Financiamento

BNDES e Caixa vão estimular energia mais eficiente

Ambos preparam novas linhas para o setor neste ano.

Valor Econômico
21/01/2014 09:37
Visualizações: 1368

 

Preocupado com a competitividade da indústria brasileira e o aumento das emissões de gases do efeito estufa, devido ao acionamento maior de térmicas nos últimos anos, o governo planeja aperfeiçoar as medidas de estímulo para a redução do consumo de energia no segmento industrial, que responde por 40% da energia utilizada no país. Os dois principais bancos federais - Caixa Econômica Federal e Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) - preparam novas linhas de financiamento para o setor neste ano.
A Caixa pretende lançar, em parceria com o banco alemão KfW Bankengruppe, uma linha de crédito de 150 milhões de euros (cerca de R$ 480 milhões) para médias e grandes empresas, destinada à eficiência energética e energias renováveis. Na prática, o banco estatal tomará os recursos junto à instituição alemã para essas finalidades. Também serão obtidos mais 4,5 milhões de euros (cerca de R$ 14,5 milhões) para medidas complementares.
Segundo a Caixa, a linha de crédito será voltada para investimentos em sistemas de recuperação de calor, cogeração de energia, motores eficientes, sistemas de refrigeração por absorção, sistemas fotovoltaicos, entre outros. O objetivo é que os investimentos permitam a redução do consumo de energia elétrica e de combustíveis principalmente no setor industrial.
Já o BNDES estuda aperfeiçoar a linha de crédito existente para eficiência energética - o Proesco. O objetivo, na prática, é simplificar o processo, já que muitas empresas que recorrem ao banco são de pequeno e médio porte e possuem dificuldades burocráticas e de depósito de garantia para terem acesso aos recursos.
De acordo com informações do BNDES, as mudanças no Proesco ainda estão em fase de discussão interna e sem previsão para conclusão. No mercado, contudo, comenta-se que a medida possa ser implementada no segundo trimestre deste ano.
Para solucionar o entrave com relação ao depósito de garantias, o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) disponibilizou desde o ano passado um fundo garantidor, com um volume total de US$ 25 milhões (cerca de R$ 60 milhões). A instituição cobre até 80% do aval bancário para projetos de eficiência energética.
"O banco financiador passa a ter uma garantia dupla. Ele tem a própria garantia do projeto feito pela empresa e a garantia do projeto analisado, aprovado e com respaldo do BID. Com isso, também queremos fazer com que a taxa de juros do empréstimo diminua, em função de uma redução do risco de crédito", afirma o presidente da Associação Brasileira das Empresas de Serviço de Conservação de Energia (Abesco), Rodrigo Aguiar.
Segundo ele, as medidas de financiamento poderão viabilizar um mercado anual de R$ 15 bilhões. O valor é equivalente à economia de energia que pode ser alcançada pelas empresas que adotarem medidas de eficiência. Hoje, esse mercado movimenta cerca de 10% desse valor, ou R$ 1,5 bilhões por ano.
As "escos", como são chamadas as empresas de serviço de conservação de energia, vivem basicamente da economia de energia obtida pelos projetos que instalam nas companhias e indústrias. Elas operam na forma de "contrato de performance", em que a remuneração é feita com uma parte do valor de economia de energia proporcionada pela implantação do projeto. Dessa forma, os clientes não precisam desembolsar recursos para a contratação do projeto.
Com esse mecanismo, e considerando o pequeno e médio porte das escos, o financiamento é fundamental para o desenvolvimento do mercado. Hoje, a principal fonte de recursos para as escos ainda é o programa compulsório de eficiência energética (PEE) das distribuidoras, fiscalizado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
Em 2012, último dado anual disponível, foram investidos R$ 445 milhões por meio do PEE. De acordo com o contrato de concessão firmado com a agência, as distribuidoras são obrigadas a aplicar anualmente o montante de, no mínimo, 0,5% de sua receita operacional líquida para atividades de eficiência energética.
A agência também realizou aprimoramentos nesse programa. Desde o ano passado, as distribuidoras são obrigadas a realizar chamadas públicas para a apresentação de projetos de eficiência energética aptos a serem desenvolvidos com os recursos do programa. "Nossa expectativa é que a medida dê certo e torne o processo mais democrático", explica o superintendente de Pesquisa e Desenvolvimento e Eficiência Energética da Aneel, Máximo Pompermayer.
O superintendente também prevê que neste ano seja solucionado outro entrave do programa. Atualmente, por lei, pelo menos 60% dos recursos devem ser obrigatoriamente aplicados em consumidores residenciais beneficiados pela Tarifa Social. O problema é que essa reserva de capital impede que muitos recursos sejam destinados para outros segmentos, como industrial e comercial, onde o potencial de economia de energia é muito maior.
Segundo Pompermayer, um projeto de lei que prevê a eliminação desse percentual mínimo foi aprovado pela Comissão de Minas e Energia da Câmara. A proposta foi encaminhada para a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania e, se aprovada, irá a plenário. O superintendente espera que a lei possa ser sancionada no primeiro semestre.
De acordo com o Plano Decenal de Energia (PDE) 2022, elaborado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), o potencial de economia de energia daqui a dez anos é de 48 terawatts-hora (TWh), o equivalente a 5% do consumo total de energia elétrica prevista para aquele ano.

Preocupado com a competitividade da indústria brasileira e o aumento das emissões de gases do efeito estufa, devido ao acionamento maior de térmicas nos últimos anos, o governo planeja aperfeiçoar as medidas de estímulo para a redução do consumo de energia no segmento industrial, que responde por 40% da energia utilizada no país. Os dois principais bancos federais - Caixa Econômica Federal e Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) - preparam novas linhas de financiamento para o setor neste ano.

A Caixa pretende lançar, em parceria com o banco alemão KfW Bankengruppe, uma linha de crédito de 150 milhões de euros (cerca de R$ 480 milhões) para médias e grandes empresas, destinada à eficiência energética e energias renováveis. Na prática, o banco estatal tomará os recursos junto à instituição alemã para essas finalidades. Também serão obtidos mais 4,5 milhões de euros (cerca de R$ 14,5 milhões) para medidas complementares.

Segundo a Caixa, a linha de crédito será voltada para investimentos em sistemas de recuperação de calor, cogeração de energia, motores eficientes, sistemas de refrigeração por absorção, sistemas fotovoltaicos, entre outros. O objetivo é que os investimentos permitam a redução do consumo de energia elétrica e de combustíveis principalmente no setor industrial.

Já o BNDES estuda aperfeiçoar a linha de crédito existente para eficiência energética - o Proesco. O objetivo, na prática, é simplificar o processo, já que muitas empresas que recorrem ao banco são de pequeno e médio porte e possuem dificuldades burocráticas e de depósito de garantia para terem acesso aos recursos.

De acordo com informações do BNDES, as mudanças no Proesco ainda estão em fase de discussão interna e sem previsão para conclusão. No mercado, contudo, comenta-se que a medida possa ser implementada no segundo trimestre deste ano.

Para solucionar o entrave com relação ao depósito de garantias, o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) disponibilizou desde o ano passado um fundo garantidor, com um volume total de US$ 25 milhões (cerca de R$ 60 milhões). A instituição cobre até 80% do aval bancário para projetos de eficiência energética.

"O banco financiador passa a ter uma garantia dupla. Ele tem a própria garantia do projeto feito pela empresa e a garantia do projeto analisado, aprovado e com respaldo do BID. Com isso, também queremos fazer com que a taxa de juros do empréstimo diminua, em função de uma redução do risco de crédito", afirma o presidente da Associação Brasileira das Empresas de Serviço de Conservação de Energia (Abesco), Rodrigo Aguiar.

Segundo ele, as medidas de financiamento poderão viabilizar um mercado anual de R$ 15 bilhões. O valor é equivalente à economia de energia que pode ser alcançada pelas empresas que adotarem medidas de eficiência. Hoje, esse mercado movimenta cerca de 10% desse valor, ou R$ 1,5 bilhões por ano.

As "escos", como são chamadas as empresas de serviço de conservação de energia, vivem basicamente da economia de energia obtida pelos projetos que instalam nas companhias e indústrias. Elas operam na forma de "contrato de performance", em que a remuneração é feita com uma parte do valor de economia de energia proporcionada pela implantação do projeto. Dessa forma, os clientes não precisam desembolsar recursos para a contratação do projeto.

Com esse mecanismo, e considerando o pequeno e médio porte das escos, o financiamento é fundamental para o desenvolvimento do mercado. Hoje, a principal fonte de recursos para as escos ainda é o programa compulsório de eficiência energética (PEE) das distribuidoras, fiscalizado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

Em 2012, último dado anual disponível, foram investidos R$ 445 milhões por meio do PEE. De acordo com o contrato de concessão firmado com a agência, as distribuidoras são obrigadas a aplicar anualmente o montante de, no mínimo, 0,5% de sua receita operacional líquida para atividades de eficiência energética.

A agência também realizou aprimoramentos nesse programa. Desde o ano passado, as distribuidoras são obrigadas a realizar chamadas públicas para a apresentação de projetos de eficiência energética aptos a serem desenvolvidos com os recursos do programa. "Nossa expectativa é que a medida dê certo e torne o processo mais democrático", explica o superintendente de Pesquisa e Desenvolvimento e Eficiência Energética da Aneel, Máximo Pompermayer.

O superintendente também prevê que neste ano seja solucionado outro entrave do programa. Atualmente, por lei, pelo menos 60% dos recursos devem ser obrigatoriamente aplicados em consumidores residenciais beneficiados pela Tarifa Social. O problema é que essa reserva de capital impede que muitos recursos sejam destinados para outros segmentos, como industrial e comercial, onde o potencial de economia de energia é muito maior.

Segundo Pompermayer, um projeto de lei que prevê a eliminação desse percentual mínimo foi aprovado pela Comissão de Minas e Energia da Câmara. A proposta foi encaminhada para a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania e, se aprovada, irá a plenário. O superintendente espera que a lei possa ser sancionada no primeiro semestre.

De acordo com o Plano Decenal de Energia (PDE) 2022, elaborado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), o potencial de economia de energia daqui a dez anos é de 48 terawatts-hora (TWh), o equivalente a 5% do consumo total de energia elétrica prevista para aquele ano.

Mais Lidas De Hoje
veja Também
Estudo
Consumo de gás natural cresce 3,8% em 2025 no Brasil
17/04/26
Apoio Marítimo
Mesmo com tensões globais, setor marítimo avança e refor...
17/04/26
Internacional
Petrobras assina participação em novo bloco exploratório...
17/04/26
PPSA
Petrochina arremata carga da União de Bacalhau em leilão...
17/04/26
Rio de Janeiro
Firjan calcula que, só em 2025, estado do Rio acumulou p...
16/04/26
Refino
Refinaria de Mataripe, da Acelen, reduz consumo total de...
16/04/26
Cana Summit
No Cana Summit 2026, ORPLANA e UNICA formalizam revisão ...
16/04/26
Royalties
Firjan anuncia mobilização para defender interesse do RJ...
16/04/26
Reconhecimento
3º Prêmio Foresea de Fornecedores premia melhores empres...
16/04/26
Cana Summit
Abertura do Cana Summit 2026: autoridades e especialista...
15/04/26
Gás Natural
TBG e SCGás inauguram nova estação em Santa Catarina e a...
15/04/26
Espírito Santo
Indústria de Petróleo e Gás no ES deve investir mais de ...
15/04/26
Investimentos
SEAP: Bacia Sergipe-Alagoas irá receber dois FPSOs
14/04/26
Petrobras
US$450 milhões serão investidos no maior projeto de moni...
14/04/26
Combustíveis
Etanol gera economia superior a R$ 2,5 bilhões em março ...
14/04/26
Espírito Santo
Próximo pico da produção de petróleo no ES será em 2027
14/04/26
ANP
Oferta Permanente de Concessão (OPC): edital com inclusã...
14/04/26
Refino
Honeywell impulsiona primeiro projeto de Etanol-to-Jet (...
14/04/26
Cana Summit
Diesel sob pressão no campo acelera corrida por novas fo...
14/04/26
Pessoas
Eduardo Beser é o novo diretor-geral de Operações no Bra...
13/04/26
Evento
Promoção da Infis, 4º Seminário Tributação em Óleo e Gás...
13/04/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.

23