Exportações

Brasil quer 'corrigir' relação com a China

Estadão Conteúdo - 21/07/2016
21/07/2016 10:03
Visualizações: 1360

O governo do presidente em exercício Michel Temer quer rever as relações com a China - maior parceiro comercial do País. Nesta quarta-feira, 20, durante sabatina sobre a política comercial chinesa na Organização Mundial do Comércio (OMC), o Itamaraty apresentou suas queixas ao governo de Pequim e apontou que quer uma nova direção no fluxo de comércio.

A sabatina de governos como o da China ocorrem a cada dois anos, quando as leis do país são examinadas e autoridades têm a oportunidade de questionar as práticas adotadas.

Na intervenção do Brasil, o governo reconheceu que tem uma "parceria estratégica" com Pequim. Hoje, a China é o principal destino das exportações nacionais e o maior fornecedor de bens estrangeiros. Em 2015, ela representava 18,3% do comércio nacional. "O desenvolvimento dessa relação continua sendo uma prioridade-chave em nossa agenda", disse a encarregada de Negócios do Brasil na OMC, Marcia Donner.

Mas a diplomata deixou claro que o momento é de reavaliar o "padrão" dessa relação diante da disparidade entre o que a China exporta e o que compra das empresas nacionais. "Da perspectiva do Brasil, a assimetria precisa ser corrigida e ações para incentivar a maior diversificação de nossas exportações continuam sendo prioridade-chave para nosso governo", disse. "Nossas complexas economias podem ganhar com o crescimento de cada um de uma forma mais equilibrada."

Na avaliação apresentada pelo Itamaraty, a diversificação das exportações brasileiras para a China "continuam sem uma mudança significativa desde a última revisão na OMC em 2014". "Nossa exportação para a China continua limitada a um número pequeno de commodities, como soja, aço, petróleo", disse a diplomata. Juntos, esses itens representam 75% das vendas nacionais para a China.

Já as importações são "amplamente mais diversificadas, incluindo vários produtos industriais, máquinas elétricas e mecânicas, produtos químicos, aço, plástico e siderurgia". O governo brasileiro também fez questão de apontar para a onda de investimentos chineses no País nos setores de finanças, infraestrutura, telecomunicações, eletricidade e ferrovias.

Mesmo na agricultura, o Brasil se queixa de barreiras. Segundo o governo, existem várias licenças ainda não aprovadas para a exportação de carne de frango e suína que merecem ser "avaliadas com urgência".

Aço

Outro setor delicado é o do aço. Nas últimas semanas, produtores de todo o mundo têm atacado a produção em excesso da China, levando à queda dos preços internacionais. "Isso está criando tensões que precisamos lidar com um diálogo global para que haja um ajuste estrutural pelos maiores produtores do mundo", defendeu o Brasil. A China indicou que está comprometida em reduzir sua capacidade de produção até 2020 e, no que se refere às demandas brasileiras, prometeu dar uma resposta.

Mas o vice-ministro do Comércio do país, Wang Shouwen, alertou a comunidade internacional que sua economia vive um "novo normal", com uma taxa de crescimento que não atinge mais os 9,0%, mas sim uma média de 6,5% e 7,0%. "Passamos para uma taxa alta para moderadamente alta", disse. Segundo ele, isso exige do país um "novo modelo de desenvolvimento".

Mas quem também se queixou foi o governo dos EUA, que afirmou estar "preocupado" com uma possível mudança na postura comercial chinesa diante da queda de crescimento. Para o diplomata Chris Wilson, "à medida que a economia chinesa desacelera, os EUA sentem uma relutância maior de o país manter suas reformas"."Além disso, cada vez mais empresas americanas expressam preocupação com o ambiente regulatório e de negócios para as empresas estrangeiras", disse.

Assim como o Brasil, os americanos também criticaram o apoio estatal chinês ao setor siderúrgico, além de barreiras para as vendas de diversos produtos e até filmes.

Americanos, europeus e outros governos ainda fizeram um alerta sobre o plano de Pequim conhecido como "Made in China 2025". Pela iniciativa, 70% dos componentes de produtos feitos na China até 2025 terão de ser fabricados localmente. No total, Pequim recebeu dos governos na OMC mais de 1,8 mil perguntas e queixas. O país é hoje o maior parceiro comercial de 120 economias.

Mais Lidas De Hoje
veja Também
Oferta Permanente
Oferta Permanente: ANP divulga empresas aptas a particip...
26/06/26
Energia Elétrica
Demanda por energia elétrica cai quase 11% nos jogos do ...
26/06/26
FPSO
MODEC e Eld Energy assinam Memorando de Entendimento par...
26/06/26
Biometano
Com apoio da ABiogás e da SEMIL, USP inaugura usina de e...
26/06/26
Rio de Janeiro
PIB do estado do Rio cresce 4,2%, puxado pelo desempenho...
26/06/26
Gás Natural
Naturgy investe R$ 4,7 milhões em infraestrutura de gás ...
26/06/26
GNL
Gás natural: aprovada resolução sobre acesso aos termina...
26/06/26
Fertilizantes
Petrobras assina contratos para retomada das obras da UF...
26/06/26
Acordo
Acelen Renováveis e Trafigura assinam acordo estratégico...
26/06/26
Energy Summit
Energy Summit 2026: arena Diálogos da Transição debate p...
26/06/26
Biometano
CGOB: ANP inicia participação social sobre Informe Técnico
26/06/26
Petrobras
Lubnor, referência em asfaltos e produtos especiais come...
25/06/26
Combustíveis
Painel dinâmico da ANP mostra dados de comercialização d...
25/06/26
Combustíveis
Aumento da mistura de etanol na gasolina fortalece produ...
25/06/26
Energy Summit
Lemon Energia recebe Ouro em Sustentabilidade no Energy ...
25/06/26
Pré-Sal
Campo de Búzios supera próprio recorde e produz 1 milhão...
25/06/26
Energy Summit
ABDI destaca redução no tempo de contratação em compras ...
24/06/26
Energy Summit
Binatural conquista Energy Summit Awards e reforça prota...
24/06/26
Energy Summit
Tauil & Chequer | Mayer Brown reúne representantes da AN...
23/06/26
Internacional
Petrobras e Pemex firmam parceria para cooperação em E&P
23/06/26
Fenasucro
Pela primeira vez, Brasil recebe congresso latino-americ...
23/06/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.