CNI

Baixa integração logística na América do Sul

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) enumerou os principais fatores que ajudam a explicar as dificuldades enfrentadas pelos países da região para a integração logística e da infraestrutura de transportes.

Agência CNI de Notícias
29/03/2016 13:29
Baixa integração logística na América do Sul Imagem: Cortesia Agência CNI Visualizações: 885

Nas últimas décadas, os governos dos países da América do Sul vêm se comprometendo politicamente com iniciativas para interligar o continente, mas poucos resultados concretos são observados. Programas como a Integração da Estrutura Regional Sul-Americana (IIRSA) e o Conselho Sul-Americano de Infraestrutura e Planejamento (Cosiplan) estruturaram uma lista de projetos prioritários. No entanto, o ritmo de implementação tem sido baixo – apenas 4,5% do invesatimento nos 100 projetos foi concluído até 2014.

O estudo da CNI Desafios para a Integração Logística na América do Sul, divulgado este mês, recomenda que o processo de integração seja conduzido com mais pragmatismo e vontade política, priorizando a coordenação bilateral em projetos de corredores de exportação, com a participação direta da iniciativa privada. Entre as causas que emperram a ligação entre nações sul-americanas, estão a falta de recursos, o desnível de renda entre países e a distinção entre prioridades. Confira as causas apontadas pelo estudo para a baixa integração logística na América do Sul e as possíveis soluções:

1. Falta de recursos técnicos e financeiros

Os programas voltados para a integração sul-americana carecem de pessoal e de verbas financeiras para colocar em prática projetos ambiciosos. A recomendação do estudo da CNI é que o programa de integração seja repensado para focar em objetivos que sejam mais viáveis. Há experiências concretas e esforços internacionais em curso na área de aduanas, por exemplo, que poderiam ser adotados na América do Sul sem a necessidade de grandes investimentos e com resultados no sentido de reduzir custos de frete e aumentar a frequência de viagens.

2. Acordos conflitantes

O excesso de acordos e as divergências entre normas regionais, nacionais e binacionais dificultam a atuação dos órgãos públicos e a atuação das empresas. A harmonização regulatória e a simplificação de procedimentos aduaneiros ajudariam no processo de integração.

3. Assimetrias regulatórias/institucionais e conflitos entre operadores de transportes

As regulações heterogêneas dificultam a realização de investimentos e limitam a utilização da infraestrutura já disponível. Além disso, a existência de conflitos de interesse entre os diferentes operadores de transporte, em países e modais distintos, dificulta a superação dos problemas de logística entre países. A remoção das barreiras que restringem a concorrência nos serviços de transporte de carga deve ser uma prioridade.

4. Organização exclusivamente governamental

A IIRSA e o Cosiplan funcionam como extensões dos governos nacionais, com pouca ou quase nula participação do setor privado ou da sociedade civil. Tais programas são extremamente dependentes dos orçamentos estatais. As fortes assimetrias, diferenças institucionais e o histórico de crises políticas precisam ser superados como condição para que os projetos prioritários saiam do papel.

5. Políticas externas inadequadas

A falta de autonomia e a fraca estrutura organizacional de programas de integração logística na América do Sul são resultado de políticas externas inadequadas.

6. Países com prioridades diferentes

Nem todos os países sul-americanos dão igual prioridade à construção de um “projeto regional”. Uma iniciativa importante seria focar o esforço inicial em um grupo menor de países com objetivos, modelos econômicos e níveis de desenvolvimento mais semelhantes.

7. Nacionalismo e protecionismo

Se, de um lado, Chile, Colômbia e Peru têm postura relativamente aberta em relação ao comércio exterior e à realização de acordos de livre comércio com outros países, Argentina, Bolívia, Brasil, Equador, Paraguai, Uruguai e Venezuela têm visões mais protecionistas. O nacionalismo tem favorecido os interesses voltados à preservação de reservas de mercado nacional para grupos já estabelecidos e dificultado a criação de um mercado regional de transporte de carga.

8. Desníveis de renda e desequilíbrio entre custos e benefícios

Os esforços para a integração no continente sofrem obstáculos devido a grande assimetria de renda e tamanho entre os países. Dessa forma, fez-se necessária a criação de mecanismos compensatórios para que a distribuição dos custos e benefícios de um projeto de infraestrutura entre duas ou mais nações seja mais equitativa. É importante também que as partes com mais recursos assumam papel de protagonismo na execução das obras de integração.

9. Foco político reduziu prioridade dada a gargalos econômicos

O eixo central de atuação da Unasul é a concertação política e geopolítica, e não a questão comercial da América do Sul. Recomenda-se que o processo de integração seja conduzido com mais pragmatismo, mais vontade política e menos politização.

Mais Lidas De Hoje
veja Também
Resultado
PRIO registra receita de US$ 2,5 bilhões em 2025 com exp...
11/03/26
Bacia de Santos
Brasil: Início da Operação de Lapa Sudoeste
11/03/26
Pré-Sal
Seatrium impulsiona P-78 à injeção do primeiro gás após ...
11/03/26
PPSA
Assinatura de contratos de Mero e Atapu consolida result...
11/03/26
Empresas
Justiça suspende aumento de IRPJ e CSLL e decisão pode i...
10/03/26
Biodiesel
Setor de Combustíveis Defende Liberação da Importação de...
10/03/26
Macaé Energy
No Macaé Energy 2026, Firjan promove edição especial do ...
09/03/26
Dia Internacional da Mulher
Dia da Mulher: elas contribuem para avanços no setor ene...
09/03/26
FEPE
PRECISAMOS DE P&D DE LONGO PRAZO - Entrevista com Isabel...
09/03/26
Internacional
Efeitos de preços do petróleo sobre a economia brasileira
09/03/26
Dutos
Transpetro aplica tecnologia com IA para ampliar eficiên...
09/03/26
Dia Internacional da Mulher
Constellation amplia em mais de 300% a presença feminina...
09/03/26
Combustível
Etanol volta a subir no indicador semanal
09/03/26
Resultado
Com um aumento de 11% na produção total de petróleo e gá...
06/03/26
FEPE
EMPREENDER DEMANDA RELAÇÕES DE CONFIANÇA - Entrevista co...
06/03/26
Dia Internacional da Mulher
IBP amplia agenda de equidade de gênero com segundo cicl...
06/03/26
Dia Internacional da Mulher
Repsol Sinopec Brasil tem 38% de mulheres na liderança e...
06/03/26
Indústria Naval
SPE Águas Azuis realiza entrega da Fragata "Tamandaré" -...
06/03/26
Economia
Indústria volta a crescer em janeiro, mas Firjan alerta ...
06/03/26
Transpetro
Lucro líquido é 22% superior a 2024 e reflete novo momen...
06/03/26
Dia Internacional da Mulher
Presença feminina cresce em cargos de liderança no setor...
06/03/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.

23