Proposta

Braskem quer ser global até 2020

Valor Econômico
17/12/2008 05:08
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Nem 2008 acabou nem 2009 começou. Mas o presidente da Braskem, Bernardo Gradin, já começa a pensar como será a maior petroquímica da América Latina em 2020. Até meados do próximo ano, Gradin, que assumiu o cargo em agosto, apresentará ao conselho de administração uma proposta para definir o modelo pelo qual espera sustentar o crescimento da companhia no futuro. 

 

"A proposta que faremos é como vamos nos tornar uma empresa global, e como crescer muito mais que na região", disse Gradin, em entrevista ao Valor. 


 

A Braskem, que se formou em 2002 unindo inúmeras fábricas de produção de petroquímicos no Brasil, é hoje uma empresa com ativos com presença nacional e interesses na região da América Latina - maior empresa petroquímica do país, ela tem planos bilionários de investimento na Venezuela para o início da próxima década. 

 


As diretrizes do projeto conhecido como Visão 2020 prevêem transformar a Braskem numa petroquímica com presença de fábricas em outros continentes. "Os veículos e que regiões e como chegar é que serão detalhados ao longo do próximo ano", afirmou Gradin. 


 

Antes do plano de expansão internacional além das Américas, a Braskem tem dois grandes projetos que Gradin classifica de "emblemáticos" - a fábrica de polietileno fabricado a partir do etanol de cana-de-açúcar e o projeto de construção de um novo pólo petroquímico na Venezuela à base de gás natural. 

 


Gradin avalia que a fábrica de produção de plástico "verde" se viabiliza mesmo numa situação com o preço do petróleo ao redor de US$ 40 o barril. Para ele, o plástico à base de etanol será cada vez mais competitivo, com aumento da produtividade da cana, usinas integradas e geradoras de energias e sistemas logísticos aperfeiçoados. 


 

Por outro lado, o presidente da Braskem avalia que o preço do petróleo não deve ficar por muito tempo na casa dos US$ 40 por um motivo bastante singelo: falta petróleo no mundo, assegura. Gradin acha que será uma tendência cada vez maior, e não relegada a um nicho de negócio. "A Braskem está se posicionando como a primeira empresa a fazer um projeto em escala e muita gente irá repetir", disse. 

 


Nas contas de Gradin, até 2020, a expectativa é que a Braskem tenha cerca de 20% de sua produção de polietileno com fonte de matéria-prima renovável - cerca de 800 mil toneladas, quatro vezes mais do que a capacidade inicial da primeira fábrica, prevista para o Rio Grande do Sul até o início da próxima década. 

 


Nos últimos tempos, a Braskem definiu reduzir sua dependência à nafta, um derivado do petróleo, que tem diminuído à rentabilidade da companhia. 


 

Dizendo-se otimista, Gradin avalia que o investimento na Venezuela não deverá passar por dificuldades para ser financiado. "No nosso pacote financeiro, temos acordo com agências multilaterais, que são mais acíclicas que outras instituições, e os fornecedores de equipamentos tem o interesse no projeto", disse. 

 


A diretoria da Braskem apresenta hoje ao conselho de administração seu plano de investimento para a 2009. O valor deve ser inferior ao de 2008, que deverá fechar em cerca de R$ 1,2 bilhão. A razão para um valor menor, segundo a companhia, é que pesaram neste ano os investimentos para consolidação - compra de ativos do grupo Ipiranga - e a parada de manutenção das centrais petroquímicas. 

 


Um outro lado da crise é que a petroquímica avalia que seus futuros investimentos poderão sair mais em conta com o desaquecimento da economia mundial. "Fizemos um primeiro orçamento em setembro, mas decidimos esperar para que viesse melhor", disse Gradin. "Há expectativa de que os valores dos investimentos vão cair 30% a 40%. A restrição é para quem não tem caixa ou problema de crédito - nestas situações, a Braskem está muito bem." 

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