Economia

BNDES prevê novo ciclo de investimento em infraestrutura

Setor respondeu por um terço das consultas, ou R$ 97,4 bilhões, 45% acima de 2011. As consultas do setor industrial cresceram 72%, em 2012 frente a 2011, atingindo um total de R$ 115,2 bilhões. A indústria extrativa, onde se destaca o setor de óleo e gá

Valor Econômico
23/01/2013 14:21
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Um novo ciclo de investimentos em infraestrutura começou a tomar forma ano passado, e deverá se intensificar daqui para frente. A previsão é do presidente do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, que na terça-feira (22) divulgou os números do banco em 2012. Os desembolsos somaram R$ 156 bilhões, uma alta de 12% em relação a 2011.

A expectativa de Coutinho vem do bom desempenho do BNDES. No ano passado, as consultas aumentaram 60% sobre 2011, atingindo R$ 312 bilhões. Mas ele reconheceu que o ritmo de desembolso do BNDES daqui para frente dependerá do mercado de dívida privada, indicando que o banco, sozinho, poderá não dar conta da demanda por empréstimos.

"Previsões para 2013 dependem de uma série de variáveis em função da agenda de debêntures, do compartilhamento de operações de financiamento [do BNDES] com o mercado financeiro", disse Coutinho, sem fazer previsões para os próximos 12 meses. As novas concessões na área de logística, segundo ele, serão "uma oportunidade para compartilhar" o financiamento dos investimentos privados com o mercado de capitais.

Os pedidos de recursos para infraestrutura lideraram as consultas ao BNDES. Elas funcionam como um "termômetro" para medir a intenção de investir do empresariado. O que mostra, segundo Coutinho, clara recuperação dos planos de investimentos no país em 2013 e em 2014 a partir das intenções privadas.

Só o setor de infraestrutura respondeu por um terço das consultas, ou R$ 97,4 bilhões, 45% acima de 2011. Isso é "resultado dos pacotes de concessões, lançados pelo governo federal em 2012", disse Coutinho, que aposta em aeroportos, portos, ferrovias e rodovias como os principais vetores de crescimento dos investimentos de 2013.

O BNDES projeta em 2013 crescimento entre 5,5% e 6% da formação bruta de capital fixo (medida das contas nacionais do que se investe na construção civil e em máquinas e equipamentos). Mas Coutinho espera um número maior. Ele informou que o banco contribui com algo entre 15% e 20% para a FBCF do país.

As consultas do setor industrial cresceram 72%, em 2012 frente a 2011, atingindo um total de R$ 115,2 bilhões. A indústria extrativa, onde se destaca o setor de óleo e gás (Petrobras é a maior empresa), respondeu por R$ 32,2 bilhões desse total, com uma alta 619%. Já as liberações à indústria alcançaram R$ 47,6 bilhões, 31% acima de 2011.

Coutinho afirmou que "é possível que as concessões atraiam mais investimentos [do que a indústria]. Mas vamos nos empenhar em recuperar o investimento industrial usando a demanda e o impulso da infraestrutura sobre as cadeias fornecedoras". Mas o BNDES, lembrou, tem o desafio de melhorar a competitividade da indústria de transformação, que enfrenta dificuldades de competir no mercado internacional.

Economistas ouvidos pelo 'Valor' foram cautelosos sobre as previsões de Coutinho relativas ao início de novo ciclo de investimentos puxado pelo setor de infraestrutura. Luiz Fernando de Paula, presidente da Associação Keynesiana Brasileira (AKB), considera os dados de desembolso do BNDES apenas "indícios" de uma perspectiva positiva. "Tem de saber se o que está sendo apresentado é um fato ou um wishful thinking [desejo, numa tradução livre] do Luciano [Coutinho]", afirmou.

Paulo Di Blasi, do Ibmec-RJ, concorda com De Paula. "A expectativa é de que os investimentos do setor se acelerem em algum momento pela necessidade do país, mas é cedo para afirmar que já está ocorrendo esse ciclo".

Já para o presidente da Associação Nacional dos Analistas e Especialistas em Infraestrutura (Aneinfra), Guilherme Floriani, o cenário para o setor de infraestrutura é "positivo". "Vemos 2013 com muito otimismo", disse ele, ressaltando que o país evolui com os pacotes de concessões de infraestrutura, mas que é preciso avançar em questões como regulação ambiental.
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