caixa evitou a deterioração da situação de endividamento. O lucro antes dos juros, impostos e depreciações e amortizações (lajida) bateu o recorde de R$ 615 milhões no trimestre. Com isso, a relação entre dívida líquida e lajida melhorou em relação ao trimestre anterior, passando de 3,42 vezes para 3,28 vezes. "Acreditamos que vamos fechar o ano em torno de 2,5 vezes", afirmou ontem José Carlos Grubisich, presidente da companhia.
O executivo disse que a prioridade da Braskem, até meados de 2005, é equilibrar o perfil da dívida em termos de moeda. "Queremos que o passivo em dólar, atualmente de 60%, chegue a 50% para dar mais conforto financeiro à empresa", disse Grubisich.
Para isso, a companhia espera obter recursos em reais por meio do aumento de capital de R$ 900 milhões e de empréstimos aos novos projetos de expansão com o BNDES e o Banco do Nordeste. A operação de aumento de capital, que terá uma oferta global e permitirá à empresa ir ao nível 3 de ADR na bolsa de Nova York, depende de autorizações da SEC (comissão de valores mobiliários americana) e da brasileira CVM. "Com isso, nossa estrutura de capital ficará tranqüila."
"A grande meta da Braskem é reduzir a dívida", disse o analista Bruno Baptistella, da Hedging Grifo Asset. "A expectativa de estabilidade no câmbio no semestre deve melhorar os resultados da companhia." O analista avalia que a recuperação do mercado interno colaborará para a empresa aumentar a receita e permitir o repasse de alta dos preços da nafta à suas resinas.
A receita bruta aumentou 32% no trimestre, passando para R$ 3,5 bilhões. A empresa destacou que, nos últimos 12 meses, a receita ultrapassou a marca de R$ 12 bilhões. A empresa também aumentou suas exportações, que subiram 22% no trimestre, totalizando US$ 221 milhões. No ano, já somam US$ 353 milhões, com aumento de 11% sobre igual período de 2003.
Grubisich ressaltou que os preços das resinas mantêm-se firmes no mercado internacional e que não devem cair tão cedo. "A demanda está em alta na China, EUA, Europa, Brasil e não há novos projetos para aumento da oferta."

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