P&D

Brasil e Alemanha buscam firmar cooperação em pesquisa sobre bioeconomia

Redação/Assessoria Fapesp
17/11/2017 11:54
Visualizações: 754

O cenário ambiental está intimamente ligado aos planos econômicos de qualquer país. A demanda por alimento deverá crescer pelo menos 70% até 2050. Junto a isso, há ainda a degradação do solo e as mudanças climáticas que alteram padrões e reduzem a área agrícola e de pastagens. Sem contar com o inevitável esgotamento dos combustíveis fósseis, seja por escassez ou pela liberação de CO2 na atmosfera, impulsionando o aquecimento global.

Tendo esse cenário em vista, ganha força a transição do modelo econômico apoiado pela bioeconomia. Processos e estratégias inovadoras para fazer uso dos recursos naturais existentes de forma mais sustentável e eficiente foram o tema do 6º Diálogo Brasil-Alemanha de Ciência, Pesquisa e Inovação, realizado nos dias 8 e 9 de novembro no auditório da FAPESP.

“A bioeconomia tem o potencial de resolver os maiores problemas que estamos enfrentando em relação à produção de alimentos, segurança alimentar e segurança energética. A inovação é a chave para o crescimento e a prosperidade, mas para que isso aconteça é preciso colaboração global”, disse Martina Schulze, diretora do Centro Alemão de Ciência e Inovação - São Paulo (DWIH-SP), organizador do evento junto com a FAPESP.

Para José Goldemberg, presidente da FAPESP, o objetivo do evento de fortalecer o diálogo entre pesquisadores alemães e brasileiros será uma grande oportunidade, principalmente tendo em vista a discussão internacional sobre a importância do uso da biomassa para a geração de energia em todo o mundo.

“Hoje, 10% da energia do mundo provém da biomassa e os outros 90% são novas energias. A transformação de novas energias trouxe novos problemas – como poluição nas grandes cidades e o aquecimento global – e a biomassa, que supriu a necessidade da humanidade por séculos, mostra-se hoje ainda mais importante. Há, inclusive, estudos mostrando que sua participação como fonte de energia pode aumentar de 10% para 25% ou 30%”, disse Goldemberg na abertura do evento.

Segundo os participantes, nesse sentido há amplo espaço para a cooperação entre Brasil e Alemanha. “A bioeconomia só funciona em escala global, por isso precisamos de colaboração internacional para atingir nossos objetivos”, disse Andrea Noske, chefe da Divisão de Bioeconomia do Ministério de Educação e Pesquisa da Alemanha (BMBF).

O plano estratégico da Alemanha para a bioeconomia, elaborado em 2010, tem a segurança alimentar como estratégia prioritária. “Estamos buscando primeiro estabelecer segurança nutricional global, uma agricultura sustentável com a produção de alimento saudável e seguro. Depois temos outras possibilidades industriais, como garantir o uso de recursos renováveis e de biomassa”, disse Noske.

Diferente da Alemanha, que tem a segurança alimentar como prioridade, no Brasil, a principal estratégia em bioeconomia é a biomassa.

“Os conceitos-chave do plano estão no uso da biomassa e da biodiversidade nacional. Já existem várias ações no Brasil em bioeconomia – no desenvolvimento de novos bionegócios e bioprodutos, a segurança hídrica-energética e alimentar –, o que falta para avançarmos é a sinergia entre essas ações”, disse Bruno Nunes, coordenador-geral de Bioeconomia do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) do Brasil.

Os painéis do 6º Diálogo Brasil-Alemanha de Ciência, Pesquisa e Inovação mostraram iniciativas dos dois países em pesquisas científicas tendo a bioeconomia como base.

“A bioeconomia é uma via para superar vários problemas e isso inclui muitos desafios e avanços. Sabemos, por exemplo, que é preciso manter a saúde do solo para que haja plantas (e alimentos) saudáveis. No entanto, não sabemos ainda como ocorre exatamente essa interação entre solo e planta”, disse Georg Backhaus, diretor do Instituto Julius Kühn, Instituto Federal de Pesquisa do Cultivo das Plantas na Alemanha.

Questionado pela plateia sobre a necessidade de inserir transgênicos na produção de alimentos e com isso fazer com que as lavouras se tornem mais resistentes às mudanças climáticas, Backhaus foi taxativo. “É uma ótima solução, mas infelizmente, na Alemanha, a população não apoia. E sabemos que quando a população não quer, os políticos também não querem”, disse.

Paulo Arruda, coordenador do Laboratório de Estudo da Regulação da Expressão Gênica da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), destacou que novas técnicas como análise genômica (genes), proteômica (proteínas) e metaboloma (metabolismo) podem ser determinantes para a pesquisa em produção alimentar, assim como para pesquisas em saúde.

“Precisamos melhorar em eficiência. As ferramentas são as mesmas para investigar mecanismos de doenças em plantas e em humanos. Não se esqueçam que quando falamos em bioeconomia saúde é um ponto muito importante”, disse.

Os palestrantes também apresentaram pesquisas na área de segurança alimentar com foco em plantas e em animais, uso integrado da terra, prospecção da biodiversidade, tecnologia em biomassa e química renovável.

“O Brasil dispõe de vantagens na área de bioeconomia. Chegou ao topo na agricultura por meio de pesquisa e acredito que possa fazer o mesmo em energia, farmacêutica, cosmética. A Alemanha amparou seu crescimento tendo a pesquisa científica e tecnológica como base. Precisamos converter a diversidade biológica em sucesso econômico. Portanto, uma comparação entre biotecnologia dos dois países é muito sensata, faz sentido”, disse Georg Witschel, embaixador da Alemanha no Brasil.

 

Mais Lidas De Hoje
veja Também
Energia Solar
ArcelorMittal e Atlas Renewable Energy concluem construç...
09/12/25
ANP
Audiência pública debate apresentação de dados visando a...
09/12/25
Evento
PPSA realiza nesta terça-feira Fórum Técnico para debate...
09/12/25
Firjan
PN 2026-2030 - Novo ciclo de oportunidades é apresentado...
08/12/25
Prêmio ANP de Inovação Tecnológica
Projeto da Petrobras em parceria com a CERTI é vencedor ...
08/12/25
Margem Equatorial
Ineep apresenta recomendações estratégicas para início d...
08/12/25
Energia Elétrica
Primeiro complexo híbrido de energia da Equinor inicia o...
08/12/25
Prêmio ANP de Inovação Tecnológica
Parceria premiada - Petrobras participa de quatro dos se...
05/12/25
Evento
Petrolíferas debatem produção mais limpa e tecnologias d...
04/12/25
Leilão
PPSA arrecada cerca de R$ 8,8 bilhões com a alienação da...
04/12/25
Firjan
Novo Manual de Licenciamento Ambiental da Firjan ressalt...
04/12/25
Transição Energética
Óleo & gás continuará essencial até 2050, dizem especial...
04/12/25
PPSA
Leilão da PPSA oferecerá participação da União em áreas...
04/12/25
Asfalto
IBP debate sustentabilidade e novas tecnologias para o f...
03/12/25
Reconhecimento
Casa dos Ventos conquista Medalha Bronze em sua primeira...
03/12/25
Bacia de Santos
PPSA adia leilão de petróleo da União de Bacalhau para o...
03/12/25
Estudo
Firjan lança a 4ª edição do estudo Petroquímica e Fertil...
03/12/25
Biocombustíveis
Porto do Açu e Van Oord anunciam primeira dragagem com b...
02/12/25
Investimento
Indústria de O&> prioriza investimento em tecnologia de ...
02/12/25
Refino
Petrobras irá investir cerca de R$12 bilhões na ampliaçã...
02/12/25
Posicionamento
Proposta de elevação da alíquota do Fundo Orçamentário T...
01/12/25
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.