Bolívia

Brasil crê que Morales não fará governo extremista

Valor Econômico
20/12/2005 00:00
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O resultado preliminar das eleições bolivianas indica que o país andino não cairá em radicalismos e que o presidente eleito Evo Morales será forçado a negociar muito com a oposição para governar, avalia o Itamaraty. Para a diplomacia brasileira, o recado mandado pelas urnas demonstra o desejo de renovação, mas sem radicalização.

"O eleitor temperou a maioria avassaladora de Morales com uma votação equilibrada para o Congresso e uma situação nitidamente desfavorável ao governo nos departamentos", afirmou ontem

o embaixador do Brasil em La Paz, Antonino Mena Gonçalves. Dos nove departamentos que elegeram seus governadores, o partido conservador Poder Democrático e Social (Podemos) ganhou em três regiões e seus aliados em quatro.

O Movimento ao Socialismo (MAS), do novo presidente, elegeu apenas dois governadores e perdeu em La Paz, onde Morales obteve mais de 60% dos votos. Na Câmara, o MAS terá a maior bancada, mas não conseguirá maioria absoluta nem mesmo com os aliados. No Senado, o Podemos deve garantir 13 das 27 vagas e pode atrair os votos de pelo menos dois outros parlamentares. "Ou há uma incongruência dos eleitores ou uma prova de sabedoria política", avaliou o embaixador, optando pela segunda. "O povo boliviano revela grande sabedoria, na medida em que o MAS não terá poder hegemônico."

Mena Gonçalves esclareceu que o resultado oficial das eleições pode sair apenas em janeiro, mas a contagem paralela feita até agora, pela mídia local e com o aval da Organização dos Estados Americanos (OEA), indica mesmo a vitória de Morales no primeiro turno. Se a maioria absoluta não for obtida nesse escrutínio, o embaixador descarta que a decisão seja feita pelo Congresso.

"Ninguém por aqui trabalhava com o cenário de escolha do presidente pelos parlamentares, a não ser que a vitória fosse muito apertada", afirmou o embaixador, acrescentando que a falta de rigor científico e a dificuldade de acesso a regiões mais afastadas levaram a "erros grosseiros" nas pesquisas de opinião.

Para Mena Gonçalves, há exagero da mídia brasileira sobre a ameaça de nacionalização das duas refinarias controladas pela Petrobras. A partir da posse de Morales, o novo governo vai conversar com a estatal brasileira. Segundo o embaixador, trata-se de um assunto velho, que não trará surpresas aos interesses brasileiros.

As duas refinarias foram colocadas à venda no fim dos anos 90, mas não apareceram ofertas. Como a Yacimientos Petrolíferos Fiscales de Bolivia (YPFB) não tinha meios de manter as refinarias funcionando adequadamente, abriu tratativas com a Petrobras. "Foi uma compra feita a pedido dos bolivianos", disse. O governo brasileiro, apesar de não declarar publicamente, admite a venda. Não pretende entregá-las compulsoriamente, a qualquer preço, mas aceita negociar, até porque o negócio não seria lucrativo. Conforme afirmou outra fonte diplomática, a Petrobras chegou a ter prejuízo nessas refinarias e, atualmente, as margens de lucro são baixas.

O Itamaraty anunciou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva iria telefonar ontem para cumprimentar Morales e enfatizar que "a cooperação é o caminho natural para aprofundar nosso diálogo político, ampliar nossas parcerias econômicas e construir um Mercosul (...) próspero e justo".

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