Meio ambiente
País tem três dos 25 principais locais superpoluentes; ranking global destaca riscos e oportunidades de redução no setor de resíduos.
Assessoria UCLA
O projeto STOP Methane do Instituto Emmett da UCLA divulgou um novo ranking de emissões superpoluentes de metano do setor de resíduos que inclui o Brasil entre os países com maior presença, com três locais entre os 25 principais identificados em 2025. O relatório utiliza dados públicos do Carbon Mapper, baseados em observações diretas de 2025, para identificar os locais com as maiores taxas de emissão quantificadas no mundo — cada um representando uma grande oportunidade para redução de emissões pelos operadores.
Ao todo, o ranking reúne 25 instalações de resíduos em 18 países responsáveis pelas maiores taxas de emissão superpoluente detectadas do espaço por satélites. Além do Brasil (3 locais), aparecem Chile (3), Índia (2), Arábia Saudita (2), Turquia (2), Argélia (1), Argentina (1), Grécia (1), Hong Kong (1), Indonésia (1), Irã (1), Israel (1), Kuwait (1), Malásia (1), México (1), Filipinas (1), Tailândia (1) e Estados Unidos (1).
O local com maior taxa de emissão identificado no ranking está próximo a Buenos Aires, na Argentina, com 7,6 toneladas de metano por hora — equivalente ao impacto climático de mais de um milhão de SUVs. A análise também chama atenção para a Turquia, que sediará a COP31 em novembro de 2026 e concentra três dos maiores locais de emissão listados. O país lançou recentemente uma iniciativa para reduzir emissões no setor de resíduos, liderada pela primeira-dama Emine Erdoğan.
Pela primeira vez, o levantamento inclui ainda duas "menções desonrosas" para locais que poderiam figurar entre os 25 principais caso dados adicionais fossem considerados — um próximo a Istambul, na Turquia, e outro em Abidjan, na Costa do Marfim. O aterro turco, em particular, apresenta uma taxa de emissão superior à de qualquer local presente no ranking oficial.
"Essa lista mostra que há muito trabalho a ser feito — e não apenas pelo país anfitrião da COP31", disse Cara Horowitz, diretora executiva do Instituto Emmett da UCLA. "Estamos falando de níveis extremamente perigosos de metano vindos do setor de resíduos em diversos países. Muitos desses locais estão próximos a cidades, e suas emissões representam riscos reais à saúde pública. A boa notícia é que governos e operadores podem adotar medidas práticas para evitar essas grandes plumas."
A identificação das emissões de metano — um dos gases de efeito estufa mais potentes — tem se tornado mais precisa graças a instrumentos de satélite capazes de detectá-lo em órbita. Os rankings da UCLA são baseados nesses dados públicos.
Pesquisadores do projeto STOP Methane analisaram quase 3.000 plumas provenientes de mais de 700 locais de resíduos no mundo para identificar os 25 principais emissores. As taxas horárias detectadas variam entre 3,6 e 7,5 toneladas de metano por hora. Para efeito de comparação, uma fonte emitindo 5 toneladas por hora teria impacto equivalente ao aquecimento causado por um milhão de SUVs.
Dois operadores de aterros no Chile (Penco e Talagante) já relataram medidas de mitigação após a divulgação inicial da lista. "Já vimos que tornar dados confiáveis mais acessíveis e aumentar a visibilidade pode ser uma forma eficaz de impulsionar ações", disse Juan Pablo Escudero, parceiro do projeto e professor da Universidade Adolfo Ibáñez. "Esses dados criam oportunidades para operadores responsáveis e governos liderarem a limpeza do setor."
O STOP Methane é um projeto do Instituto Emmett da UCLA, um importante centro de direito ambiental dos Estados Unidos, que publica regularmente rankings acessíveis sobre emissões superpoluentes de metano em diversos setores, incluindo petróleo e gás.
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