Economia
Setor de comércio e serviços dominou as operações do banco na região.
Diário do Nordeste
No acumulado de janeiro a maio deste ano, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) desembolsou R$ 73 bilhões em empréstimos, com alta de 67% na comparação com os primeiros cinco meses de 2012. Para o Nordeste, no mesmo período de 2013, foram liberados R$ 10,09 bilhões, dos quais o Ceará recebeu R$ 854,1 milhões, o equivalente a 8,46% do montante destinado à região e apenas 1,17%, do "bolo" nacional no período.
Os desembolsos recebidos pelo Ceará, nos cinco primeiros meses deste ano, corresponderam a menos de um terço, ou, mais precisamente, a 28,38%, dos R$ 3 bilhões destinados ao Estado, pelo BNDES, ao longo de 2012. O setor de comércio e serviços praticamente "dominou" as operações no Ceará no BNDES.
Nos primeiro cinco meses de 2013, o setor realizou 6.728 operações, 70% das 9.566 realizadas nesse período e recebeu R$ 499 milhões, montante equivalente a 58,42% do total de recursos desembolsados pela instituição para o estado.
No ranking dos estados nordestinos este ano, Ceará ocupa a 5ª posição, atrás dos estados da Bahia (R$ 3,723 bilhões), Maranhão (R$ 1,884 milhões), Pernambuco (R$ 1,353 milhões) e do Rio Grande do Norte (R$ 959,4 milhões).
No ano passado, os nove estados do Nordeste receberam R$ 21 bilhões, cerca de 13,5% dos R$ 156 bilhões desembolsados pela instituição no País. Nos últimos 12 meses, no intervalo de junho de 2012 a maio último, a região recebeu financiamentos da ordem de R$ 26 bilhões, 40% mais do que o montante relativo aos 12 meses anteriores.
Indústria nacional
Dentre os setores financiados no país, pelo banco de fomento, de janeiro a maio, o maior crescimento foi na indústria, com forte expansão de 123%, nas liberações, que atingiram R$ 25,8 bilhões. Os destaques foram os setores de química e petroquímica, metalurgia, mecânica e material de transportes.
Esses ramos, diz o BNDES, são "intensivos em bens de capital", ou seja, demandam muitas máquinas e equipamentos e "turbinam", desse modo, os investimentos no aumento da capacidade produtiva.
Diante disso, as operações das linhas BNDES Finame, voltada para a compra de máquinas e equipamentos, totalizaram R$ 29,5 bilhões, com alta de 87%. No Ceará, o financiamento de máquinas e equipamentos nacionais resultou no desembolso de R$ 336 milhões.
Setores
Já os desembolsos ao setor de infraestrutura somaram R$ 20,7 bilhões, com crescimento de 19% de janeiro a maio, no país. O setor foi impulsionado por construção, transporte rodoviário e "outros transportes", categoria que inclui o transporte de passageiros, como metrô.
No estado cearense, os desembolsos do banco para o setor de infraestrutura contemplou 556 operações de crédito e resultou na aplicação de R$ 178,8, com destaque para os segmentos de transporte rodoviário o de energia elétrica, que financiaram R$ 79,2 milhões e R$ 45,3 milhões, respectivamente, nos cinco primeiros meses deste ano.
Já a indústria cearense financiou R$ 150,3, milhões, por meio de 2.205 operações. Os segmentos têxtil e vestuário e de alimentos e bebidas foram os que mais demandaram empréstimos na instituição. Eles realizaram 1.150 e 298 operações, respectivamente, que resultaram em desembolsos de R$ 71,4 milhões, praticamente a metade dos recursos destinados para o setor no estado.
2º semestre
Apesar da retração da economia nos últimos meses, o gerente da Área de Planejamento do BNDES, Humberto José Lingotti Gabrielli, avalia que os desembolsos para o Ceará e o Nordeste tem sido positivos e que tendem a crescer, neste segundo semestre. "As carteiras (de crédito do banco) apresentam cenários promissores, com perspectivas de desembolsos maiores (neste semestre) do que (em igual período) no ano passado", informa.
Segundo ele, como o BNDES opera com a TJLP (taxa de juros de Longo Prazo), atualmente em torno de 5%, ao ano, o aumento continuado da taxa Selic,hoje, em 8,5%, ao ano, não deve impactar negativamente no volume de desembolsos da instituição, nesse segundo semestre. "O cenário para novos financiamentos é muito promissor", sinaliza Gabrielle.
Por meio de nota, em uma avaliação geral desses primeiros meses, o banco diz que "os resultados positivos indicam manutenção do ritmo de investimentos na economia brasileira". A tendência de expansão foi acentuada em maio, mês em que o Banco liberou R$ 18,6 bilhões, 93% a mais do que os desembolsos realizados em maio de 2012.
As consultas por financiamentos atingiram R$ 32,1 bilhões, com incremento de 62%. Esses dois indicadores, aponta o banco, "sinalizam mais liberações de recursos no futuro e indicam, desse modo, uma possível aceleração dos investimentos".
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