Siderurgia

Brasil é o 7º maior importador de aço longo do mundo

O Brasil já se tornou o sétimo maior importador mundial de aços longos e é um mercado cada vez mais desejado como destino da produção excedente em outros países. Esse foi um dos diagnósticos mais comentados do Congresso Latino-Americano de Side

Valor Econômico
26/10/2010 10:02
Visualizações: 1117
O Brasil já se tornou o sétimo maior importador mundial de aços longos e é um mercado cada vez mais desejado como destino da produção excedente em outros países. Esse foi um dos diagnósticos mais comentados do Congresso Latino-Americano de Siderurgia, que ocorre entre ontem e hoje, em Buenos Aires.
 

"A demanda proveniente da América do Sul continuará a atrair importações, particularmente de países com economias domésticas fracas e excesso de capacidade instalada", disse Joachim Schroeder, principal executivo da consultoria suíça AG. Segundo ele, o Brasil já absorve 4% das exportações globais de aços longos. Há apenas dois anos, limitava-se a 1% do total. Além do crescimento da economia, Schroeder destacou "a substancial valorização do real" como uma das causas.
 

Para Sigurd Mareels, diretor da consultoria McKinsey, mercados emergentes como o Brasil podem se transformar em receptores das sobras de produção. Em 2005, conforme estatísticas apresentadas por Mareels, havia um déficit de 3 milhões de toneladas na produção de aço bruto. Ou seja, a oferta não cobria a demanda, o que ajudava a elevar os preços. Em 2015, esse desequilíbrio terá dado lugar a um excedente de 181 milhões de toneladas. "Só a China, que tinha déficit de 15 milhões de toneladas, ficará com uma sobrecapacidade de 118 milhões de toneladas", afirmou.
 

Diante do diagnóstico, empresários do setor ressaltaram a importância de uma blindagem contra a invasão de produtos siderúrgicos importados. O presidente da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), Benjamin Steinbruch, disse que a medida anunciada pela Receita Federal de aplicar preços de referência contra a entrada de aço subfaturado é "o primeiro passo", mas que "deve haver medidas complementares". Ele não quis cogitar o caráter das novas medidas esperadas. "Têm que ser (avaliadas) produto a produto, caso a caso", assinalou o industrial.
 

Na semana passada, a Receita definiu uma tabela de preços que fixa valor mínimo para 16 tipos de aços planos e longos, com base na estrutura de custo de produção de cada produto. O cálculo tomou como referência uma planilha que foi entregue ao governo pelo Instituto Aço Brasil.
 

"É uma medida contra o subfaturamento", disse Steinbruch, lembrando que as siderúrgicas dos Estados Unidos e da Europa estão trabalhando com ociosidade de 40%. Segundo ele, esse controle deverá brecar importações com origem da China, Turquia e Ucrânia. "Não podemos entregar nosso mercado de bandeja para quem tem práticas ilegais", disse o empresário. Em setembro, o Brasil importou 552 mil toneladas de aço (25% do consumo total) e a previsão é superar 5,5 milhões neste ano.
 

O presidente da Organização Techint, Paolo Rocca, maior siderúrgica da Argentina, também demonstrou preocupação com as importações, mas não só de aço bruto. "Ano após ano, a América Latina cresce como mercado para as exportações indiretas de aço da China, em vez de competir para satisfazer a própria demanda interna e a dos países em crescimento."
 

Para ele, o ano que vem terá "um fator adicional de volatilidade", pois a China prevê aumento de apenas 3,5% no consumo doméstico de aço - nos últimos dez anos, a alta média foi de 16%. "Vamos ver outras consequências em excesso de capacidade, consolidação, preços dos insumos e desequilíbrio no comércio mundial", advertiu.
 

A América Latina desponta como um dos prováveis mercados em que serão despejados os excedentes de produção, na opinião do empresário argentino: o consumo anual de aços longos na região é de 51 quilos por habitante, enquanto na China alcança 258 quilos e, na Coreia, chega a 416 quilos. No segmento de aços planos, a desproporção é bastante parecida. "E os mercados americano e europeu não vão reagir", acrescentou Steinbruch, pessimista com a recuperação da economia mundial, mas otimista com o Brasil.
Mais Lidas De Hoje
veja Também
Pré-Sal
Shell conclui assinatura de contratos de alienação que a...
12/03/26
Energia Elétrica
Geração distribuída atinge marco de 50 GW e se consolida...
12/03/26
FEPE
FEPE 2026: ação em movimento
11/03/26
Bacia de Santos
Lapa Sudoeste inicia produção, ampliando a capacidade no...
11/03/26
Pré-Sal
Primeiro óleo de Lapa Sudoeste consolida produção do pré...
11/03/26
Gás Natural
Gas Release pode atrair novos supridores e criar competi...
11/03/26
Resultado
PRIO registra receita de US$ 2,5 bilhões em 2025 com exp...
11/03/26
Bacia de Santos
Brasil: Início da Operação de Lapa Sudoeste
11/03/26
Pré-Sal
Seatrium impulsiona P-78 à injeção do primeiro gás após ...
11/03/26
PPSA
Assinatura de contratos de Mero e Atapu consolida result...
11/03/26
Empresas
Justiça suspende aumento de IRPJ e CSLL e decisão pode i...
10/03/26
Biodiesel
Setor de Combustíveis Defende Liberação da Importação de...
10/03/26
Macaé Energy
No Macaé Energy 2026, Firjan promove edição especial do ...
09/03/26
Dia Internacional da Mulher
Dia da Mulher: elas contribuem para avanços no setor ene...
09/03/26
FEPE
PRECISAMOS DE P&D DE LONGO PRAZO - Entrevista com Isabel...
09/03/26
Internacional
Efeitos de preços do petróleo sobre a economia brasileira
09/03/26
Dutos
Transpetro aplica tecnologia com IA para ampliar eficiên...
09/03/26
Dia Internacional da Mulher
Constellation amplia em mais de 300% a presença feminina...
09/03/26
Combustível
Etanol volta a subir no indicador semanal
09/03/26
Resultado
Com um aumento de 11% na produção total de petróleo e gá...
06/03/26
FEPE
EMPREENDER DEMANDA RELAÇÕES DE CONFIANÇA - Entrevista co...
06/03/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.

23